O Cantinho de Tatyana Casarino. Aqui você encontrará Textos diversos e Poesias simples com a medida do coração.









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domingo, 6 de novembro de 2016

O Cântico dos Cânticos



O Cântico dos Cânticos

O Cântico dos Cânticos de Salomão

Para quem quiser ouvir a Poesia durante a leitura, acione o botão "Play" do Vídeo abaixo:




Primeiro Canto

Anseios de Amor




Ela

Sua boca me cubra de beijos!
São mais suaves que o vinho tuas carícias,
E mais aromático que teus perfumes
É teu nome, mais que perfume derramado;
Por isso as jovens de ti se enamoram.
Leva-me contigo! Corramos!
O rei introduziu-me em seus aposentos.

Coro

Queremos contigo exultar de gozo e alegria,
Celebrando tuas carícias, superiores ao vinho.
Com razão as jovens de ti se enamoram.

Canção da Amada

Ela

Sou morena, porém graciosa,
Ó filhas de Jerusalém,
Como as tendas de Cedar.
Como os pavilhões de Salomão.
Não me olheis com desdém, por eu ser morena!
Foi o sol que me bronzeou:
Os filhos de minha mãe, aborrecidos comigo,
Puseram-me a guardar as vinhas;
A minha própria vinha não pude guardar.







Ambição do Amor 

Ela

Indica-me, amor de minha alma: onde pastoreias?
Onde fazes repousar teu rebanho ao meio-dia?
Para eu não parecer uma mulher perdida,
Seguindo os rebanhos de teus companheiros.

Coro

Se não o sabes, ó mais bela das mulheres,
Segue os rastos das ovelhas
E leva teus cabritos a pastar
Perto do acampamento dos pastores!

Ele

Às parelhas das carruagens do Faraó
Eu te comparo, minha amada.
Graciosas são tuas faces entre os brincos,
E teu pescoço entre colares.
Faremos para ti brincos de ouro
Com filigramas de prata.

Exaltação do Amor

Ela

Enquanto o rei está em seu divã,
Meu nardo exala seu perfume.
O meu amado é para mim
Como bolsa de mirra sobre meus seios;
O meu amado é para mim
Como um cacho florido de alfena
dos vinhedos de Engadi.







Ele

Como és formosa, minha amada!
Como és formosa, com teus olhos de pomba!

Ela

E tu, meu amado, como és belo,
Como és encantador!
O verde gramado nos sirva de leito!
Cedros serão as vigas de nossa casa,
E ciprestes, as paredes.

Galanteios

Ela

Eu sou o narciso de Saron, o lírio dos vales.

Ele

Sim, como o lírio entre espinhos
É, entre as jovens, a minha amada.

Ela

Como a macieira entre as árvores silvestres
É, entre os jovens, o meu amado.
À sua sombra eu queisera sentar-me,
Pois seu fruto é saboroso ao meu paladar.

Amor apaixonado

Ela

Ele me conduzirá à casa do banquete,
Onde a bandeira era para mim sinal de amor.
Restaurai-me as forças com tortas de uva,
Revigorai-ne com maças,
Porque desfaleço de amor!
Sua esquerda apoia minha cabeça,
e sua direita me abraça.




Ele

Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém,
Pelas gazelas ou corças do campo,
Que não acordeis nem desperteis a amada,
Antes que ela queira!




Segundo Canto

Primavera de Amor

Ela

Atenção! É o meu amado:
Eis que ele vem saltando pelos montes,
Transpondo as colinas.
O meu amado parece uma gazela,
Uma cria de gamo,
Parado atrás de nossa parede,
Espiando pelas janelas,
Espreitando através das grades.
Adiantando-se, o meu amado me fala:

Ele

Levanta-te, minha amiga,
minha formosa e vem!
Eis que o inverno já passou,
cessaram as chuvas e se foram.
No campo aparecem as flores,
Chegou o tempo da poda,
A rolinha já faz ouvir
Seu arrulho em nossa região.
Da figueira brotam os primeiros figos,
Exalam perfumes as videiras em flor.
Levanta-te, minha amiga,
minha formosa, e vem!
Pomba minha, nas fendas da rocha,
no esconderijo escarpado,
Mostra-me teu semblante, deixa-me ouvir tua voz!
Porque tua voz é doce, gracioso o teu semblante.

Coro

Agarrai para nós as raposas,
estas pequenas raposas,
que devastam as vinhas,
nossas vinhas em flor!

Apelo da Amada

Ela

O meu amado é todo meu, e eu sou dele.
Ele é um pastor entre lírios.
Antes que expire o dia e cresçam as sombras,
Volta meu amado,
─ imitando a gazela ou sua cria ─,
para os montes escarpados!




Divagações

Ela

Em meu leito, durante a noite,
Busquei o amor de minha alma:
procurei, mas não o encontrei.
Hei de levantar-me e percorrer a cidade,
as ruas e praças,
procurando o amor de minha alma:
procurei, mas não o encontrei.
Encontraram-me os guardas que faziam a ronda pela cidade.
Vistes o amor de minha alma?

Apenas passara por eles,
Encontrei o amor de minha alma:
Agarrei-me a ele e não o soltarei
Até trazê-lo à casa de minha mãe,
À alcova daquele que me concebeu.

Ele

Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém,
Pelas gazelas ou corças do campo,
Que não acordeis nem desperteis a amada,
Antes que ela queira!





Terceiro Canto

Cortejo Nupcial

Coro

O que vem a ser aquilo que sobe do deserto,
Como coluna de fumo, exalando mirra e incenso
E todos os perfumes dos mercadores?
É a liteira de Salomão,
Escoltada por sessenta guerreiros
Dos mais valentes de Israel.
Todos são espadeiros treinados para o combate;
Cada qual leva ao flanco a espada,
Por temor de surpresas noturnas.
O rei Salomão mandou construir um palanquim
De madeira do Líbano:
Fez colunas de prata,
Espaldar de ouro e assento de púrpura;
O interior foi carinhosamente adornado
Pelas filhas de Jerusalém.
Vinde, filhas de Sião, contemplar
o rei Salomão com a coroa,
com a qual sua mãe o coroou
no dia de suas bodas,
dia de júbilo para seu coração!




Descrição da Amada

Ele

Como és formosa, minha amada!
Como és formosa,
Com teus olhos de pomba,
na transparência do véu!
Teus cabelos são como um rebanho de cabras,
esparramando-se pelas encostas do monte Galaad.
Teus dentes são como um rebanho de ovelhas tosquiadas,
recém-saídas do lavadouro:
cada um com seu par, sem perda alguma.
Teus lábios são fitas de púrpura,
de fala maviosa.
Tuas faces são metades de romã,
na transparência do véu.
Teu pescoço é como a torre de Davi,
construída com parapeitos,
da qual pendem mil escudos
e armaduras de todos os heróis.
Teus seios são como duas crias,
gêmeos de gazela, pastando entre lírios.




Ela

Antes que expire o dia e cresçam as sombras,
Irei ao monte de mirra e à colina do incenso.

Ele

És toda formosa, minha amada,
e em ti não se encontra defeito algum.




 Apelo do Amado

Ele

Vem comigo do Líbano, minha noiva!
Vem comigo do Líbano!
Desce do cume do Amaná,
dos cimos do Sanir e do Hermon,
das cavernas dos leões,
das montanhas das panteras!





Encantamento

Ele

Arrebataste-me o coração, minha irmã e minha noiva,
arrebataste-me o coração com um só dos teus olhares,
com uma só joia de teu colar.
Como são ternos teus carinhos,
minha irmã e minha noiva!
Tuas carícias são mais deliciosas que o vinho;
teus perfumes, mais aromáticos
que todos os bálsamos.
Teus lábios, minha noiva, destilam néctar;
em tua língua há mel e leite.
Tuas vestes têm a fragrância do Líbano.





Recanto de Amor

Ele

És um jardim fechado, minha irmã e minha noiva,
uma nascente fechada, uma fonte selada.
Tuas plantas são um vergel de romãzeiras,
Vegetação toda selecionada:
umbelas de alfena e flores de nardo,
nardo e açafrão, canela e cinamomo,
toda espécie de árvores de incenso,
mirra e aloés,
os melhores bálsamos.
A fonte do jardim
é como um manancial de água corrente
que brota do Líbano.
Desperta, Aquilão!
E tu, Austro, vem soprar em meu jardim,
para que se espalhem seus aromas!





Apelo da Amada

Ela

Que entre o meu amado em seu jardim
Para comer dos frutos deliciosos!

Ele

Já vou ao meu jardim, minha irmã e minha noiva,
colher mirra e bálsamo,
comer do favo de mel, beber vinho e leite.

Coro

Amigos, comei!
bebei e embriagai-vos do amor




Quarto Canto

Noturno

Ela

Eu estava dormindo, mas meu coração velava.
Atenção! O meu amado está batendo.

Ele

Abre, minha irmã e minha noiva,
minha pomba, meu primor!
Pois tenho a cabeça borrifada de orvalho,
e do sereno da noite, minha cabeleira.

Ela

Já despi minha túnica:
hei de vesti-la novamente?
Já lavei os pés:
hei de sujá-los outra vez?
O meu amado meteu a mão na fechadura,
fazendo-me estremecer em meu íntimo.





Em busca do Amado

Ela

Levantei-me para abrir ao meu amado,
minhas mãos gotejando mirra;
de meus dedos a mirra escorria
sobre o trinco da fechadura.
E então abri ao meu amado,
mas o meu amado já se tinha ido, já se tinha retirado.
Ansiei loucamente por falar-lhe:
procurei, mas não o encontrei;
chamei, mas não me respondeu.
Encontraram-me os guardas que faziam as rondas da cidade:
espancaram-me e feriram-me;
arrancaram-me o manto as sentinelas das muralhas.
Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém:
se encontrardes o meu amado,
anunciai-lhe que desfaleço de amor!






Descrição do Amado

Coro

O que distingue dos outros o teu amado,
ó mais bela entre as mulheres?
O que distingue dos outros o teu amado,
para que assim nos conjures?

Ela

O meu amado é branco e corado,
inconfundível entre milhares;
Sua cabeça é ouro puro,
a cabeleira é como leques de palmeira,
é negra como o corvo.
Seus olhos são pombos,
junto aos cursos de água,
banhando-se em leite,
detendo-se no remanso.
Suas faces são canteiros de bálsamos,
tufos de ervas aromáticas.
Seus lábios são como lírios,
a destilar um fluido de mirra.
Suas mãos são braceletes de ouro,
guarnecidas como pedras de Társis.
Seu corpo é marfim lavrado,
recoberto de safiras.
Suas pernas são colunas de alabastro,
assentadas em bases de ouro.
Seu aspecto, como o Líbano, airoso como os cedros.
Sua boca é só doçura; todo ele, pura delícia.
Tal é o meu amado, assim é o meu amigo,
ó filhas de Jerusalém.







Encontro com o amado

Coro

Aonde foi o teu amado, ó mais bela das mulheres?
Para onde se dirigiu o teu amado?
Iremos contigo à sua procura.

O meu amado desceu ao seu jardim,
aos canteiros de bálsamos,
para apascentar nos vergéis e colher lírios.
Eu sou do meu amado, e o meu amado é todo meu.
Ele é um pastor entre lírios.




Quinto Canto

Prendas da Amada

Ele

És formosa, minha amiga como Tersa,
encantadora como Jerusalém,
esplêndida como as constelações.
Aparta de mim teus olhos, porque eles me perturbam!
Teus cabelos são como um rebanho de cabras,
esparramando-se pelas encostas de Galaad.
Teus dentes são como um rebanho de ovelhas,
recém-saídas do lavadouro;
cada um com seu par, sem perda alguma.
Tuas faces são metades de romã,
na transparência do véu.





A predileta

Ele

Sessenta são as rainhas,
oitenta as concubinas,
além de numerosas donzelas.
Um só, porém, é a minha pomba, o meu primor:
única é ela para sua mãe,
é o encanto de quem a gerou.
Ao vê-la, felicitam-na as donzelas,
louvam-na as rainha e as concubinas.

Coro

Quem é esta que surge como a aurora,
bela como a luz, brilhante como o sol,
esplêndida como as constelações?

Ele

Desci ao horto das nogueiras
para examinar os brotos da várzea
e ver se as vides já brotavam,
se floresciam as romãzeiras.
Sem me aperceber, minha fantasia me transportou
até as carruagens da nobre comitiva.






A dança

Coro

Retorna, Sulamita, retorna!
Retorna, para podermos
contemplar-te, retorna!

Ele

O que vedes na Sulamita,
quando dança entre dois coros?
Como são belos teus passos nas sandálias,
ó filhas de príncipes!
Os contornos de teus quadris são como colares:
obra das mãos de artista.
Teu umbigo é uma taça redonda:
não lhe falte vinho mesclado!
Teu ventre é um monte de trigo, cercado de lírios.
Teus seios são como duas crias,
como gêmeos de gazela.
Teu pescoço é como uma torre de marfim.
Teus olhos são como as piscinas de Hesebon,
junto à Porta Maior.
Teu nariz é como a torre do Líbano,
sentinela sobre Damasco.
Tua cabeça sobressair como o Carmelo;
e as madeixas de tua cabeça são como fios de púrpura,
que nos tanques um rei mantém amarrados.




Protestos de Amor

Ele

Como és formosa e encantadora,
ó delicioso amor!
Teu talhe assemelha-se a uma palmeira,
e teus seios a cachos.
Eu disse: “Vou trepar pela palmeira
e agarrar-me às suas frondes.”
Teus seios devem ser como racemos na cepa,
teu hálito, como a fragrância das maçãs,
tua boca, como vinho generoso.






Ela

Ele flui suavemente para meu amado
Deslizando pelos lábios dos adormecidos!
Eu sou do meu amado,
e ele arde em desejos por mim.




Canção do encontro

Ela

Vem, meu amado, saiamos ao campo!
Passaremos a noite nas aldeias,
madrugaremos para ir aos vinhedos,
ver se as vides lançaram rebentos
ou se já se abre suas flores,
se florescem as romãzeiras.
Ali te darei o meu amor.
As mandrágoras exalam seu perfume,
E à nossa porta há mil frutas deliciosas,
tanto frescas como secas,
que, para ti, meu amado, reservei.




Anelos de Amor

Ela

Quem me dera que fosses meu irmão,
amamentado aos seios de minha mãe!
Encontrando-te pela rua, beijar-te-ia,
sem que alguém me desprezasse.
Eu me farei teu guia para introduzir-te
na casa de minha mãe, que me criou;
dar-te-ei a beber vinho aromático
e suco de minhas romãs.
Sua esquerda apoia minha cabeça,
e sua direita me abraça.





Ele

Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém,
que não acordeis nem desperteis a amada,
antes que ela queira.




Sexto Canto

Triunfo de amor

Coro

Quem é esta que surge do deserto,
apoiada no seu amado?

Ele

Debaixo da macieira eu te despertei,
onde tua mãe, em dores, por ti se consumia,
onde se consumia em dores quem te deu à luz.

Ela

Põe-me como um selo sobre teu coração,
como um selo sobre teu braço!
Porque é forte o amor como a morte,
E a paixão é violenta como o abismo:
suas centelhas são centelhas de fogo,
labaredas divinas.
Águas torrenciais não conseguirão apagar o amor,
nem rios poderão afogá-lo.
Se alguém quisesse comprar o amor,
com todos os tesouros de sua casa,
se faria desprezível.







A amada e seus irmãos


Irmãos

Temos uma irmãzinha,
ainda sem seios.
O que faremos por nossa irmã,
quando alguém pedir sua mão?
Se ela é uma muralha,
vamos construir-lhe ameias de prata;
Se é uma porta,
vamos reforça-la com pranchas de cedro.

Ela

Agora já sou uma muralha,
e meus seios são como torres.
E assim tornei-me a seus olhos
a mulher a encontrar a paz.

A vinha de Salomão

Ela

Salomão tinha uma vinha em Baal-Hamon.
Entregou a vinha a cultivadores;
por seus frutos se pagaria
mil siclos* de prata.
Sobre minha vinha, porém, disponho eu:
Para ti, Salomão, os mil siclos,
e duzentos para os cultivadores de seus frutos.

*Unidade de peso usada no antigo Egito e na Judéia






Intimidade do Amor

Ele

Tu que habitas nos jardins,
Com companheiros a escutar a tua voz,
Deixa-me ouvi-la!

Ela

Vai depressa, meu amado,
─ imitando a gazela ou sua cria ─,
Para os montes perfumados!




Bibliografia:

Bíblia ─ Estudando a Palavra de Deus. ─ São Paulo: FTD; Petrópolis, RJ: Vozes, 1995, p. 632-637.

Observação: Bíblia Católica.




Sou apaixonada pelo “Cântico dos Cânticos”. Sempre li esses versos não somente com os olhos da fé, mas também com olhos de poetisa. Sempre admirei a riqueza literária de Cântico dos Cânticos, o qual pode ser definido como um poema lírico. Procurei, pelos Sites Bíblicos da Internet e em outras Bíblias, o Cântico dos Cânticos, mas jamais encontrei uma versão que superasse a beleza da versão escrita em minha Bíblia. Por essa razão, decidi escrever o Cântico dos Cânticos, o que gerou um imenso trabalho. Contudo, valeu a pena o esforço, tendo em vista que almejo transmitir a cultura, o conhecimento, a fé e o amor.
Acredito que as grandes letras coloridas do Blogue e as imagens postadas auxiliam no incentivo à leitura, tendo em vista que inúmeros jovens não têm o hábito de ler a Bíblia ou acabam desistindo de ler quando se deparam com letras miúdas infelizmente. O romantismo, a atmosfera onírica e a beleza mística dessa poesia me encantam e me arrepiam até a alma, razão pela qual decidi compartilhar com vocês.

Um grande abraço!

Tatyana Casarino.

*Referência de Vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=wAOOP7y9hsQ





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