O Cantinho de Tatyana Casarino. Aqui você encontrará Textos diversos e Poesias simples com a medida do coração.









Contador Grátis





segunda-feira, 13 de junho de 2016

Somente o Amor permanece





A vida, às vezes, dói.
A vida sempre sangra.
Um olhar na alma corrói,
ser alvo de pedras cansa.

Saio de casa rumo à sociedade
em busca de mais uma missão honesta.
Um olhar cheio de inveja e maldade
varre o meu corpo em vil festa.

Ironia do destino ser considerada fria e orgulhosa
devido ao meu batom, à introspecção e à postura vaidosa.
Nem sabem os convidados o quanto eu sou humilde,
o quanto eu sou sentimental, simples e melancólica.

O meu sapato de salto alto, mon ami*,
é a minha versão da sandália franciscana*.
Há uma alma muito mais intensa e profunda
atrás dessas roupas com perfume floral da Holanda.

Cumpro o meu papel diplomático ideal,
gosto de concretizar ideias e ser elegante.
Mas minh'alma humana, doce e errante,
ama tudo o que puro, simples e real.

Em verdade, abomino tudo o que é luxo,
abomino tudo o que a morte corrói.
Amo tudo o que é bom e puro,
tudo aquilo que a morte não destrói.

Minha essência já lutou em dias do passado
contra uma vontade de sair desse mundo ingrato,
voando nas asas de um pássaro etéreo,
saboreando o doce perfume do eterno.

Abomino tudo aquilo que a morte corrói ou destrói.
Amo tudo aquilo que a morte não mata:
a alma, a poesia, a simplicidade do etéreo,
o canto da cotovia*, o eco do eterno.

Definitivamente, eles não me compreendem.
Definitivamente, o mundo poderia ser melhor.
Tudo poderia ser bem mais simples e puro:
com menos ego e muito mais amor.

Pareço orgulhosa, mas sou amorosa,
eis que o amor domina a minha alma.
O amor abraça as minhas vísceras fogosas
e, violentamente, me ama e me assalta.

Alguns convidados precisam dominar o ego,
já que são tão frios, competitivos e calculistas.
Das glórias mundanas, são escravos e mendigos,
lamentáveis profanos fúteis e materialistas.

Nem sabem eles que vão morrer um dia inevitavelmente,
eis que a morte é absolutamente sensata e democrática:
mata pobres e ricos, mata todas as ilusões e as farsas.
Somente o amor permanece eternamente.

Minha essência vibra mais feliz no etéreo.
Viver é dor, mas é preciso doar amor.
Tenho fé em Deus e na minha corajosa missão
que é amar o máximo que eu puder com o coração.

A minha religião é o amor, amor absoluto.
O amor que ama até a dor e a abraça em seu reduto.
O amor que carrega a cruz em nome da luz,
o amor, o amor, o amor...

Em nome do amor, eu vivo,
em nome do amor, eu luto,
por amor, eu venço o medo do mundo
e saio do meu doce quarto escuro.

A minha força vem do amor,
o mesmo amor que me faz ser frágil e sensível
deixa minh'alma forte e invencível.
Amor: paradoxo celeste de glória e dor.

O amor me faz respirar fundo,
passar o meu batom, colocar o salto alto
e sair para enfrentar o mundo.
O amor me conduz numa nuvem de asfalto.

O amor coloca luz nas sombras,
o amor coloca um sorriso em mim
quando, na verdade, eu queria chorar.
O amor me faz ser feliz apesar de doer amar.

Poesia escrita por Taty Casarino.

*Mon ami: Meu amigo (tradução do francês para o português).



*Sandália franciscana: Uma referência ao calçado usado pelos frades e monges da ordem franciscana, uma ordem católica que cumpre os votos de humildade, abnegação, caridade, serviço, honestidade e simplicidade baseados na vida e nos ensinamentos de São Francisco de Assis.

Mesmo usando um sapato luxuoso, a pessoa pode carregar a humildade na alma por mais contraditório que isto possa parecer. Posso não renegar a vida material externamente e levar uma vida normal aparentemente, mas trabalhar, dentro de mim, os princípios franciscanos. Que tal um equilíbrio entre vida material e espiritual? Que tal comunicar à sociedade os princípios do amor através das boas ações? Afinal, a humildade, a pureza e o amor residem na alma.




*Cotovia:

A cotovia é considerada como sendo um símbolo da união entre os reinos terrestre e celestial.
É tida como "anjo da primavera que voa alto nos céus, desperta a esperança onde quer que vá com seu canto belo e inigualável.




A cotovia tem sido muito utilizada em canções e em poemas (é o nome de uma editora portuguesa especializada em poesia).



Na peça de William Shakespeare, Romeu e Julieta, os dois amantes, depois de uma noite de amor, discutem se o pássaro que ouvem lá fora é a cotovia ou o rouxinol, preferindo este último, que canta durante a noite, enquanto a cotovia anuncia o dia e, com ele, a separação dos amantes.



São Francisco de Assis tinha nas cotovias suas amigas prediletas na natureza, as chamava irmãs cotovias, a literatura franciscana é repleta de citações destes pássaros.


Curiosidade: A poetisa Taty Casarino é devota de São Francisco de Assis e ama os animais. Ela tem uma cachorrinha maltesa. Além de cachorros, ela ama pássaros. Sua escrivaninha está sempre diante de uma janela, de modo que ela possa estudar olhando para o céu e observando o voo dos pássaros. Quando algum pássaro se aproxima, ela interrompe os seus estudos para fotografar o bichinho ou para conversar com ele (esse é um lado "Branca de Neve" da poetisa hehehe). Queria voar um dia como um pássaro e experimentar a sensação de liberdade. Seu pai é piloto de caça e voa mais veloz que um pássaro. Acredita que os pássaros voam entre o mundo espiritual e material, provando a existência de Deus. Ela ainda sonha em poder voar...

Tatyana Casarino.

Confiram o canto da cotovia:


              https://www.youtube.com/watch?v=KUJxu2k1dao







*Curiosidade extra:


  *Essa poesia permite uma interpretação consoante a história de "Ana Francisca", personagem da telenovela brasileira "Chocolate com Pimenta" estrelada por Mariana Ximenes. A obra escrita por Walcyr Carrasco cujo diretor era Jorge Fernando foi transmitida no Brasil pela Rede Globo nos anos de 2003 e 2004. 

        

  
    O enredo da novela consistia em uma história que se passa na década de 20 de uma moça doce e ingênua chamada Ana Francisca de origem humilde que trabalhava como faxineira na fábrica de chocolates de Ventura. Certa vez, Aninha (como era chamada) avistou um senhor com vestes de funcionário da fábrica enquanto trabalhava. Ele caminhava tristemente pelo local e ela percebeu a melancolia nos olhos dele. Bondosa e sensível, ela gentilmente ofereceu chocolate quente ao solitário homem e ofereceu docemente a sua amizade. Todavia, ela não sabia que ele era Ludovico (Ary Fontoura), o dono da fábrica de chocolate além de ser detentor de uma fortuna e de uma bela mansão em Buenos Aires.
    Ele estava vestido daquela forma devido ao fato de sua irmã Jezebel (Elizabeth Savalla) ter derrubado chocolate quente em sua elegante roupa. Então, ele foi ao banheiro da fábrica e vestiu o primeiro uniforme de funcionário que encontrou. Saindo de lá, foi direto à cozinha da fábrica onde Aninha trabalhava. Sentia-se de fato triste e solitário e era gratificante receber uma amizade tão doce e isenta de interesses como aquela oferecida pela moça.

               

   
    Após uma humilhação pública no dia da formatura do que chamamos de "Ensino Médio" hoje, Aninha ficou desamparada e extremamente magoada. Grávida de Danilo (Murilo Benício) por quem sempre foi apaixonada (a sociedade não sabia de sua gravidez ainda), ela recebe um banho de tinta verde na hora que o seu nome foi pronunciado na formatura devido aos planos malévolos da vilã Olga (Priscila Fantin) que também era apaixonada por Danilo e que gostava de humilhar as pessoas de origens sociais e econômicas diferentes por ser sádica e preconceituosa.
    Ludovico, então, ao presenciar o sofrimento da moça resolve ajudar a sua amiga leal. Imbuído dos mais nobres sentimentos, ele se casa com a moça e a ensina a ser uma dama em Buenos Aires. Aninha passa por transformações estéticas, comportamentais, psíquicas e muda o estilo de vestimenta. O casamento era apenas formal, já que ele nem sequer tinha contatos íntimos ou românticos com a moça.
     O intuito do casamento era fazer de Ana Francisca a sua herdeira e dar um bom sobrenome ao filho dela, tendo em vista que a sua irmã Jezebel era interesseira e orgulhosa e ele não confiava em ninguém além da bondosa Ana que havia gostado dele mesmo sem saber que ele era o dono da fábrica. Tudo o que ele queria era ver Ana Francisca feliz e realizada. Quando ele falece, Ana Francisca volta à cidade de Ventura poderosa, elegante, séria e rica.

          

    

      Ela é acusada de golpista por aqueles que não conhecem a sua verdadeira história por trás do casamento e pensam que ela estava com Ludovico apenas pelo dinheiro. Em verdade, ela era muito ingênua na época em que se casou com o Ludovico, e suas atitudes tinham o intuito de fugir de Ventura e viver uma vida nova para esquecer ds humilhações do passado. Ela realmente nutria um afeto pelo seu marido (ainda que não fosse um afeto romântico ou sexual).
     Com o objetivo de se vingar dos moradores de Ventura, a nova dona da fábrica de chocolates volta à cidade onde foi humilhada. Chegando lá, ela vai ao baile da cidade coberta de joias, ostentando um colar de pérolas e um longo vestido preto. Neste baile, ela anuncia que retirará a fábrica de chocolates da cidade para desespero do prefeito, do banqueiro e demais moradores que lucravam com a presença da fábrica.
     No baile, ela é vista injustamente como orgulhosa, arrogante e fria por esta atitude do discurso e também pelo luxo que ostenta em suas vestimentas. Nisto, poderia residir a "ironia do destino" tratada na terceira estrofe do poema, já que a tão doce, ingênua, sentimental e terna Ana Francisca chegou a ser considerada fria e orgulhosa. Mas, por trás daquela atitude, havia um coração ferido. Por trás daquela dama bem vestida, havia uma simples moça que amava sítios e chocolates e que tinha um coração ferido.
     O "olhar cheio de inveja e maldade" que "varre" o seu corpo em vil festa pode ser atribuído ao olhar de Olga que, maldosamente, rompeu o colar de pérolas de Ana Francisca com o pequeno gancho de sua bolsa no baile da cidade. Ana Francisca reagiu bem diante das pessoas que não gostavam dela. Dançou tango belamente diante de todos, o que causou bastante ciúme no coração de Danilo (Murilo Benício) hehehe.
     Interessante notar que a pérola é uma joia repleta de simbolismos e significados. A pérola é produzida pela ostra que foi incomodada pelo grão de areia e, no seu canto de dor, surgiu uma joia desta tristeza e desse incômodo. Já dizia a célebre frase do escritor Rubem Alves "Ostra feliz não faz pérola". Ana Francisca tornou-se forte após as dores da vida, transmutando-se e evoluindo a sua personalidade. Ela transformou cada obstáculo em uma pérola. Além disso, as roupas pretas que ela usa constantemente na segunda fase da novela servem não somente para destacar a elegância das vestes escuras em sua pele rosada ou para anunciar o seu luto por Ludovico, mas também simbolizam o seu renascimento, eis que a ingênua Aninha do passado morreu para dar lugar à poderosa Ana Francisca. Contudo, ela descobrirá que o seu coração ainda permanece doce, repleto de esperança e amor apesar de ter ganhado um tempero mais "apimentado" com o amadurecimento e o poder. Ela corresponde ao título da novela: Chocolate com Pimenta...


  Tatyana Casarino

Obs: Saudade do tempo em que as telenovelas tinham enredos românticos e reflexivos, onde possuíamos empatia em relação ao personagem. Infelizmente, os temas predominantes das telenovelas hoje são repletos de violência, apelo sexual e enredos desconexos e desproporcionais. Hoje já não acompanho mais telenovelas por faltar tempo (estou me dedicando a projetos acadêmicos e profissionais muito especiais, segredinhos hehehe...). Mas, confesso que acompanhava telenovelas na infância e adolescência, em especial as de Walcyr Carrasco por quem nutro admiração.



 Destaque para a química astrológica entre Murílio Benício e Mariana Ximenes, uma taurina linda abençoada por vênus e um canceriano muito charmoso (amo o jeitinho canceriano do Murilo hehehe). Para quem estuda astrologia, é interessante notar em mapas de artistas como eles vivenciam os arquétipos astrológicos nas artes, em especial os atores. Às vezes, os mapas astrais deles correspondem mais à personalidade dos personagens interpretados do que ao comportamento apresentando na vida real.
 Enfim, com esta postagem eu inauguro no Blogue a TAG "Poesias com referência a telenovelas". Quem quiser me sugerir uma telenovela (de preferência as do início dos anos 2000 e com temáticas românticas ou de superação) fique à vontade e se pronuncie nos comentários.

Abraço!

Tatyana Casarino.










Nenhum comentário:

Postar um comentário