O Cantinho de Tatyana Casarino. Aqui você encontrará Textos diversos e Poesias simples com a medida do coração.









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terça-feira, 21 de abril de 2015

Empatia


Se é verdade que as poesias
quanto mais belas mais sofridas,
canto estes versos de amor e dor
para provocar-lhe os ossos.

Quando a mente está confusa,
presa na gaiola da loucura,
os ouvidos perdem o sentido,
ouvem vozes que nem sequer soaram.

Vozes são como as badaladas
dos sinos de Notre Dame.
Tocam, tocam, tocam e ensurdecem
a lucidez e a paz de espírito.

Eis que tenho a graça de Esmeralda,
a revolta doce e inocente de Quasímodo,
a inteligência e a melancolia de Frollo,
e toda a poesia de Pierre Gringoire.

Sou todos os personagens,
as mocinhas, os heróis, os vilões,
os piratas e os ladrões.

Sou a mistura de todos os planetas,
sou regida por todas as estrelas,
sou todas as mitologias gregas,
o silêncio e o barulho,
a teologia e o big bang.

Sou a fé e o ceticismo,
o dia a e a noite,
 o sol e a lua,
o yin e o yang.

Sou a alegria e a tristeza,
o sorriso e a lágrima,
o anjo e o demônio.

Sou a luta de bem e do mal,
fruto da revolta dos anjos.
Sou a loucura e a sanidade,
a poesia e a tempestade.

Veja como a graça é santa!
Dar o copo d'água ao sedento
é como sentir a sua sede.

Não posso mais sentir
toda a fome e toda a sede
que há por este mundo!

É como se eu não pudesse sorrir
vendo tanta gente a chorar.
Mas, chorar junto com eles
não melhorará o mundo.

Chorar não cura doenças
nem mata a fome no mundo.
O mundo está farto de lágrimas,
que não seja eu a responsável pelo novo dilúvio!

O mundo não precisa de lágrimas,
nem de revoltas ou opiniões utópicas.
O mundo precisa de gente que sorri,
arregaça as mangas e faz o bem.

Chuva de graças é a empatia,
sentir-se no lugar do outro,
transcendência e loucura,
graça de anjo e angústia do inferno.

É preciso muita luz para doar,
é preciso muita paz para viver,
é preciso muita força para ser bom,
é preciso coragem para equilibrar-se
entre o eu e o mundo.

Poesia de Taty Casarino



2 comentários:

  1. Sem querer ser chato, mas onde deveria estar escrito "vilões" está escrito "violões". No mais esse poema lembra a música "Gita" do Raul Seixas, aquela do "início, o fim e o meio". :)

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  2. Olá, Mateus, muito obrigada por me avisar acerca do erro de digitação. Já corrigi a palavra do verso :)
    Esse poema lembra mesmo a música "Gita" do Raul Seixas, afinal a empatia funciona como um "coringa", pois nos permite estar no início, no meio e no fim :)
    Abraços!
    Taty

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