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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Duncan Garibaldi e a Ordem dos Bandeirantes – Análise.



                                               
    

        Olá, pessoal! Hoje eu trago uma postagem bem diferente: a análise de Duncan Garibaldi e a Ordem dos Bandeirantes, primeiro livro de uma saga criada pelo autor gaúcho André Zanki Cordenonsi. Tal análise foi escrita pelo meu amigo escritor, Mateus Ernani Heinzmann Bulow, que colabora gentilmente com o Recanto da Escritora
   Confesso que ainda não li Duncan Garibaldi e a Ordem dos Bandeirantes, mas fiquei com muita vontade de mergulhar nesse livro após a análise do Mateus hehehe. Com os pontos positivos bem destacados, Mateus instiga a nossa curiosidade e conquista leitores para a obra citada. Apesar de citar certos aspectos negativos da obra, o presente texto toca nesses pontos com muita sutileza, respeito e transparência, razão pela qual a análise crítica de Mateus foi lúcida e precisa. 
   Uma das virtudes que eu mais aprecio ao ler os textos de Mateus é a precisão. Sendo assim, talvez eu necessite aprender a arte da exatidão com ele hehehe, pois quem me acompanha sabe que, muito embora eu também seja muito inspirada e disciplinada, tenho dificuldade em limitar as minhas palavras e ter autocontrole na escrita hehehe. Quando eu começo a escrever, é difícil eu conseguir parar...
     Eu nasci em Presidente Prudente/SP, mas morei grande parte da minha vida em Santa Maria/RS, motivo pelo qual o livro citado é ainda mais interessante para mim. A história do livro se passa na cidade de Santa Maria/RS, o coração do Rio Grande do Sul. Confesso que amo o estilo do livro, Low Fantasy, e me emociono quando elementos misteriosos da fantasia entram em contato com personagens humanos de personalidades parecidas com as nossas. Para mim, o elemento de identificação é fundamental. 


                               

     

     Sou muito emotiva e preciso me identificar com os personagens e com a história de alguma maneira para comprar um livro. Uma história sempre é mais cativante para mim quando estabelece laços de identificação com a minha vida "real". Nas livrarias, eu sou muito seletiva. Não acredito que a quantidade de livros lidos determina a erudição, mas a qualidade deles. Posso não ter lido centenas de livros, mas todos os livros que eu li até hoje causaram impactos profundos e verdadeiros em mim. 
     Na livraria, eu somente compro aquele livro cuja sinopse me fascina. Confesso que não consigo ler rápido e demoro semanas para concluir a leitura de uma história. Gosto de efetuar uma leitura empática e mergulhar profundamente na vida de cada personagem do livro. A leitura para mim é um exercício muito intenso e profundo. Logo, não desperdiço as minhas energias em um livro que não causa em mim algum tipo de emoção ou reflexão construtiva. Um livro não absorvido é equivalente a um livro não lido. Gosto de absorver o máximo de cada livro que eu leio. 
      Sendo assim, sempre tenho um bloco de notas perto de mim quando estou deitada em minha cama ou sentada em minha poltrona predileta lendo um livro. Nesse bloco, anoto as descobertas que eu fiz durante a leitura, as quais incluem elementos de cultura, dados reais inseridos na ficção, personalidades históricas reais citadas na obra de ficção e reflexões filosóficas que surgem para a minha própria vida real. Na ficção, há muito mais realidade do que se pensa... 

                    

    

       Faço incríveis descobertas durante uma leitura. Confesso: o que mais me diverte durante uma leitura reside naquilo que eu denomino "elementos de descoberta". Desse modo, o meu nível cultural aumenta de forma divertida. Talvez o aprendizado real seja mais divertido do que o próprio mergulho nas águas da fantasia (e olha que eu amo "viajar" nas doces águas fictícias...).
       Por exemplo, durante a leitura do livro "Toda luz que não podemos ver" de Anthony Doerr, eu pude aprender sobre: John James Audubon (naturalista americano especializado em aves), Alvéola Cinzenta (ave passeriforme), Pica-pau-malhado-pequeno e Entropia ( grandeza termodinâmica que mensura o grau de irreversibilidade de um sistema). Dentro de uma obra de ficção, eu pude capturar elementos da realidade. Confesso que não sabia quem era Audubon e nem sabia que existia Pica-pau-malhado-pequeno. Considerando que eu amo aves, adorei aprender mais sobre elas durante as minhas horas de leitura e lazer. Além do mais, esse exemplo é pequeno perto de tudo o que eu já aprendi lendo obras de ficção...
       Aprender a realidade através da ficção: não há nada mais fantástico do que isso. Além do mais, todo livro traz sua carga filosófica e provoca reflexões sobre relacionamentos interpessoais, virtudes humanas, vícios humanos e a importância de fazer boas escolhas. Afinal, um herói é formado por suas virtudes e suas escolhas. Eu amo enxergar nas entrelinhas a carga filosófica e as mensagens sutis deixadas pelo autor (ainda que filosofar não seja a intenção primordial dele). 

                        

      

        Voltando ao assunto principal da presente postagem, o livro Duncan Garibaldi e a Ordem dos Bandeirantes tem uma sinopse que me cativou. Eu vou comprar este livro e ler esta história com o maior prazer com certeza. Este livro é repleto de elementos de identificação. A partir da análise de Mateus, observo que os perfis dos personagens são muito interessantes, provocando a empatia do leitor.
      Trata-se de um menino que vive na Vila Belga e enfrenta um cotidiano comum no seu ambiente escolar repleto de "valentões" cuja vida é tomada por elementos fantásticos e misteriosos repentinamente. O que mais me encanta é a forma com a qual o autor costura realidade e fantasia. Duncan Garibaldi poderia ser você, o seu melhor amigo ou o seu vizinho. Conforme a análise descrita pelo Mateus, a forma com a qual a história acontece dá a impressão de que ela é real (e essa sensação somente consegue ser provocada por excelentes escritores). 
      A história se passa em Santa Maria/RS, cidade onde vivi por muitos anos antes de vir morar em Fortaleza/CE, mais uma razão que estimula o meu interesse pelo livro. Mas, ainda que você não conheça a cidade de Santa Maria/RS, querido leitor, tenho certeza que esta história vai emocionar você com todos os seus elementos: mistério, suspense, surpresas e o incrível canto que a realidade e a ficção soam em uníssono. A análise de Mateus conquistou uma leitora. 
       Estou muito curiosa pelos elementos de descoberta contidos neste livro. Tenho certeza que, a partir da leitura dessa obra, haverá muita aprendizagem não somente em relação à cidade de Santa Maria (minha cidade do coração), mas também a respeito de todo o universo fascinante criado pelo autor. Eu não vejo a hora de mergulhar nesta história, e você? Você também está pronto para embarcar em um trem repleto de emoção, cor, mistério e aventura?
        Bem, feita essa introdução, sem mais delongas (eu me empolgo escrevendo hehehe), eis logo abaixo o texto de Mateus Ernani Heinzmann. Boa leitura!


Duncan Garibaldi e a Ordem dos Bandeirantes – Análise.



                      Ação, aventura e fantasia em um mundo escondido nas sombras da noite. Criaturas horripilantes e guerreiros armados de espadas, sabres e bestas de repetição feitas de prata. E para coroar com honra esse mundo incrível e ao mesmo tempo ameaçador, trens e ferrovias em uma cidade ferroviária do interior do Rio Grande do Sul. Esse é o universo de Duncan Garibaldi e a Ordem dos Bandeirantes, o primeiro livro em uma saga planejada pelo santa-mariense André Zanki Cordenonsi, identificado apenas como A Z Cordenonsi na capa de seu primeiro romance.
                O personagem título é um menino que vive na Vila Belga, um bairro histórico de Santa Maria cujo auge se deu na época dos trens. Após ele e seu amigo Joaquim testemunharem o assassinato de uma garota, ambos se veem enredados em uma busca implacável pela misteriosa Clave Cristalina. Tal artefato é procurado por duas facções em conflito: os Bandeirantes, cavaleiros dedicados a combater criaturas vindas das sombras, e um estranho adversário identificado apenas como “O Inimigo”, da qual pouco se sabe, embora este tenha exércitos de monstros conhecidos como Ghouls à sua disposição, bem como um assassino implacável e sarcástico denominado Homem do Chapéu de Ferro.
                Em pouco tempo, a vida de Duncan e Joaquim, limitada apenas às suas desventuras nas mãos dos valentões do colégio, assume uma reviravolta surpreendente ante o jogo que se desenrola nas sombras. Ao lado de aliados nada convencionais, como uma menina fantasma e um bandeirante veterano, os dois amigos precisarão de coragem e perspicácia para resolver enigmas, sobreviver a duelos de espada, encontrar uma fada que comanda uma matilha de lobos ferozes e continuar no páreo. Só lendo para crer!
                Após essa apresentação, vamos esmiuçar o livro em uma análise de pontos positivos e negativos, com o cuidado para não tocar em possíveis revelações no enredo, bem como destacar pontos positivos e negativos. Sem mais delongas, hora de embarcar no trem!





Pontos fortes:

1 – Uma Santa Maria viva e expressiva.

                Não é surpresa que este livro tenha um gostinho a mais para quem nasceu e se criou em Santa Maria, mas é preciso ir além. Cordenonsi detalhou cada trecho e ponto de interesse da cidade com esmero, não se limitando apenas à Vila Belga. Também estão lá a antiga estação ferroviária (GARE), o Trevo do Castelinho, o Largo da Estação...
                No entanto, é necessário frisar que vários locais são inventados, conforme uma nota posterior do próprio autor no livro. É o caso da escola frequentada pelo protagonista e seu amigo, que combina elementos da Escola Estadual Manuel Ribas (vulgo “Maneco”) e um antigo educandário chamado Escola de Artes e Ofícios da Cooperativa de Empregados da Viação Férrea do Rio Grande do Sul. Até mesmo um cemitério abandonado, chamado “Cemitério dos Aflitos”, e um bar foram inventados.
                Apesar do grande número de lugares fictícios, Cordenonsi os descreve como se eles sempre estivessem ali e ainda fizessem parte da paisagem santa-mariense. Um exemplo é a Feira do Orquidário que ocorre na GARE, descrita na primeira metade do livro: apesar de ela não existir, ela é obviamente inspirada em outros eventos que costumam ocorrer ao lado da estação, tais como outras feiras e apresentações de música e performances.

2 – Personagens secundários incríveis.

                Esse livro descreve a típica jornada do herói, mas nenhuma jornada de herói está completa sem companheiros e mestres. Durante sua jornada, Duncan é acompanhado não apenas por Joaquim: uma garota fantasma chamada Elisabete, e um bandeirante com o nome imponente de Nicolau de Taunay cumprem com o papel de mestres.
                Elisabete merece um comentário à parte: seu espírito se materializa na sombra de Duncan, além de se esconder no medalhão de prata do rapaz. Apesar de seu humor seco e por vezes irônico, ela assume a posição de “irmã mais velha” em diversas situações, tanto para Duncan como para Joaquim. Nicolau, por sua vez, é o único adulto do time, e por isso acaba sendo o “desmancha prazeres” em diversas ocasiões, mas sempre o faz pensando no melhor para os dois garotos, impedindo-os de se machucarem nas lutas.
                Falei muito no Joaquim até então, e por isso vamos a ele, sem dúvida o personagem mais engraçado do livro. Apesar de meio “devagar” nos pensamentos e nas palavras, o melhor amigo de Duncan possui certa cautela, acompanhada de senso de autopreservação e um humor ácido, por vezes pessimista. Uma das cenas mais hilariantes envolve justamente a descoberta desse mundo novo de magia e perigo, com Nicolau tentando dissuadir os dois “miúdos” (como se refere aos dois amigos) de entrarem na trama:

                “Sei lá, cara. Se alguém me contasse este saco de doidice, eu ia rir uma semana. Mas olha lá! (Apontando a sombra viva de Elisabete) Aquilo é bem real, né? E, bem, minha mãe sempre disse que não se deve recusar ajuda a quem precisa.”
                “Mesmo contra ghouls ou outros monstros comedores de gente?” (Nicolau falando).
                “Ah, é, isso ela nunca mencionou”.

                Outro personagem importante na história é o Seu Lacerda, um maquinista aposentado que passa os dias reparando uma locomotiva, e serve de “avô adotivo” aos dois meninos, em especial para Joaquim. Um dos trechos mais emocionantes da história, aliás, diz respeito à própria locomotiva utilizada para alcançar o objetivo final, em uma das melhores e mais divertidas sequências do livro.

3 – Um jogo de sombras sinistro e arrebatador, com uma mitologia singular.

                Cordenonsi afirma que começou a escrever Steampunk (gênero da literatura fantástica com máquinas a vapor) por influência dos quadrinhos da Liga Extraordinária de Allan Moore, mas sua história vai além, ao combinar o clima sombrio de obras da segunda metade do Século XIX, como Drácula e Frankenstein, com a história do Brasil. Não deixa de ser fascinante imaginar os bandeirantes lutando contra monstros vindos das sombras, utilizando bestas de repetição e espadas feitas em prata (o autor, aliás, parece ter apreço por bestas, afinal elas também aparecem em “Le Chevalier”, outra de suas obras de fantasia).
                Além dos ghouls, outras criaturas aparecem no caminho dos heróis, a maior parte delas vinda da mitologia portuguesa. É o caso do tartaranho encontrado na cena do cemitério, em um dos momentos mais tensos (e hilários) do livro. O estranho ser é descrito como um tipo de ogro ou gigante com o tamanho de um pequeno rinoceronte, em contraste com sua inteligência reduzida. A presença dos ghouls, que são criaturas dos folclores árabe e persa, também deixa margem para a possível aparição de monstros de diversas culturas diferentes nas possíveis continuações.
                A exposição da cultura portuguesa não ficou limitada apenas às suas criaturas: em alguns trechos são descritas as siglas poveiras, pequenos marcos de pedra, utilizados para a demarcação de locais estratégicos, e também a estrela de Sanselimão, um símbolo místico capaz de espantar e até mesmo fazer desaparecerem monstros das sombras.

4 – Pesquisa, pesquisa e mais pesquisa.

                Como dito anteriormente, um dos pontos mais fortes do livro está fora de sua história, na nota posterior do final, onde Cordenonsi especifica boa parte do seu trabalho de pesquisa. Ali nós vemos a principal cartada do autor: várias situações e lugares podem nunca ter existido na Santa Maria, porém no livro eles são descritos com uma riqueza de detalhes capaz de fazê-los palpáveis e até familiares para todo santa-mariense. E isso se deve justamente à pesquisa intensa, possibilitando descrições detalhadas.
                Até mesmo as passagens de trens em determinados horários soam naturais, embora não ocorram em determinados horários, e o próprio modelo de locomotiva descrito em alguns trechos parece parte da paisagem de Santa Maria, apesar de nunca ter sido utilizado por essas bandas. A cena da locomotiva é, de longe, a melhor parte do livro inteiro, combinando tensão, espírito de aventura, deslumbramento infantil e uma conclusão emocionante antes do derradeiro confronto final contra o Homem do Chapéu de Ferro e seus ghouls, seguido de um gancho para uma sequência de dar água na boca dos mais afoitos, como é o meu caso...

                Curiosamente, a pesquisa também marca a própria jornada de Duncan na solução de diversos enigmas e charadas dadas de forma esparsa durante a busca pela Clave Cristalina. Eles revistam bibliotecas e buscam pistas de todas as formas possíveis, até mesmo durante explicações dadas em aula, em exibições de slides. Duncan também pratica esgrima em algumas cenas, explicando sua desenvoltura em confrontos contra ghouls, embora a sua principal arma certamente seja sua perspicácia e percepção a alguns detalhes no caminho.



                                                      O autor: A Z Cordenonsi.



Pontos fracos:

1 – Talvez não agrade fãs de fantasia mais “extremos”.

                Em comparação com outras séries de fantasia de longa data, em especial Harry Potter, o universo ficcional de Duncan Garibaldi aparenta ser muito mais simples, até por fazer parte de uma vertente chamada “Low Fantasy” (“fantasia baixa” ou “fantasia leve”, em uma tradução livre). Uma das muitas variações dessa vertente costuma tratar de acontecimentos fantásticos ocorrendo em nosso mundo “normal”, porém raramente perturbando a ordem natural de forma considerável.
                Poucas criaturas aparecem na história, bem como poucas informações: tudo o que sabemos até agora, resumidamente, foi que bandeirantes enfrentaram monstros durante a era colonial e da existência de um Inimigo em busca da Clave Cristalina. Muitos capítulos são focados na vida escolar de Duncan e Joaquim, em especial nos conflitos deles com valentões, as conversas desajeitadas com meninas, os castigos na diretoria... É claro que tais episódios tornam a escrita mais vívida, porém alguns leitores podem interpretar de forma errada, e crer que a história está apenas “enrolando”.
                Não considero a ocultação de algumas informações como algo propriamente negativo, até porque existe muito “chão” a ser percorrido, e manter a curiosidade acesa é um dos maiores trunfos de um escritor de fantasia. No entanto, o primeiro livro aparenta mais focado em homenagear Santa Maria do que entrar de vez na luta contra as forças do mal (não deixa de ser algo sensato, afinal os heróis são meninos de catorze anos), e isto pode afastar os leitores habituais, que compram um livro já esperando pelo filme...

2 – A continuação demorará algum tempo para vir.

                A primeira vez que consegui contato com Cordenonsi foi durante uma série de palestras sobre fantasia e publicações de livros, ocorridas na Universidade Federal de Santa Maria há quase um ano atrás. Na época, cheguei até a comentar sobre a possibilidade de não vermos uma continuação de Duncan Garibaldi tão cedo, até por estar preocupado: A editora Underworld, responsável pela distribuição do primeiro livro, havia decretado falência.
                No blog original do autor já havia uma capa pronta para uma continuação, chamada “Duncan Garibaldi e o Mistério da Soteia” (“soteia” é o nome dado ao terraço colocado no teto de casas ou torres), mas Cordenonsi hoje está mais ocupado com sua outra criação fantástica, “Le Chevalier”, até porque esta aparentemente tem lhe dado melhor retorno em matéria de vendas, não apenas de livros como em outras mídias, como quadrinhos.
                No entanto, nem tudo está perdido para o aprendiz de bandeirante: naquele mesmo dia, Cordenonsi afirmou ter conseguido contato com outra editora para fazer a impressão, embora a distribuição tenha de ser feita por outra empresa. O único problema é que essa mesma editora descrita por ele se encontra na Itália! Talvez tenhamos de esperar alguns anos para embarcarmos novamente nesse trem...


Mateus Ernani Heinzmann Bulow






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