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sábado, 7 de janeiro de 2017

Animais Fantásticos e Onde Habitam – Análise.

            


  

      Olá, leitores! Aqui é a poetisa Tatyana Casarino e hoje eu trago um texto escrito pelo meu amigo escritor Mateus Ernani Heinzmann Bulow que colabora gentilmente com o Recanto da Escritora. Vocês já assistiram ao filme Animais Fantásticos e Onde Habitam? Se você já assistiu, fique à vontade para comentar a respeito da análise feita pelo Mateus. Se você ainda não assistiu, fique tranquilo, pois o texto abaixo não contêm grandes revelações acerca do enredo. 
     O autor do texto destaca alguns pontos relevantes do filme com uma escrita requintada e divertida ao mesmo tempo. Espero que você, leitor, esteja pronto para viajar no tempo e passear em Nova York na década de 20. Pegue a sua maleta (talvez ela seja fantástica), aperte o cinto e mergulhe no texto do Mateus! 


Animais Fantásticos e Onde Habitam – Análise.




                        Entre dois mundos próximos, porém distintos, os monstros estão à solta... E tudo se deve a um biólogo trapalhão, um veterano de guerra sonhador e duas maletas trocadas. Assim começa Animais Fantásticos e Onde Habitam, o nono filme baseado na franquia Harry Potter (lembrando que o sétimo livro foi dividido em duas partes), e dessa vez a trama segue ao passado, à América dos anos vinte, onde a dura realidade do pós guerra e o preconceito lentamente se tornam uma ameaça para a segurança e a estabilidade entre as dimensões dos humanos “comuns” e os bruxos.
                O protagonista da história se chama Newt Scamander, um estudioso de criaturas mágicas e monstros, cuja maleta é um verdadeiro zoológico com os mais estranhos animais de todos os cantos do globo. Atrapalhado como só um apaixonado por seu ofício consegue ser, Newt perde sua maleta ao trombar com um veterano da Primeira Guerra Mundial chamado Jacob Kowalski, e com isto o circo está armado: diversos monstros de variados tamanhos e temperamentos estão soltos na “Big Apple”. Agora cabe a essa dupla, acompanhada de uma bruxa investigadora com o curioso nome de Porpetina Goldstein, recuperar todos os animais fantásticos, antes que estes causem mais danos.
                    No entanto, os problemas não estão apenas nos bichos fugitivos espalhados pela cidade: uma guerra silenciosa está prestes a começar, instigada pelos lados mais radicais entre os bruxos e os trouxas (não-bruxos), denominados como “No-Majs” nos Estados Unidos. Os protagonistas terão de lidar com a desconfiança de outros investigadores, encontrar todas as criaturas, e ainda evitar o contato com outros No-Majs em nome da segurança da comunidade bruxa. E como tempo é artigo de luxo, vamos começar a análise!


Pontos positivos:





1 – Nova York, década de vinte.

            Neste filme, nós saímos do interior da Inglaterra para acompanhar a vida em uma das maiores metrópoles já criadas pelo homem, e justamente em uma época dourada dessa cidade. Nova York e seus habitantes dos “Roaring Twenties” (“Loucos anos vinte”) estão bem representados, tanto em suas vestimentas como em seus costumes.
                  O mais interessante desta viagem no tempo está em ver os próprios bruxos adotando tais costumes: o órgão investigativo americano lembra muito o FBI dos filmes de gangster, e um dos bares frequentados pelos personagens é mantido por duendes, com direito até a uma dançarina/cantora dessa espécie. Chega a ser espantoso como o mundo bruxo, em nome de sua segurança, adotou diversos costumes dos americanos para continuar nas sombras, demonstrando o quanto uma cultura pode aprender com outra.

2 – Jacob e Queenie.

              Chega a ser engraçado ver dois personagens coadjuvantes ganhando destaque na análise do roteiro ao invés dos protagonistas, mas existem razões para tal julgamento de minha parte. Newt e Porpetina estão bem representados e é divertido vê-los trabalharem juntos, porém a cena é roubada pelo aspirante a padeiro e a irmã mais nova da investigadora, talvez por serem os maiores sonhadores do filme: Jacob apenas queria seguir um sonho antigo de ser padeiro, após trabalhar em uma fábrica de enlatados. Queenie, por sua vez, se pergunta quanto tempo levará até No-Majs e bruxos continuarem desconfiados entre si.
              Jacob de certa forma é um reflexo do público, seja ele leigo ou já acostumado com o universo ficcional de Harry Potter: ele é o “intruso” neste novo mundo fantástico diante de seus olhos. Apesar de não compreender nada a respeito das criaturas, ou mesmo quanto à extensão do poder bruxo oculto sob a cidade de Nova York, o simpático gordinho também mostra seu valor em diversas situações: uma das cenas mais engraçadas envolve uma porta resistente a feitiços capazes de destrancá-la; e o que o No-Maj faz? Ele simplesmente arromba a porta com um chute!
           É curioso notar como Jacob e Queenie agem de forma complementar não apenas para os protagonistas, como também entre eles. Apesar de abrupto, o leve romance entre os dois não chega a parecer forçado justamente pela ingenuidade de ambos, e pela química (ou seria alquimia?) entre eles: ambos gostam de cozinhar e preparar receitas envolvendo massas e doces, e devo dizer que o strudel feito por Queenie me deixou com fome...

3 – Um universo em clara e bem-vinda expansão.

                Eu não poderia falar desse filme sem destacar sua produtora e escritora do roteiro: a própria J K Rowling! E ela está inspirada em sua estreia, especialmente ao se tratar de uma trama totalmente inventada a partir de um livro cuja função principal é de “nota de rodapé” para enriquecer o universo dos bruxos e sequer possuía uma história propriamente dita, limitando-se apenas a descrever os animais fantásticos e onde vivem.
                Não deixa de ser agradável ver um universo tão complexo se expandindo lentamente, saindo da Inglaterra rumo às Américas e trazendo criaturas originárias de locais tão díspares quanto a África e a Austrália, abrindo portas para mais possibilidades. E dessa vez Rowling conta com a vantagem óbvia de começar uma nova saga utilizando o mesmo universo, e lançando pistas referentes aos filmes e livros anteriores, retroalimentando uma verdadeira mina de ouro escondida em sua imaginação. Só imagino que tipos de monstros nós teríamos no Brasil, que já foi citado três vezes na saga literária...
                E falando nelas, como eu poderia deixar de fora as criaturas? Temos marsupiais que gostam de objetos brilhantes, ao ponto de esconder barras de ouro inteiras em sua bolsa; uma arraia voadora misturada com borboleta; um leopardo venenoso com uma “juba” feita de espinhos; um pássaro enorme que controla eletricidade... E esses são apenas alguns deles! O deslumbramento com os monstros é tamanho que nem mesmo o viés levemente ecologista chega a incomodar, com Newt berrando a plenos pulmões que “os animais fantásticos não são perigosos, e sim os homens”...

4 – Um tema delicado.

                         Não é novidade que Rowling sempre teve apreço por desenvolver temas típicos da passagem da infância à adolescência até a vida adulta, bem como suas angústias, diversões e descobertas. Nesse novo filme temos poucos personagens com menos de dezoito anos, então o foco se desloca para o outro tema preferido da autora: discriminação e preconceito.
                         A importância de tal discussão é enfatizada ao se levar em conta o país utilizado como cenário, cujas lutas em nome dos direitos civis na década de sessenta por pouco não o levaram a conflitos mais destrutivos, e também é o berço da Ku Klux Klan. Mesmo os filmes anteriores tocavam nessa referência de forma explícita, afinal o uniforme dos servidores de Voldemort, chamados de Comensais da Morte (“Death Eaters” no original), era visivelmente baseado nos capuzes pontudos da Ku Klux Klan.
                Um dos antagonistas nessa nova história é a líder de um culto denominado como os Novos Salensianos, cuja maior influência está nos julgamentos de Salem, em 1692. Desejosos de exterminar a “ameaça bruxa”, os Novos Salensianos buscam apoio político com alguns candidatos a prefeito em Nova York, além de espalharem panfletos e fazerem alertas por meio de grandes discursos em público.
                        É possível que a concepção desses antagonistas seja uma forma de vingança pessoal por parte de Rowling: quando o primeiro livro da série Harry Potter foi lançado nos Estados Unidos, diversas igrejas e escolas se opuseram à sua publicação, e até fizeram campanhas ferrenhas contra sua divulgação em eventos literários. O argumento utilizado era de que os livros claramente fomentavam o interesse em magia negra nas crianças, e que tal matéria não deveria ser ensinada nas escolas (pois é...).


Pontos negativos:




1 – Lá e de volta outra vez.

                Mesmo tendo um tema interessante para trabalhar na história, isto não significa que sua exploração foi feita de forma adequada. Enquanto ocorre a busca aos animais fantásticos de um lado, vemos as tensões aflorando entre bruxos e No-Majs aparecendo lentamente, e a forma de exploração desse elemento de enredo utilizou de uma técnica que nem sempre funciona bem, nesse caso a divisão de personagens em núcleos.
                Basicamente existem dois núcleos de personagens no filme, sendo esses os bruxos e os No-Majs, e a passagem de cenas muitas vezes ocorre de forma abrupta como se fosse uma bola de pingue-pongue indo de um lado a outro. Algumas cenas chegam a durar pouco mais de um minuto, e então mais uma vez estamos de volta à situação principal, sem mais nem menos, dando a impressão que estamos vendo uma novela, e não um filme.
                O problema da edição de cenas felizmente começa a cessar a partir do último ato, mas aí surge outro problema: as batalhas nessa altura do campeonato são confusas, envolvendo raios e sombras voando loucamente de um lado para outro. Contribui para a confusão de imagens o fato de uma das criaturas mais perigosas do filme simplesmente não possuir forma definida, e seus poderes são destrutivos o bastante para destruir boa parte do cenário, só aumentando a confusão visual.

2 – Cinquenta tons de negro.

                Um detalhe interessante salta aos olhos de quem assiste Animais Fantásticos e onde habitam pela primeira vez: quando a trama decide mostrar o núcleo dos No-Majs, os cenários e figurinos ficam escuros. Na verdade, até mesmo o tom da história se torna sombrio e mórbido, como se subitamente o filme tivesse deixado de ser uma aventura para se tornar um filme de terror, afinal nem mesmo as crianças malignas ficaram de fora.
                É possível que tal escuridão tenha sido escolha da própria direção, em uma tentativa de diferenciar os dois núcleos da história, mas no fim essa estranha medida mais atrapalha do que propriamente ajuda na compreensão do que está acontecendo: em algumas cenas só é possível ver os atores e suas ações por meio de silhuetas, graças à luz passando em corredores estreitos. Como se isso não bastasse, os figurinos pretos apenas atrapalham a visão.






Texto escrito por Mateus Ernani Heinzmann Bulow 


Se você gostou deste texto, confira outros textos escritos pelo Mateus:



1) A Tragédia do Rei Gelado


2) O Trovadorismo


3) Os Maiores Aventureiros da Literatura


4) 10 Maiores Vilões da Disney


5) 10 Maiores Heróis da Disney


6) 10 Melhores Princesas da Disney


7) Os Melhores Contos de Grimm - Análise


8) Duncan Garibaldi e a Ordem dos Bandeirantes - Análise




*Confira também a TAG (marcador ao lado direito do blog) Mateus Ernani Heinzmann Bulow.




3 comentários:

  1. Adorei os pontos positivos destacados e os comentários acerca dos pontos negativos. Eu confesso que gosto de histórias que seguem uma narrativa clássica (começo, meio e fim) e também me incomodo com este "jogo de ping-pong". Contudo, parece estar na "moda" da literatura e do cinema americanos este tipo de construção para manter a atenção do leitor/espectador: a interrupção constante da linha de cada núcleo. Esta estrutura de ida e volta a um ponto preestabelecido é bastante curiosa. Alguns chamam de "page turner", um livro que cada página obriga a virar para a próxima. O vencedor do Prêmio Pulitzer de ficção, o livro "Toda Luz Que Não Podemos Ver", é uma história que segue um "ping-pong" entre as vidas dos personagens centrais. Apesar de amar este livro, a interrupção constante me irritava hehehe. Grande Abraço! ;)

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  2. Não conhecia esse filme. Esse ping-pong também não me agrada, mas em um mundo com "mil" distrações, esse digamos, efeito...parece estar dando certo senão não viraria moda.

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    1. Olá, Fer! Adorei seu comentário! Muito bom ter uma visão diferente. Realmente, eu não tinha pensado por este ângulo. O efeito gera certa empolgação, mas incomoda os mais tradicionais. Beijos.

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