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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Os Melhores Contos de Grimm – Análise


      Olá, pessoal. Aqui é a poetisa Tatyana Casarino trazendo uma postagem reflexiva, divertida, original e que combina com a atmosfera romântica e sonhadora do Blogue Recanto da Escritora. E hoje, nessa postagem, eu venho apresentar mais um texto do meu amigo escritor Mateus Ernani Heinzmann Bulow, que compartilha gentilmente suas análises com o Recanto da Escritora.


      Admiro muito o estilo de escrita do Mateus, o qual demonstra um perfil equilibrado. Ele consegue ter uma escrita sofisticada e elegante sem ser cansativa, pois sabe passar as suas ideias de forma compreensível com simplicidade, sutileza e pitadas de bom humor. Trata-se da análise de uma série produzida na Alemanha, entre os anos de 2007 até 2010, denominada "Os Melhores Contos de Grimm" no Brasil.


     Em sua análise, Mateus Ernani Heinzmann Bulow buscou elucidar alguns pontos da série de forma mais detalhada. Muito embora os pontos positivos sejam mais expressivos, o autor também demonstrou alguns pontos negativos da série. Acredito que essa análise vai surpreender você, querido leitor.


      Admito que as descrições de Mateus acerca da série causaram surpresas em mim, haja vista que me fizeram pensar em aspectos dos Contos de Fadas e de suas adaptações em desenhos animados e em live action (com utilização de atores reais) que eu nunca havia pensado antes.
   







     








 


                         

     
                                        

    
       Primeiramente, eu nunca havia observado com atenção que os personagens masculinos, especialmente os príncipes, quase sempre foram retratados de forma secundária, como interesses amorosos das princesas. A partir disso, pode-se concluir que as princesas sempre tiveram o brilhantismo e os holofotes voltados para elas. Não obstante, nessa série, o sistema do enredo demonstra ser diferente, consoante a análise do autor, visto que os personagens masculinos são mais ativos e reais, expressando defeitos e ofícios diversos. Sendo assim, os príncipes não são retratados como meros enamorados "perfeitos" das donzelas, mas como homens com virtudes e vícios, ou seja, pessoas de carne e osso. Isto torna os personagens da série bem mais interessantes e cheios de magnetismo, tendo em vista que são mais realistas. 

                          

      
     Além do mais, o autor demonstra como as personagens femininas ganham força nessa série apesar de manterem a delicadeza e a feminilidade típicas das princesas. Acredito que seja muito interessante notar que uma mulher pode ser plena, eis que a beleza não exclui a inteligência e a força não exclui a sensibilidade. Todas essas características podem estar dentro de um ser humano completo, pois a força e a delicadeza não são antagônicas, mas complementares uma da outra quase sempre. As personagens da série são mais questionadoras, ativas e autênticas, mas continuam doces e charmosas. 
    Feita esta breve introdução, sem mais delongas, eis logo abaixo o texto de Mateus Ernani Heinzmann Bulow. Boa leitura!


   Os Melhores Contos de Grimm – Análise





   A Bela Adormecida, Rapunzel, Cinderela, o Gato de Botas... Personagens do imaginário europeu que não demorariam a fazer parte da imaginação nos quatro cantos do globo, recebendo diversas interpretações ao longo da história, além de serem estudados em diversas mídias, tais como o cinema, e a televisão. Uma parte do apelo dos contos de fadas está na universalidade de seus temas (descobertas, primeiros amores, usar a inteligência contra a força bruta), e seu apelo às nossas “crianças interiores”.


             


  Sem dúvida as adaptações dos contos realizadas pela Disney contribuiriam para disseminar visões exemplares dos contos dos Grimm, assim como de outros autores, porém o foco de hoje está em outra série de adaptações dos contos. A série da qual falo foi produzida na Alemanha, entre os anos de 2007 até 2010, e possui o pitoresco nome de “Sechs auf einen Streich” (a tradução literal em português seria “Seis em uma Brincadeira”). Apesar de trazer diversos autores, a série foi traduzida como “Grimm’s finest fairy Tales” nos Estados Unidos, e “Os Melhores Contos de Grimm” no Brasil.

                  


   
     Adaptações de histórias populares em live action (utilizando atores reais) não são novidades, afinal até mesmo a Disney realizou adaptações recentes de Cinderela e a Bela Adormecida, e já está preparando a Bela e a Fera, além de Mulan. Entretanto, considero as adaptações dos Melhores contos de Grimm algumas das melhores já realizadas, com o perdão da redundância: cada filme possui cerca de cinquenta minutos até uma hora, e é tempo suficiente para tratar de todos os aspectos das historietas. No entanto, existem alguns pontos da série que merecem análise mais detalhada, e apesar de reconhecer sua qualidade, não me furtarei a tratar de certos pontos negativos. Sem mais delongas, em frente!

Pontos fortes:


1 – A ambientação é impecável.


          


                O primeiro aspecto a chamar a atenção nos episódios certamente é o capricho ao retratar a vida como ela era em tempos antigos, e por tempos antigos eu digo o fim da era medieval até meados do Século XVI. As construções, os figurinos, os uniformes e armamentos dos soldados são bem fiéis, e nem mesmo alguns detalhes foram esquecidos, como o mecanismo de disparo dos mosquetes antigos. Até mesmo os métodos de lidar com a terra em uma época onde não existiam máquinas agrícolas são devidamente representados.

                Por ser uma série produzida na Alemanha, os produtores podem se dar ao luxo de procurar castelos para filmar à distância, estejam esses em ruínas ou em bom estado, ou mesmo no interior de alguns deles. É claro que os vilarejos dos camponeses são retratados de forma bem mais “higiênica” em comparação com as reais condições da plebe nessas épocas, porém lembremos que o objetivo dessa série está nas adaptações dos contos, e não em fazer discurso político.


  2 – As princesas são personagens interessantes.

        


            Talvez eu seja reducionista nas palavras, pois esta regra vale para a maior parte das personagens femininas na série. No entanto, levando em consideração o fato de que princesas viraram “sacos de pancadas” de todos os metidos a psicólogo, as utilizemos como exemplo para ilustrar o que digo. Sejam protagonistas ou secundárias, é interessante notar como as princesas efetivamente tomam partido e se envolvem como que ocorre à sua volta, sem reagir de forma passiva.

                Um exemplo está na adaptação da Bela Adormecida. Alguém aí se lembra de que uma das principais reclamações a respeito de Aurora estava em sua falta de personalidade? Pois bem, aqui a Bela Adormecida disputa corridas de cavalos, tem espírito aventureiro e até mesmo questiona o seu pai quanto à decisão arbitrária de abolir as rocas de fiar em todo o reino, tirando o trabalho de muitas pessoas. Após ser acordada por um aprendiz de cavaleiro, a princesa busca trazer de volta a arte perdida de fiar para o reino, ao que o seu salvador se compromete em ajudá-la.
                Outro exemplo está na adaptação de “A Luz Azul”, um conto que possui algumas similaridades com a história do Aladim. O protagonista é um jovem soldado veterano de guerra, e está frustrado com a injustiça do rei, ao não pagar o soldo de seus companheiros. Ele ordena seu servente, um homem que vive dentro de uma vela de luz azul, que lhe trouxesse “o bem mais valioso do rei”. O gênio então traz a princesa até o soldado, e apesar de inicialmente chocados, ambos começam um relacionamento, e quando o desafortunado soldado acaba sendo capturado por guardas do palácio, Augustina (nome da princesa nessa adaptação) se disfarça de soldado para tentar resgatá-lo.
                Mesmo quando se limitam a seguir papéis tradicionalmente femininos, como futuras esposas e mães, as princesas ainda podem ser personagens complexas. Um exemplo está na adaptação do “Príncipe Sapo”, onde após desfazer a maldição jogando o personagem título contra uma parede, a protagonista reflete sobre seu aniversário de 21 anos, e também a respeito de seu futuro casamento com um príncipe de um país vizinho. Inicialmente feliz por finalmente entrar no cenário político, a protagonista se vê insegura diante do que virá após o noivado, bem como percebe não ter experiência para tanto. Na história da “Princesa e da Ervilha” vemos uma angústia similar, com a protagonista se escondendo no início da história, por temer se casar com alguém da qual não sabe nada a respeito.


   3 – Os interesses amorosos das personagens femininas não se limitam a este papel.

                         



                  
                    Se o esforço em transformar as personagens femininas em figuras fortes foi valorizado nessa série, o mesmo pode ser dito de seus pares, cujo papel não se limita a servir de par, mesmo quando o protagonismo das histórias não cabe a eles. Mesmo boa parte dos príncipes é retratada cuidando de diversos ofícios, tais como madeireiro, carpinteiro, caçador, pescador, astrônomo... É comum ver os casais se conhecendo longe de bailes e festas da corte, tornando suas relações bem naturais.
                Entre os príncipes que apareceram na série, três são dignos de nota: o da Branca de Neve, o de Rumpelstinskin e o da Princesa e a Ervilha. Nas três versões desses contos eles são personagens ativos e não são perfeitos, cometendo algumas atitudes intempestivas, porém sempre dispostos a proteger quem amam. O melhor exemplo talvez seja o príncipe da versão de Rumpelstinskin, cuja primeira providência ao descobrir o perigo que seu filho corria foi justamente montar vigília ao lado da cama, armado com uma espada e uma besta (Felipe, da Bela Adormecida da Disney, certamente ficaria orgulhoso...).



     4 – As adaptações dos contos são bem fiéis, e mesmo quando não seguem à risca o enredo original, eles o fazem de forma singular, com um charme único.

                      

                  Apesar de serem tabelados como contos dos Irmãos Grimm, boa parte deles foi apenas coletada da tradição oral alemã (o mesmo não vale para os de Andersen e Perrault), e naquela época as adaptações já rolavam soltas, cortando cenas muito violentas e inadequadas pra crianças. Obviamente, as adaptações atuais teriam algumas mudanças, porém elas o fariam como alguns aspectos únicos, facilitando até mesmo sua identificação em meio a tantas versões realizadas recentemente.

                Particularmente gosto de duas alterações realizadas no “Gato de Botas” e na “Branca de Neve”. No primeiro, o gato (chamado Minkus nessa versão) virava um humano ao calçar as botas, o que foi uma sacada muito boa, até para facilitar a filmagem. Na Branca de Neve, um personagem extra foi adicionado, nesse caso um simpático bobo da corte que acompanha o príncipe na jornada em busca da garota sumida, e vira seu confidente. Mesmo aparecendo em um conto que já possuía um número considerável de personagens, sua presença não ofusca os protagonistas e os anões.
                Os produtores acertaram até mesmo ao adicionar vilões em tramas simples, onde suas figuras até então se faziam desnecessárias. Na “Princesa e a Ervilha”, por exemplo, temos a ambiciosa tia do príncipe, desejosa de assumir o trono a todo custo, com ajuda de um capanga atrapalhado; a adição da subtrama política foi um adendo bem vindo, até porque ambos os vilões são malignos e engraçados na medida correta, algo como Yzma e Kronk da “Nova Onda do Imperador”. Outro exemplo está na história dos “Sapatos Furados”, onde um assessor mal intencionado do rei (onde foi que eu já vi isso?) tenta convencê-lo a todo custo a ceder o trono, caso suas doze (!) filhas não se casassem. Apesar de não ser um vilão propriamente ameaçador, servindo mais como figura cômica, sua presença não atrapalha a trama.


 Pontos fracos:


   1 – Alguns efeitos especiais são decepcionantes.

                                


          Para quem está acostumado a ver muitos filmes de fantasia, alguns aspectos técnicos certamente parecerão fracos. Talvez o mais berrante deles seja a qualidade questionável de diversas cenas envolvendo magias e criaturas feitas em computação gráfica. Diversos efeitos são toscos ao ponto de lembrar novelas da Record, e embora certos truques se salvem, tais como a filmagem em perspectiva para fazer os gigantes do “Alfaiate Valente”, alguns ficaram simplesmente horrendos. Três menções (des)honrosas cabem ao sapo digital do “Príncipe Sapo”, à árvore falante da adaptação de “Mãe Holle” e ao peixe falante do “Pescador e sua Mulher”, cujos visuais fariam jus aos jogos do primeiro Playstation.



       2 – Os horários de transmissão dos episódios são instáveis, e a série não ganhou lançamento em DVD no Brasil.

                     


             Originalmente a transmissão dessa série era feita no canal +Globosat, em seu idioma original com legendas em português. Não demorou até a série pular das nove para as onze da noite, para então sumir da grade. A única chance de acompanhar a série ficou restrita à TV Cultura, às 14h30min do sábado, e mesmo esse horário não é seguido à risca pela emissora. Alguns episódios dublados podem ser encontrados no Youtube, mas nem sempre a qualidade deles justifica sua procura. Enquanto não houver lançamento oficial em DVD no Brasil, é pouco provável que a série chegue a alcançar alguma fama por essas bandas.

Mateus Ernani Heinzmann Bulow

 Para quem quiser conferir, abaixo há o vídeo de um trecho de "Branca de Neve" da série abordada no texto de Mateus. Confira:


  

            

  https://www.youtube.com/watch?v=90PrqcVLMzk

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