O Cantinho de Tatyana Casarino. Aqui você encontrará Textos diversos e Poesias simples com a medida do coração.









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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Mon amie ballerine



*Mon amie ballerine (minha amiga bailarina em francês)
 

Em meados do século de ouro,
brilham duas estrelas,
uma prateada e outra dourada,
no meio das ruas de Paris.

Abraçadas sob o guarda-chuva,
rindo da vida e do seu esplendor,
passeiam pelas praças de mãos dadas.

A estrela prateada é vivaz,
dançarina excelente e capaz
dos saltos mais belos do ballet.

Madeixas louras e sorriso doce,
corpo leve que flutua como anjo.
Ela é feliz em sua dança
e sabe o que fazer para encantar.

A estrela dourada é gentil,
conserta brinquedos em seu armazém
e conta histórias de fadas para as crianças
quando não está em sua loja de joias.

Madeixas escuras e sorriso cativante,
gestos delicados que flutuam com doçura,
ela é feliz em sua vida, pois sabe o que fazer
para suavizar a dor do intrépido perder.

Certo dia enquanto passeava,
a bailarina adentrou o armazém
e sorrindo gentilmente sibilou: "bonjour".

A partir daquele dia duas estrelas unidas,
duas amigas que se reencontraram
em um lapso de tempo, cabe toda a eternidade.

Com os cabelos louros enfeitados por um laço,
e um charmoso vestido cor-de-rosa,
a estrela prateada saiu com a sua amiga
em busca de um chapéu refinado.

Caminhando com os braços cruzados,
as duas atravessaram a rua
e entraram em uma loja de sapatos.

A bailarina estava com lindas luvas brancas,
e a sua amiga vestia um belo vestido azul.
Juntas, as amigas compraram dois sapatos
para o incrível jantar de noivado.

A bailarina estava noiva de um fidalgo,
um elegante rapaz da alta sociedade.
As amigas entraram rindo na loja de chapéus,
a bailarina sentou-se em uma bela cadeira.

Sua amiga ensinou-lhe a fazer coque no cabelo,
a sentar-se como uma dama, a portar-se com elegância
e a usar charmosamente a chique piteira.

A bailarina já naturalmente delicada
pela graça e beleza que o ballet lhe dava,
aprendeu rapidamente as boas maneiras.
Além disso, a nobreza corria em suas veias.

Sorridente, a bailarina mostrou o seu anel de noivado
e a ourives logo reconheceu que o material era falsificado.
Como contar a sua amiga que o seu anel não era legítimo?

Então, a ourives foi ver um chapéu azul
enquanto a bailarina conversava com a atendente.
Um homem alto e moreno surgiu repentinamente
agarrando um dos braços da ourives hostilmente.

Uma angústia súbita percorreu o seu corpo
ao olhar o rosto daquele homem perverso
cuja alma vibrava como a de um mago negro.

De forma ameaçadora, o mago sussurrou:
"Para todos os efeitos, o anel é verdadeiro,
e, se revelar a ela qualquer conhecimento de ourives,
seu irmão sofrerá todas as consequências."

Diante de tal ameaça, lágrimas embaçaram os olhos dela
que saiu a correr pela calçada em desespero
enquanto balbuciava o nome do amado irmão
em forma de reza, em nome de Deus, em apelo.

O homem sorriu elegantemente
como se nada tivesse ocorrido,
beijou a mão da bailarina
que procurava por sua amiga.

"Cadê ela?" A bailarina interrogou.
"Ela disse a mim que foi buscar o irmão
que se encontra na escola dos meninos."
A bailarina, então, sorriu para o noivo docemente,
encostando a cabeça no ombro dele.

No jantar de noivado, a ourives foi valente.
Certa de que o irmão estava protegido,
ela ultrapassou as ameaças para salvar a sua amiga.

Na sala de estar, fez ao fidalgo perguntas
que só os nobres com cultura saberiam.
Irritado por não saber as respostas,
ele arremessou um copo de licor contra a parede
e saiu colérico pelas ruas de Paris.

A bailarina chorou ao ver o rompante agressivo
do noivo que a abandonou de modo traiçoeiro.
Então, a ourives disse a ela com todo o respeito:
"Não vês que tu és nobre legítima e ele um trapaceiro?"

De alguma forma, o falso fidalgo
sabia da origem nobre da bailarina.
As duas amigas, então, uniram forças
para resgatar o passado e a construir o futuro.



Poesia escrita por Taty Casarino em homenagem a sua amiga da eternidade.


2 comentários:

  1. Me arrepiei... e sinto: isso aconteceu sim. Amiga: nós somos seres de luz que nunca vamos nos separar... nunca. Se o destino nos uniu novamente, é porque somos unidas pela eternidade. Sem palavras para dizer o quanto fiquei emocionada...

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  2. Eu tbm me emocionei ao escrever, foi uma inspiração muito forte. Com certeza, se estamos unidas novamente, é por alguma missão muito especial. Fico feliz que vc tenha gostado e sentido isso :) Bjos

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