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domingo, 13 de abril de 2014

A Glória (sombria) de Romeu

 A Glória (sombria) de Romeu

 " Onde há muita luz, as sombras são mais profundas." Goethe




*Para ouvir música instrumental de Romeu e Julieta durante a leitura do poema, clicar em "play" nesse vídeo logo abaixo:




Nas colinas da morte,
jaz uma bela donzela
cujo corpo plácido
lembra a pálida lua noturna.

O nosso amor é celestial demais
para ser compreendido pelos mundanos,
e grande demais, oh! doce donzela
para a pequenez da Terra.

Vivemos uma vida morta,
encoberta pela matéria,
saturada de sobrenomes
e cega para o que realmente importa.

Quando eu nasci,
deram-me um nome e um sobrenome,
puseram roupas em meu corpo,
e ensinaram-me os costumes desta terra.

Tudo o que me ensinaram
afastou-me da minha real essência.
No fundo, eu nem precisava aprender,
porque a minha alma já sabia tudo.

A minha pura alma de criança
recém enviada à Terra por Deus
já sabia amar e ser amado.

Rapidamente, os costumes mundanos
corromperam minh'alma,
e a matéria afastou-me de Deus.

Mas, então, eu te conheci,
oh! doce e pálida Julieta.
Debruço-me sobre teu leito
e confesso-te mais uma vez o meu amor
na esperança de que tua alma me ouça.

Acaricio teus lábios com os dedos,
eles continuam macios como as pétalas de rosas,
a morte não conseguiu tirar a beleza de teu semblante
que jaz ainda doce ainda que pálido.

Beijos teus lábios, oh!
Eles continuam doces como outrora.
Devo dizer-te, donzela,
que, ao conhecer-te,
eu me aproximei de Deus.

Ao conhecer-te, eu percebi
que a matéria não tem qualquer valor,
que o sobrenome é um título vazio,
e que a vida mundana
não pode impedir o amor.

O amor é eterno, divino, celeste,
por isso, ele derruba sobrenomes,
posses, título, costumes.

O amor é julgado, incompreendido,
porque vai além do que estamos acostumados,
ele derruba todas as ilusões mundanas
e almeja o carinho, paraíso de Deus.

Os homens não compreendem o nosso amor,
doce e pálida, Julieta,
os homens não compreendem o amor,
porque eles não compreendem a morte.

Ah! Sutis lágrimas que escorrem de meus olhos,
permitam-me enxergar o meu veneno,
se esta vida não permite o nosso amor,
talvez a morte nos abrigue sob suas asas.

Eu, tantas vezes materialista,
e tantas vezes insano,
entregar-me-ei à sombra da morte
por devoção à luz do amor.

Meu sobrenome é o mesmo que nada,
meu corpo é só uma carne que me cobre,
minhas vestes são pedaços de pano perecíveis,
só o amor por ti é imortal,
invencível, imperecível e eterno.

Nem a sombra da morte
apagará a luz do nosso amor,
eis que ele é divino.

A morte derruba a matéria,
ceifa as ilusões efêmeras,
mas o amor, por ser divino,
é abrigado sobas asas dela.

Adeus, mundo materialista!
Adeus, sociedade de hipocrisia!
Estou partindo das mentiras mundanas
para ir até as verdades divinas.

Oh! Doce Julieta, fazer amor contigo
seria a única experiência carnal
da qual honra eu sentiria!
Contudo, todos os outros atos da matéria
não me trazem a verdadeira alegria.

Venha até mim, morte querida,
quero abraçar-te para abraçar Julieta.
De braços abertos, eu te encontrarei.

Sei que o maior homem da história
foi encontrar-te de braços abertos.
Ele amava a humanidade com seu doce coração,
e a cruz da morte não era nada para Ele,
eis que Ele compreendia o amor.

E, agora, este humilde humano pecador
que está diante de ti, e que se chama Romeu,
morrerá de tanto amar e não ser compreendido.

Jesus, salve-me do inferno,
meu suicídio não é pecador,
ele é um grito de amor.

Anjos celestes, protejam Julieta
 e não permitam que ela se sinta culpada
pelo que eu farei por ela.

Oh! Morte, venha me buscar,
eu sou teu e sempre serei!
Morro como quem conhece a glória
de amar a vida do amor
e negar a vida da matéria.

Poema escrito por Tatyana Casarino.

*Imagem: Cena em que Romeu e Julieta são encontrados mortos, retratando espanto e tristeza.


    A Glória (sombria) de Romeu retrata a ambivalência da evolução na jornada espiritual: a alma virtuosa e amorosa de Romeu que renegava a matéria e valorizava mais o mundo espiritual fez, de certa forma, que ele praticasse um dos piores pecados espirituais: o suicídio.
    Ele negou a matéria de forma doentia e não soube administrar sua vida material nem lutar pelo seu amor com êxito.
Por mais que ele tenha atingido a glória de ver a vida com os olhos da percepção espiritual, ele acabou por cair nas profundezas do vício e do suicídio.
     É preciso tomar cuidado para não nos perdermos na jornada da evolução e não cuidarmos da vida material. "Orai e Vigiai" como alertava Cristo. O equilíbrio entre a vida material e astral é necessário.
      Somente haverá vida saudável com a consciência da importância do desapego material e da devoção pelo transcendental, mas não podemos nos esquecer de amar a vida, enfrentar os obstáculos da vida com perseverança e simplicidade, lidando saudavelmente com a matéria.
       Afinal, somos seres tridimensionais: corpo, alma e espírito. Cada um dos nossos três aspectos devem ser cuidados. O corpo e a vida material também são importantes e devem ser respeitados, porque o corpo físico é o templo da centelha divina. Então, o suicídio não é "glorioso" mesmo que seja com o intuito de ir para a luz, mas sombrio por não permitir que a centelha divina viva e brilhe em nós.
      Que não cometamos os erros de Romeu e Julieta que cederam ao vício e ao suicídio. A verdadeira glória espiritual só será iluminada se o entendimento espiritual trouxer paz e harmonia para a vida da matéria. Caso traga dor e desejo de fuga, os perigos sombrios podem rondar a alma.
       Enxergar a vida com percepção transcendental pode ser uma lástima ou uma dádiva, uma glória iluminada ou sombria, e isso só depende da forma como lidaremos com a vida.


Tatyana Casarino









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