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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A representatividade da Barbie: construção atual ou tradição antiga?


                                   

     
       A Boneca mais famosa e icônica de todos os tempos também é a mais apedrejada no que tange ao assunto Diversidade e Representatividade. A bela atriz Nicole Kidman (que, na minha opinão, parece uma Barbie hehehe) revelou em uma entrevista que sua mãe, uma feminista, nunca lhe deixou ter uma Barbie. De acordo com o que a atriz declarou para o site Entertainment Weekly, sua mãe considerava a Barbie uma figura sexista que fazia parte da fantasia masculina.

                           


     Então, a atriz acabou furtando uma Barbie para poder brincar na sua infância. Curiosamente, no entanto, sua educação rígida e cheias de tabus acerca de padrões de beleza e sexismo, não impediu a atriz de mergulhar no mundo do botox e de interpretar filmes onde expressou personagens altamente sexualizadas. Ironicamente, a atriz participou de filmes como "Mulheres perfeitas" e "The Paperboy" (este último ainda não vi, mas achei a sinopse bem forte).

              




    

       Não estou criticando o trabalho da atriz, mas apenas considerando irônica a relação entre sua infância repleta de tabus desnecessários e os papéis apimentados que ela interpreta... Eu adoro o trabalho dela e, em especial, me emociono com sua atuação no filme "Reencarnação". Apenas tenho uma teoria íntima de que toda infância reprimida gera adultos rebeldes hehehe. Acredito que a Repressão vem de pais preguiçosos que, ao invés de mergulhar no intenso trabalho de educar, filosofar e explicar as coisas com profundidade e clareza para os filhos, resolvem reprimir. 

             



                                                   


   Eu graças a Deus, tive uma infância livre de tabus e brinquei muito de Barbie. Barbie nunca me fez mal! Pelo contrário, brincar de bonecas só me fez bem. Recebi uma educação qualificada, amorosa e maravilhosa! Eu sempre fui educada para respeitar a mim mesma como eu sou e a ter uma autoestima equilibrada, sabendo do meu valor, mas também sabendo respeitar os valores de todas as pessoas com humildade e amor. Eu sempre fui educada para aceitar a diversidade, enxergando o valor humano de cada indivíduo, sem preconceitos. Meu príncipe favorito sempre foi a Fera... Eu sempre fui uma pessoa de romper padrões hehehehe. Adorava a Barbie Princesa Bela e o seu Príncipe Fera. 
    Sempre soube ver que a beleza está no interior das pessoas... Barbie não transforma as garotas em pessoas superficiais e voltadas para a beleza externa. A índole superficial faz parte de muita gente e não adianta culpar a Barbie por isso. A Barbie sempre me trouxe maturidade, sensibilidade e profundidade. Através da brincadeira, eu libertava a minha capacidade de expressão. Como uma garota tímida e com medos sociais, a brincadeira era a hora onde a minha imaginação era a rainha e eu era a princesa hehehe. 
  Além do mais, foi através da Barbie que eu descobri o meu dom para a escrita. Eu gostava de montar enredos para as Bonecas viverem hehehe. Hoje, adulta, eu troquei as Bonecas por uma tela de computador em branco. A imaginação é a mesma. Canalizo a minha imaginação para o mundo das palavras. Um papel e uma caneta substituem muito bem as bonecas. Uma tela de computador em branco é a minha nova "Barbie" hehehe. Quem nunca montou uma "novela" para as suas bonecas interpretarem não sabe o quanto é mágico o mundo da imaginação. 

                                 


  Acredito que brincar de Barbie pode ser muito saudável por uma série de fatores:

*Desenvolve a linguagem;

*A criança, ao brincar de boneca, ativa áreas do cérebro responsáveis pela linguagem e pela empatia;

*Ajuda a criança a desenvolver não somente o seu lado cognitivo, mas também o seu lado social ao interagir com outras crianças durante a brincadeira;

*Desenvolve o pensamento simbólico e metafórico quando a criança relaciona a realidade aos brinquedos;

*Prepara a criança para a vida adulta;

*Estimula a criança a pensar no que ela vai ser quando crescer;

*Propicia estímulos à criatividade;

*A criatividade bem desenvolvido auxilia a criança a encontrar soluções para os seus desafios internos e externos;

*Aumenta a autoestima quando a criança percebe que pode criar um mundo próprio, diferente e independente a partir de sua imaginação;

*Oferece a oportunidade de estimular o pensamento.

                          


   Por esses e outros motivos, acredito que brincar de Barbie pode ser muito saudável. Quem diz que a Barbie oprime as garotas por oferecer um padrão de beleza inatingível nunca estudou a história da Barbie com profundidade. O objetivo principal da Barbie nunca foi o de oprimir as garotas, mas de libertar as garotas através da imagem da mulher independente. Isso mesmo. Parece paradoxal em relação ao discurso crítico atual, não é mesmo? 

           



    Eu explico: Antes do estilo de Boneca Barbie ser lançado, um estilo de Boneca imitando o corpo de uma mulher adulta, a maioria das bonecas existentes tinha formato de bebês. Desse modo, as meninas brincavam de "mamãe" e eram preparadas para a vida de dona de casa e de maternidade desde cedo. Entretanto, o estilo de boneca Barbie foi revolucionário justamente por oferecer uma Boneca com corpo de mulher. Desse modo, a menina deixou de brincar de ser "mamãe" e passou a brincar de ser mulher. Revolucionário, não é?


                  


 Na cabeça obscura de algumas pessoas, isso foi um tabu, pois uma boneca com corpo de Mulher poderia representar uma imagem "sexualizada". Porém, uma boneca com corpo de mulher almejou ser a libertação da mulher a partir de sua representação por si mesma. Uma mulher poderosa e independente: esse sempre foi o lema da Barbie. A Barbie sempre estimulou as meninas a se questionarem: O que eu quero ser quando eu crescer? Quais são os meus sonhos? Como eu vou agir na minha vida adulta?


                



   Isso sem falar na infinidade de Barbies representativas de profissões: Há a Barbie Advogada (imagem acima), Barbie Médica, Barbie Veterinária, Barbie Treinadora Ginasta, Barbie Aeromoça (Barbie Pilot - Imagem Abaixo), Barbie Agente Secreta (imagem abaixo), Barbie Dentista, Barbie Professora (Teacher Barbie - imagem abaixo) e etc. Sendo assim, a Barbie nunca pretendeu ser um símbolo de "mulher objeto" ou "mulher sexualizada" para fomentar anseios masculinos. Mas, muito pelo contrário, a Barbie sempre foi uma Boneca feita para as mulheres e pelas mulheres, almejando propiciar o sonho da mulher independente. A mensagem da Barbie para as garotas nunca foi: Faça plástica para ficar igual a uma boneca (isto é loucura da cabeça de algumas pessoas). 

     Muitas pessoas já são naturalmente inclinadas à plástica e a seguir "padrões" imaginários. Se não fosse a Barbie, elas arranjariam qualquer outro padrão para se espelhar. Essas pessoas loucas por aí que querem ser a "Barbie humana" ou o "Ken humano" sofrem de doenças psiquiátricas sérias como a Dismorfofobia. 

    O Transtorno Dismórfico Corporal é uma doença psíquica que afeta a autoestima das pessoas, as quais nunca estão satisfeitas com sua própria aparência. A culpa dessas pessoas serem assim não é da Barbie ou de qualquer outro elemento exterior, mas da falta de uma educação qualificada voltada para o bem-estar psíquico interior, a autoestima e o equilíbrio espiritual. 

   É importante afirmar que a mensagem da Barbie desde sempre foi: Não tenha medo de ser você mesma. Corra atrás dos seus sonhos. Esta é a mensagem implícita na Boneca Barbie, bem como em todos os seus filmes (filmes da Barbie são fofos, né?). A Barbie sempre defendeu a liberdade de expressão das garotas. É um equívoco associar a sua imagem a qualquer tipo de "opressão". 


                                                       


                                                             


                 







   É interessante notar que a Barbie sempre representou etnias diferentes. Apesar da Barbie de cabelos louros e olhos azuis ser tradicionalmente lembrada, é um equívoco afirmar que a Barbie nunca representou belezas diferentes e etnias diversas. Desde muito tempo, há Barbie com cabelos escuros (chamada originalmente de Teresa -- imagem acima). Além do mais, a Barbie de beleza afrodescendente existe há tempos. 

                     



     A Mattel, empresa que deu origem à Boneca Barbie, lançou oficialmente a primeira boneca Barbie negra com o nome de Christie em 1968 (imagem acima). Além do mais, nessa mesma época, foram lançadas as Bonecas Barbies representantes da beleza latina (Teresa) e da beleza ruiva (Midge). 

                      






    Vale lembrar que, a partir de 1960, antes mesmo de Christie, havia bonecas de belezas diferentes da Barbie "tradicional", como: Tammy, Misty, Julia, Tressy e "Colored Francie". Colored é uma expressão americana para designar pessoa de pele morena. A Boneca Francie já apresentava estatura diferenciada (não era tão alta como a Barbie tradicional) e a pele mais morena. 

                         

Mattel, década de 80



Mattel, década de 90



Barbie cadeirante, 1997


Barbie Becky, 1997



Barbie Becky, 1998




  

     Além do mais, a partir de 1980, a Mattel introduziu no mercado várias bonecas negras e hispânicas por conta do aumento da população negra e hispânica nos Estados Unidos. Em 1980, por exemplo, a Mattel lançou uma boneca negra com cabelos crespos no melhor estilo afro. A década de 90 também foi campeã em representatividade, tendo em vista que, nesse período, a Mattel lançou a Barbie Deusa da África e a Barbie Becky, uma Barbie cadeirante. 

                          

Barbie Becky, 2000


Barbie Bahia, 2007



     Share a Smile Becky (traduzido como Compartilhe um Sorriso) fez tanto sucesso que a Mattel lançou uma nova versão em 1998 sob o título: Becky I'm a school Photographer ( Becky, a fotógrafa da escola) em 1998. Becky é uma das amigas mais sorridentes e divertidas da Barbie. Sabe-se que ela, apesar das limitações físicas, tem uma vida divertida e repleta de amizades verdadeiras. Em 2000, devido às Olimpíadas e às Paraolimpíadas de Sidney, a Mattel lançou a Barbie Becky Campeã Paraolímpica (Becky Paralympic Champion). Salienta-se que, em 2007, em homenagem ao Brasil, foi lançada a Barbie Bahia, a qual representa a beleza afro-brasileira.

                               

Barbie, 2016


  

     Por saber da história da Barbie, quando eu leio reportagens com o título "A Barbie mudou para atender a representatividade", eu sorrio e penso: A Barbie sempre foi um ícone de representatividade feminina... Só agora que descobriram? hehehe. 

                                                     




                                                  



     Tudo bem, admito que agora a variedade de Barbies está bastante expressiva. Confesso que me surpreendi com as mudanças das Barbies. Por ter sido criança na década de 90 e no início dos anos 2000 (nasci em 1992), brinquei muito de Barbie. Na minha época, não havia Monster High (franquia de fashion dolls desenvolvida pela Mattel em 2010) hehehe. Confesso que acho muito fofa essa linha Monster High e até tenho cadernos com a Monster High Frankie Stein na capa (cadernos para escrever poesias de Cathy Lee, minha personagem gótica, hehehe, sou mesmo uma eterna criança). Por outro lado, eu confesso que amava as Barbies do meu tempo de garota. 

                           


      
     Entretanto, compreendo que foram positivas as mudanças das bonecas. Há mais Barbies com belezas diferentes atualmente. É sempre bom ver mais diversidade! Eu sempre defendi a diversidade. Eu somente não gosto de ouvir críticas à Barbie quando dizem que essa nunca expressou representatividade. As Barbies de hoje não surgiram de uma hora para outra. Não vejo as mudanças da Barbie como repentinas e "revolucionárias". Vejo essas mudanças como um processo natural. A Barbie gradualmente foi se tornando mais representativa desde a década de 60. A criação da Barbie ocorreu em 09 de Março de 1959 e, desde os primórdios de sua história, a Barbie sempre se preocupou em inovar e lançar bonecas das mais diferentes belezas como a postagem deste blogue demonstrou. 

                        


   
      Nunca foi a verdadeira intenção da Barbie lançar o mito da "mulher perfeita". As pessoas é que sempre foram obcecadas por perfeição e acabaram usando a Barbie como referência. Mas, independentemente da existência da Barbie, as pessoas buscam modelos/referências para se espelhar. Acredito que é infantilidade culpar a Barbie por defeitos que estão intrínsecos na alma do ser humano, como: a insatisfação consigo mesmo, a busca pela perfeição, o ego mal resolvido e a autoestima desequilibrada. Todas essas questões são psíquicas e internas. Trata-se muito mais de Psicologia do que simples bonecas. 

                         

Barbie Curvy


Barbie Tall


Barbie Petite





     Bem, é claro que a diversidade agora está mais expressiva, mas isto não significa que ela não existia antes. Atualmente, a Barbie tem mais três tipos de corpo, sete tons de pele, vinte e duas cores de olhos e vinte e quatro tipos de cabelo. Nota-se que a Barbie não representa apenas a beleza caucasiana, mas também a beleza asiática e a beleza afrodescendente. 

      Além do mais a Barbie Curvy chegou para demonstrar que a Barbie não prega o mito de que é preciso ser magra para ser bela. A Barbie também não prega a "estatura perfeita", pois lançou a Barbie Tall (Barbie com altura acentuada e menos curvas, representando tipo de beleza diferenciado) e a Barbie Petite (Barbie com estatura menor, representando a beleza das baixinhas ou da mulher mignon). A Barbie não quer propagar o mito do padrão perfeito de beleza, mas justamente divulgar a mensagem de que cada garota é perfeita exatamente do jeitinho que ela é.

                            


   
      Eu gostei das mudanças e da ampliação da diversidade. Mas não me empolguei como a maioria das mulheres. Acredito que ter uma boneca com a qual você se identifique pode melhorar a sua autoestima e a sua autoconfiança, mas isto não é tudo. Ainda acredito que uma autoestima equilibrada e uma autoconfiança bem consolidada precisam passar por uma educação amorosa, profunda, paciente e qualificada. E, nesse processo todo, os pais e os professores são bem mais importantes do que as bonecas. Para mim, pouco importa a aparência da Barbie enquanto boneca, pois sei da beleza da essência de suas mensagens, as quais sempre incentivaram as garotas a realizarem os seus sonhos. 



Texto escrito por Tatyana Casarino. 


    Para quem quiser conferir, um vídeo com uma linda música que fala de autoconfiança, trecho do filme "A Princesa e a Plebeia". Anneliese (princesa) e Erika (plebeia) trocam de lugar na jornada de seus sonhos. O filme passa a mensagem sobre a importância de seguir o seu próprio coração. O gato de Erika tem um miado diferente e não se sente bem por isso, mas recupera a sua autoestima ao ser amado por Erika exatamente do jeitinho que ele é. O príncipe ao ouvir a moça cantando, sente-se acolhido e se apaixona por Erika justamente pela personalidade forte e diferente dela. 



                                       
      https://www.youtube.com/watch?v=o1fWZxhRy-g

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