O Cantinho de Tatyana Casarino. Aqui você encontrará Textos diversos e Poesias simples com a medida do coração.









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domingo, 6 de dezembro de 2015

Natal no Subúrbio



Perdidas no subúrbio prudentino*,
tomando sorvete na sorveteria Cinderela,
comprando bubbaloo* e cantando Capital Inicial
naquelas tardes quentes, doces ruelas.

Três mosqueteiras, três donzelas,
unidas para sempre por amor.
Família reunida, oito tias avós,
todas falam ao mesmo tempo.

Tios e primos de segundo grau
jogam truco no quintal
e tomam cerveja durante o natal.

O vovô corpulento ri e faz piadas,
a vovó divertida cozinha leitão.
Os tios brigam e depois se abraçam,
as primas brincam cheias de graça.

As crianças furtam o baralho dos adultos
e jogam para o alto todas as cartas.
Os tios não podem mais jogar truco,
as meninas são três doces fadas.

Chuva de cartas, doce magia.
Celebração da luz e do amor.
Todos são calorosos no subúrbio,
todos são ricos de afeto e calor.

Eu tenho orgulho do subúrbio,
orgulho das minhas raízes
repletas de generosidade e harmonia,
seiva de tudo o que sou na vida.

Os cachorros latem, as galinhas ciscam,
os vizinhos ainda conversam,
os parentes ainda se animam.
As festas são sempre mais afetuosas.

Os quitutes do subúrbio são mais saborosos:
pastéis, brigadeiros, coxinhas de frango,
beijinhos, bolo prestígio, doce de morango.

Nas festas dos ricos, tudo é tão frio.
Os sorrisos são falsos, os ternos são alinhados,
as almas são apáticas, os corações são pálidos.

Seve-se camarão escondido no abacaxi,
frango espetado com azeitonas,
caviar ao lado de pimenta,
misturas esdrúxulas, obsoletas.

Em festa de rico, há músicas estrangeiras,
Beatles, Adele, Madonna, Rolling Stones.
No subúrbio, lindas músicas brasileiras,
Capital Inicial, Zeca Pagodinho e Alcione.

Ah! Subúrbio! Como é bom poder ser você mesma,
não é preciso estar alinhada nem provar inteligência.
As pessoas olham no brilho dos seus olhos
e não no brilho colorido do seu vestido.

Poder sambar, sambar e sambar até o dia raiar,
ver a alegria dos rapazes com chapéu panamá.
Poder abraçar as pessoas sem pudor,
rir, gargalhar, gritar, expressar amor.

Passear dentro do fusca branco do tio
junto com as primas aventureiras.
Madrugada de verão, calor no coração,
três donzelas arteiras de pantufa e pijama.

O tio mais novo conta histórias de terror,
as crianças se assustam e gritam,
os balões coloridos voam pelas ruas,
as tias avós fofocam e se agitam.

Por trás da moça alinhada da cidade,
há uma menina alegre e suburbana.
Orgulho de ser brasileira e prudentina,
orgulho e genuína afeição pela família.

Festas inesquecíveis na casa da Rua Bahia,
não há família mais alegra do que a da Vila Marcondes.
Calor, suor, samba no pé, muita alegria,
amor, ardor, muita fé e harmonia.

Poesia escrita por Taty Casarino

 
Imagem da minha cidade natal, Presidente Prudente/SP


*Subúrbio Prudentino = Referência ao subúrbio de Presidente Prudente, cidade do interior de São Paulo onde eu nasci. Os locais citados na poesia são verídicos (sorveteria Cinderela, Rua Bahia e Vila Marcondes) assim como os fatos descritos (passear de madrugada dentro de um fusca vestindo pijama ao lado das primas, jogar as cartas de baralho para cima, assustar-se com os contos de terror do tio e etc) hehehe :). Doces lembranças da minha infância quando eu passava as férias na minha cidade natal ao lado de minhas primas.

*Bubbaloo = Referência ao chiclete que é chamado de "babalu". O favorito da minha prima mais nova :).

Que vocês nunca se esqueçam das suas raízes e, por mais alto que vocês possam voar, tenham sempre os pés no chão perto delas. A altura do voo determina a expansão dos êxitos que você conquistou, mas é a profundidade de suas raízes que determina a direção do voo e a consolidação de seu caráter ;).

  Como típica mulher do signo de câncer, Taty Casarino é apegada às lembranças do seu passado, família, reuniões com parentes, sorrisos e fotografias.

   E, por falar em sentimento de saudade, lembranças doces da infância e nostalgia, confiram a música Photograph da banda de rock Nickelback:

Fotografia

Olhe para esta foto
Toda vez que eu olho, ela me faz rir
Como nossos olhos ficaram tão vermelhos?
E que diabos é aquilo na cabeça do Joey?

Este é o lugar onde eu cresci
Eu acho que o atual proprietário já consertou
Eu nunca soube que não tínhamos
É difícil fugir do segundo andar



                          https://www.youtube.com/watch?v=T3rXdeOvhNE



2 comentários:

  1. Ah, histórias de horror contadas por nossos tios... Hoje sou eu que mantenho essa "tradição" no fim de ano, contando lendas urbanas e minhas próprias histórias de fantasmas aos meus primos...

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  2. Olá, Mateus. Então agora você é o responsável por esta "tradição"? Adorei saber hehehe. Obrigada por compartilhar, fico feliz com este feedback dos leitores. Quem contava histórias de terror para mim e para as minhas primas era o tio Ivo. Grande abraço! :)

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