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domingo, 25 de outubro de 2015

Os maiores aventureiros da literatura.


  Olá, pessoal. Hoje a postagem é referente a um texto concedido pelo meu amigo escritor Mateus Ernani Heinzmann Bulow sobre os maiores aventureiros da literatura. Está imperdível! Confiram :)


 

Os maiores aventureiros da literatura.

 
 
Sobre esta lista:

                Eu sou um leitor antes mesmo de ser um escritor, e com isso escolho meus “mestres” na arte, e busco aprender com eles, para mais tarde seguir meu próprio caminho. Sempre tive maior apreço por histórias de ação e aventura, talvez porque elas me levassem a conhecer terras e pessoas interessantes, talvez porque suas descrições vívidas e detalhadas muitas vezes ultrapassassem a simples forma das letras, e eu pudesse “ver” tudo à minha frente.

                Mas terras fantásticas e distantes precisam de observadores astutos, além de capazes de sobreviver aos seus perigos e surpresas. Esta lista é pessoal, admito, pois vários outros heróis e exploradores poderiam estar aqui, entretanto, decidi apenas falar dos protagonistas de livros que li, portanto, posso falar deles com propriedade.

                Não decidi seguir uma ordem cronológica das obras, pois assim posso surpreender com personagens completamente opostos ao anterior, além de manter uma expectativa, algo que as próprias aventuras desses heróis traziam em seu bojo. Sem dúvida, vários personagens poderiam estar aqui, mas por falta de espaço, decidi pôr apenas os que considero mais influentes na minha própria escrita.

                Conceber essa lista e esperar que algum dia ela seja lida já foi uma aventura.


-Barão de Munchausen:
 
 
 
                O primeiro integrante da lista realmente existiu, e o seu nome completo era Karl Friedrich Hieronymus Munchausen, um rico proprietário de terras nascido em Bodenwerder, na atual Alemanha. Mais tarde Munchausen sairia da sua cidade, em busca de aventuras, alistando-se por fim no exército imperial russo.
                Ele ficou famoso após lutar ao lado dos russos contra os turcos, em 1750, e contar aos seus conterrâneos um monte de histórias exageradas sobre feitos próprios, como ter escapado do afogamento se puxando pelos cabelos, pegar carona em balas disparadas por canhões, caçar um veado em cujas galhadas cresciam amoras, ou ainda visitar a lua duas vezes. Já nessa época, Munchausen tinha a fama de ser o maior mentiroso do mundo.
                Seus relatos exagerados foram reunidos por Rudolph Erich Raspe, um bibliotecário conterrâneo de Munchausen, e publicados em Londres com o nome de “As Loucas Aventuras do Barão de Munchausen”, em 1785. Conta-se ainda que Rudolf teria acrescentado ou inventado outros contos aos relatos originais, para tornar seu livro mais interessante.
                Em 1991, o diretor e ex-membro do grupo humorístico “Monty Phyton”, Terry Gillian, fez uma versão cinematográfica das aventuras do Barão.

-Don Quixote:
                       

                Um nobre decadente e já próximo da velhice decide se transformar em um cavaleiro, e enfrentar bandidos e monstros, enquanto busca por sua “donzela” Dulcinéia de Toboso, que na verdade era uma robusta camponesa que trabalhou em suas terras anos atrás. No caminho, ele encontra Sancho Panza, um rotundo agricultor que se une à sua louca aventura.
                Obviamente, a mesquinhez e a falta de honestidade do mundo que o rodeia acabam se tornando o maior desafio a este cruzado fora de sua época, mas e quem entre nós não passou por situações similares? De enfrentar moinhos de vento crendo estes serem monstros, e prestar reverências a pessoas que não a mereciam? Dom Quixote nos mostra que a maior aventura a ser superada é a rotina, responsável por tornar o ser humano uma criatura fria e automática, e nesta luta a imaginação vívida é a nossa melhor arma.
                Ironicamente, seu próprio criador, o espanhol Miguel de Cervantes, teve uma vida ainda mais movimentada que o protagonista de sua única obra. Marinheiro e voluntário das guerras no Mediterrâneo, Cervantes foi aprisionado por piratas argelinos, mas conseguiu fugir, para mais tarde participar da decisiva batalha de Lepanto, onde diversos países europeus uniriam suas forças contra a expansão do Império Otomano no Mediterrâneo. Apesar de perder os movimentos de sua mão direita devido a um tiro de arcabuz, Cervantes se orgulhava de sua participação naquela batalha.

-Odisseu:
 
                O rei da pequena ilha de Ítaca começou sua jornada já na Ilíada de Homero, e também demonstrou sua engenhosidade ao sugerir a construção do Cavalo de Tróia, permitindo a derrota dos adversários de Micenas. Entretanto, aquele havia sido apenas o começo de suas aventuras e desventuras no Mar Mediterrâneo.
                O trajeto de Odisseu, também chamado de Ulisses, seria mais uma vez narrado por Homero, em outro poema épico denominado Odisséia, uma palavra até hoje associada a longos caminhos e jornadas. Entretanto, nem mesmo o ódio de Poseidon, as magias de Circe e o canto das sereias foram capazes de impedir Odisseu de retornar à sua mulher, Penélope, para logo em seguida debelar uma tentativa de golpe em seu próprio palácio.
                Apesar de alguns trechos serem mais conhecidos, como é o caso dos episódios acima citados, Odisseu seria capaz de sobreviver a muitos outros perigos, alguns deles envolvendo a fúria de outros deuses, como quando seus homens inadvertidamente mataram alguns bois do rebanho de Hélio, o deus do Sol. Até mesmo o rio infernal do Éstige seria atravessado pelo monarca e seus homens, após Perséfone convencer Hades a dar-lhe “passe livre”, um feito jamais igualado por outros heróis gregos.
 
 

-Allan Quatermain:
 
 
 
                O líder da expedição em busca das míticas Minas do Rei Salomão também é o narrador da história. Juntamente com o Capitão John e Sir Henry (de longe o personagem mais engraçado do livro), Quatermain vai ao continente africano. Na África, eles enfrentam feiticeiras, tiranos tribais e feras selvagens até encontrar o mítico tesouro, uma mina de diamantes que, segundo as lendas, teria pertencido ao Rei Salomão de Israel.
                Apesar de viver em uma época onde o racismo era considerado normal, Quatermain fazia comentários ácidos a respeito do posicionamento europeu na África, em especial a respeito do tratamento brutal dispendido aos nativos, embora também acreditasse que a cultura britânica também pudesse ajudar aqueles mesmos nativos a prosperarem no futuro. Os próprios africanos o respeitavam pela coragem, e o denominavam Macumazana, “Aquele que se mantém em pé”.
                O sucesso das Minas do Rei Salomão motivaria Henri Rider Haggard a escrever uma série de histórias envolvendo Quatermain, além de iniciar o pontapé para outras aventuras nas fronteiras selvagens do globo, escritas por outros autores. A imagem desse típico herói britânico da segunda metade do século XIX, praticamente o auge das grandes expedições européias na África, também seria aproveitada na série de quadrinhos “A Liga Extraordinária”, criada por Allan Moore.

-Wilfred de Ivanhoé:
 

                


 
                           Por tomar o partido do rei normando Richard durante as batalhas pelo controle da Inglaterra, e também por se envolver com uma dama de extrato social mais elevado, um cavaleiro saxão é desterrado por seu próprio pai, e a partir daí, suas aventuras começam. São três os seus maiores objetivos: Recuperar o trono de Richard, o amor de Lady Rowena, e também a sua própria reputação.
                Considerado por muitos o primeiro romance histórico do Romantismo, o cavaleiro saxão Ivanhoé também exalta o nacionalismo inglês e ainda faz uma crítica sutil ao preconceito anti-semita, ainda forte na Europa, na cena em que o protagonista entra em um duelo para impedir que uma judia chamada Rebbeca fosse queimada na fogueira.
                O estilo medieval da história escrita por Sir Walter Scott, que é preciso e fantasioso na medida certa (em alguns trechos, Robin Hood aparece e ajuda o herói), inspiraria outras obras do século XIX, como Eurico, o Presbítero, escrito pelo português Alexandre Herculano. Vale lembrar que Scott foi promovido a Sir devido justamente ao sucesso de sua obra.

-Os Lusíadas:
 

                    

                           
                Aqui, o herói de Camões é o Povo Português, também chamado Povo Luso, com sua sede de aventura e descoberta. O maior inimigo dos lusos é o deus romano Baco, símbolo da depravação e da indolência, e responsável pela decadência dos homens, bem como pela decadência dos grandes impérios do passado.
                Mesmo sendo uma nação pequena e de poucos habitantes, o Portugal retratado no poema é forte o suficiente para manter Castela afastada das suas fronteiras, superar os desafios do monstruoso gigante marinho Adamastor e gerir conquistas tão ou mais gloriosas quanto às dos impérios passados.
                O próprio marujo-poeta Camões foi testemunha e agente da expansão portuguesa ao redor do mundo, chegando a lutar no Extremo Oriente, onde perdeu um dos olhos. Embora concluída em 1566, Camões apenas publicaria Os Lusíadas em 1572, após seu retorno das longínquas terras do Oriente. A popularidade de sua obra já seria atestada ainda em sua época, ao ponto de quatro estudantes da Universidade de Évora criarem uma paródia aos dez primeiros cantos, em 1589.
 

-Peri:
 
 
 
              O guerreiro goitacá desgarrado de sua tribo e fiel ao fidalgo português Antônio de Mariz é um personagem quase esquecido na historiografia nacional: O índio que resolveu deixar suas terras, se aliar aos portugueses, adotar diversos de seus costumes, e indiretamente auxiliar na criação do Brasil como nós conhecemos hoje.
                Peri sem sombra de dúvidas está à altura de sua missão: O personagem captura uma onça viva, desce em um abismo cheio de serpentes e aranhas, enfrenta uma tribo inteira em uma luta e ainda sobrevive ao envenenamento auto infligido, graças à sua própria força de vontade para proteger sua amada senhora Cecília.
                Mais tarde, o “guerreiro das selvas” ressurgiria na figura de Tarzan e nos filmes do Rambo. Até mesmo os pelotões de Infantaria de Selva brasileiros, considerados os melhores e mais bem treinados do mundo, tiveram influência dos indígenas aliados aos portugueses, e são compostos em boa parte por índios ou seus descendentes. Em cada um desses soldados, pode se afirmar que existe um Peri pronto para lutar.
 

-Bilbo Bolseiro:
 
                   
 
 
                Não é fácil para um indivíduo pacato deixar um ambiente de conforto e entregar-se de corpo e alma em uma busca interessante, mas que à primeira vista parece impossível de ser realizada. O hobbit Bilbo Bolseiro foi temporariamente removido de sua confortável toca devido ao recrutamento indireto do mago Gandalf e seus amigos anões, liderados por Thorin Escudo de Carvalho.
                A “empreitada” trata-se de recuperar um tesouro fabuloso roubado pelo terrível dragão Smaug, e Bilbo é a arma secreta, afinal Smaug nunca sentiu cheiro de hobbit antes. No caminho estão os terríveis orcs e seus lobos de guerra, aranhas gigantes, elfos e Beorn, o homem urso. O sangue aventureiro da mãe de Bilbo, Beladona Tukk, é o combustível que move o hobbit a acompanhar a comitiva, e também seria visível em seu sobrinho, Frodo, responsável pela destruição do anel de Sauron.
 

-Phileas Fogg:
 
 
                  O personagem principal de A Volta ao Mundo em Oitenta Dias é um típico londrino metódico até demais, que sempre acordava às 8 horas da manhã, e fazia a barba às 09h37min. Que sujeito seria melhor para cumprir uma promessa de atravessar o mundo em menos de oitenta dias? Acompanhado apenas de seu fiel criado francês, Jean “Fura-Vidas” Passepartout, e viajando em um balão, os dois amigos necessitam ainda escapar do obsessivo e incansável detetive Fix, que confundiu Phileas Fogg com um perigoso assaltante de bancos.
                No meio da viagem, o Senhor Fogg salva uma indiana de ser queimada viva seguindo os costumes locais, e esta aceita se casar com ele, mesmo sabendo que ao fim da longa viagem ele corria o risco de perder todas as suas economias na aventura. No seu Volta ao Mundo em Oitenta Dias, Júlio Verne, nos mostra que durante o trajeto de uma jornada, o próprio itinerário a ser tomado muitas vezes é mais interessante que o seu final.


-Simbad, o marujo:
 
 
 
                   Filho de um homem rico de Bagdá, Simbad perdeu tudo no jogo e na bebida, e agora cruza os oceanos em busca de uma nova fonte de renda, compatível com a sua inesgotável sede de aventuras. Foram ao todo sete viagens pelos mares, onde não faltaram criaturas fantásticas, tais como o gigantesco pássaro Roca, homens peludos similares a macacos, serpentes enormes e povos de costumes peculiares. Simbad é, ainda hoje, o protótipo do aventureiro marítimo, hábil tanto no uso da força como na lábia.
                Existe uma filmografia extensa a respeito de Simbad, o marujo, mas os três filmes mais conhecidos do herói tiveram a mão do já falecido Ray Harryhausen, o mago das criaturas em stop-motion (efeitos especiais com bonecos). Esses filmes são: A 7ª Viagem de Simbad, A Viagem Dourada de Simbad, e Simbad e o Olho do Tigre.


-Lemuel Gulliver:
 
 
                 O personagem principal é um cirurgião renomado em sua cidade na Inglaterra, mas não se contenta em seguir sua vida monótona, e decide viajar pelo mundo, em busca de lugares interessantes. O próprio protagonista gosta de descrever a si mesmo como “primeiro um cirurgião, depois um capitão de vários navios”.
                Em seu caminho estão as estranhas ilhas de Lilliput (também chamada Laputa em algumas traduções), Blefuscu, Brobdingnag, entre outros locais bizarros e de nomes curiosos, sátiras da política internacional do Século XVIII, em especial a rivalidade política e militar entre o Reino Unido e a França. Duas das ilhas, por exemplo, estão em guerra há anos, devido à discordância sobre qual o melhor lado para se quebrar um ovo!
                Em um trecho das viagens, Gulliver é apresentado a uma máquina chamada apenas de “O Engenho”, responsável por gravar pensamentos ditados pelo seu criador. Essa máquina curiosa pode ser considerada premonitória, quase como um antecessor lendário dos nossos computadores, cada vez mais modernos.
                Quando ao final de sua jornada, passa por uma ilha habitada por cavalos mais inteligentes que os homens, Gulliver se dá conta que o animal mais incompreensível que existe é o ser humano, e volta para a sua cidade, a fim de relatar tudo o que viu. A ousadia do autor, o escocês Jonathan Swift, acabaria por criar um novo gênero de fantasia: A satírica.
 

-Pimpinela Escarlate:
 
 
 
              
               

                O protagonista é um nobre inglês, chamado Sir Percy Blakeney, que luta para defender os cidadãos franceses durante o Período do Terror da Revolução Francesa. Suas marcas registradas: A flor vermelha deixada nos locais por onde passava, a máscara que esconde seu rosto, e a incrível capacidade de fugir da polícia política do regime brutal de Robespierre.
                A autora do romance foi uma baronesa chamada Emma Orczy. A fama do livro foi tamanha, que estimulou a autora a escrever uma série de sequências sobre o personagem, algo até então inédito na literatura, a despeito de alguns autores terem realizado continuações de seus livros no passado. Emma Orczy arrecadou uma fortuna tão grande que permitiu a ela e seu marido viverem em um condado chique do interior da Inglaterra.
                De certa forma, a figura esquiva do Pimpinela Escarlate deu origem a um dos gêneros mais populares dos quadrinhos: O gênero do herói mascarado de origem nobre, playboys indolentes e desinteressantes durante o dia e grandes lutadores da justiça durante a noite. Exemplos modernos de tais heróis não faltam: Zorro, Sombra, Batman, Homem de Ferro e o Arqueiro Verde.


-Cyrano de Bergerac:
 
 
 
                 
                  Da mesma forma que o Barão de Munchausen do início da lista, Cyrano de Bergerac também é um personagem real, e viveu no século XVIII. Ele era conhecido pela habilidade com a pena e a espada, e também pelo enorme nariz, que o transformou em motivo de chacota entre os círculos aristocráticos da França de Luís XIV, e também o motivou a entrar em vários duelos, nem sempre saindo como o vencedor.
                Sua história mais conhecida foi quando auxiliou um rapaz muito atraente, porém desprovido de dotes intelectuais, a conquistar uma moça chamada Roxanne. Cyrano sabia que não tinha chances, devido à sua aparência desagradável, e concordou em escrever poemas como se estes fossem da autoria deste rapaz, pois seria o mesmo que escrever para Roxanne, sob outro nome.
                Cyrano de Bergerac, sem dúvida, faz parte de uma “tradição” na literatura francesa, conhecida como o “Belo-Horrível”. Tal personagem seria identificado pela aparência horrível ou asquerosa, porém também seria marcado pelas boas intenções e por sua capacidade de criar coisas belas. Outros exemplos marcantes no folclore e na literatura da França seriam a Fera, de A Bela e a Fera, e o Quasimodo de Notre Dame de Paris.
 

-Marco Polo:
 
 
                    Durante a supremacia mongol na Ásia, a Rota da Seda seria reativada, e com isso, diversos exploradores e comerciantes corajosos vindos da Europa aproveitariam o momento propício em busca de produtos raríssimos e valorizados nos mercados do continente. Durante essa era de bonança, o comerciante veneziano Marco Polo ficou famoso na Europa pelo seu “Livro das Maravilhas”, sobre os costumes e povos do Oriente, bem como de suas invenções curiosas e desconhecidas dos europeus, tais como o papel-moeda, a pólvora e o carvão. Ao retornar à sua terra natal, Marco Polo ganhou o apelido de “Il Millione”, aquele que conta mil histórias fantásticas.
                Não se sabe ao certo se Marco e seu irmão, Niccolo Polo, realmente foram à China e conheceram a corte imperial de Kublai Khan, neto e sucessor de Gengis Khan, mas as suas histórias, verdadeiras ou não, merecem lugar de destaque nessa lista, devido ao fato de que elas foram o maior sucesso de vendas literárias da Europa até então. O mais impressionante foi que seu “Livro das Maravilhas” foi sucesso de tradução em vários países em uma época onde sequer havia impressão de livros.
                Existe inclusive uma teoria de que Marco nunca existiu, mas trata-se de uma invenção de outro autor, anônimo, que “apropriou-se” dos relatos de viajantes persas e árabes para compor seus relatos. Seja verdade ou fantasia, não podemos negar que Marco Polo atravessou as fronteiras do real e do literário, com sua combinação irresistível de elementos históricos e imaginativos, tornando-se ao mesmo tempo um personagem da História, com “H” maiúsculo, e também de várias “estórias”.
 

-Abraham Van Helsing:
 
 
               Cientista, místico e caçador. Assim o antropólogo foi apresentado aos leitores de Drácula, em 1897, obra do irlandês Abraham Stoker. Nativo de Amsterdã, o professor Van Helsing também era um especialista em ciências ocultas, além de ter trabalhado como médico e advogado antes de se dedicar a essa tarefa sinistra, porém necessária de livrar o mundo das criaturas das trevas.
                Apesar de já estar em idade avançada durante o espaço temporal de Drácula, Van Helsing é descrito como extremamente forte, talhado para o combate, e também como um católico fervoroso, ao ponto de recusar o divórcio com sua mulher, mergulhada em loucura profunda após a morte do único filho do casal. O romance, entretanto, não especifica se a morte do primogênito se devia a um vampiro, ou outras criaturas malignas da noite.
                Sem dúvida, as mais conhecidas adaptações do corajoso cientista se devem a Peter Cushing, nos filmes de Drácula da produtora inglesa Hammer, e também a Anthony Hopkins no Drácula de Francis Copolla. Entretanto, diversas histórias apresentando o seu sobrenome (atualmente, Drácula se encontra em domínio público) tratam de seus descendentes e sucessores, como é o caso do filme homônimo de 2007, onde o protagonista se chama Gabriel Van Helsing, e um jogo eletrônico de 2013, chamado Incredibles Adventures of Van Helsing, onde o protagonista é filho do personagem original.

-Conan, o Cimério:
 
 
               “Saiba, ó príncipe, que durante a tragédia de Atlântida e a ascensão de Árias, houve uma era inimaginável...” Assim, Robert Erwing Howard apresentou a Era Hiboriana, palco de seu personagem mais popular até hoje. Apesar de o nome de Conan geralmente estar acompanhado do apelido “O Bárbaro”, ele nunca foi chamado assim por seu criador, e apenas outros personagens denominavam o Cimério dessa forma (geralmente os seus inimigos...).
                Ávido por aventuras e tesouros, Conan deixa sua sombria terra natal durante a tenra adolescência, quando seu nome já era conhecido entre seus companheiros como sinônimo de coragem. Durante o longo caminho de vinte anos, o Cimério foi de tudo um pouco: Ladrão, pirata, mercenário, explorador... Até a sua chegada ao majestoso reino da Aquilônia, onde ele assumiria o poder após uma cruenta guerra civil.
                Apesar de brutal e essencialmente voltado à própria sobrevivência em um mundo violento, onde a intriga e a magia espreitam a cada esquina, Conan é honrado, cumpridor de suas palavras, e geralmente respeitoso com quem é mais fraco, em especial com as mulheres. Mesmo sendo um escritor de revistas Pulp, vistas apenas como um mero entretenimento passageiro para crianças e adolescentes, Howard criou um personagem cuja influência pode ser vista em aproximadamente nove em cada dez histórias de aventura e fantasia, ao ponto de estabelecer um novo gênero: Espada e Magia.

-Tibicuera:
                      

                O personagem criado por Érico Veríssimo é praticamente uma síntese da história do Brasil, começando com as tribos indígenas do período anterior à chegada dos portugueses, até os anos 60 do Século XX. Um guerreiro indígena chamado Tibicuera sente-se desesperado ao ver o tempo passando e constatar a finitude da existência, mas um sábio pajé o lembra de que seus descendentes continuariam seu legado na terra.
                E então somos levados ao futuro do Brasil, ou melhor, aos futuros, onde os muitos descendentes de Tibicuera passam por várias etapas de nossa história, com ênfase nas lutas e batalhas pelo estabelecimento do Brasil como nação. Um recurso narrativo utilizado com maestria por Veríssimo é colocar uma narração única nos descendentes do guerreiro tupi, como se todos eles fossem um único personagem.
                E assim, as muitas estórias dos descendentes de Tibicuera seguem até os anos 60, o presente na época em que Veríssimo terminou o seu livro, onde o último descendente dessa epopéia vive no Rio de Janeiro, como um doutor respeitado. Curiosamente, o autor colocou na introdução que, por se tratar de um relato dito a ele pelo próprio Tibicuera, os leitores deveriam reclamar com o próprio personagem caso não gostassem do livro.
 


-Rodrigo Cambará:

                  


 
                 E aqui terminamos a lista com outra criação singular de Érico Veríssimo. De início, ele era um simples forasteiro fanfarrão e namorador, mas apesar de todos os seus defeitos, o Capitão Rodrigo seria alçado ao símbolo máximo do estereótipo comum ao gaúcho, seus trejeitos e sua coragem absoluta, chegando às raias do suicídio.
                Talvez mais corajosa que esse Gaúcho com “G” maiúsculo, só mesmo a sua mulher, Bibiana Terra. Apesar de sua natural desconfiança quanto às razões dos homens, ela aceita se casar com ele, ao ver o quão honrado e bravo ele era, apesar de seus inúmeros defeitos. Os anos seguem tranqüilos, com certos atritos entre o casal, mas apenas a Revolução Farroupilha seria capaz de separar a ambos.
                Assim como ocorre com os Lusíadas, o principal personagem do “Tempo e o Vento” de Érico se trata do povo do Rio Grande do Sul. Mesmo assim, o trecho a respeito de “um certo Capitão Rodrigo” teria destaque, talvez por obra do destino, talvez pelo charme dos defeitos incorrigíveis de seu protagonista, ao ponto de diversas edições de O Tempo e Vento contarem com esse trecho da obra como um livro separado.
 
Texto escrito por Mateus Ernani Heinzmann Bulow
 
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*A Tragédia do Rei Gelado
 
 
* O Trovadorismo
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 


 
 

 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 




2 comentários:

  1. Parabéns ao Mateus, maravilhoso texto!! Para mim tudo é novidade, claro que já tinha ouvido falar no colégio em Os Lusíadas mas não lembrava de nadinha, a exceção do meu desconhecimento é Bilbo Bolseiro , esse conheço bem, Tolkien!! Para mim o melhor autor de todos os tempos.

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  2. Fico feliz que tenha gostado do texto do Mateus :). Aprendi muito neste texto também. Peri, Gulliver e Rodrigo Cambará são os meus favoritos. Grande beijo!

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