O Cantinho de Tatyana Casarino. Aqui você encontrará Textos diversos e Poesias simples com a medida do coração.









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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Lilith e o vazio existencial


 
 As origens do culto à Grande Deusa jazem obscurecidas na indistinta penumbra dos tempos pré-históricos. A Deusa imperou durante centenas de milhares de anos. Com o passar dos tempos, a Deusa-mãe foi sobrepujada e superada pelo mais patriarcal dos arquétipos - Javé (Yaweeh), Deus-Pai, Alá. Este arquétipo patriarcal aperfeiçoou-se nos mundos judaico, cristão e muçulmano.
  A figura de Lilith representa um aspecto obscuro da Grande Deusa. O único aspecto respeitado pela religião cristã de Deusa é o arquétipo santificado, doce e maternal de Maria, mãe de Cristo. A Lilith passou a ser mal vista e até considerada um demônio como a mitologia judaica que coloca-a em domínios mais obscuros, como um demônio (feminino) do mal.

A Lilith astronômica
A Lua descreve uma trajetória elíptica ao redor da Terra. Uma elipse possui dois pontos focais e aquele que fica vazio foi denominado Lua Escura, Lua Negra ou Lilith. Isto se constitui numa definição um tanto simplificada, pois, na realidade, a Lua e a Terra movem-se ambas ao redor de seu centro comum de gravidade, e a trajetória da Lua não é uma elipse exata, mas um tanto oscilante. Assim é necessário estabelecer a diferença entre a órbita média da Lua, que é uma elipse levemente alongada, e a órbita real, que oscila ao redor da órbita média devido a diversas interferências. Assim como há um Nodo Lunar “médio” e outro “real”, e como há uma elipse “média” e outra “real”, também há uma Lilith “média” e outra “real”. Escrevo real entre aspas salientando que o Nodo da Lula só é “real” umas duas vezes ao mês, quando a Lula se encontra realmente sobre ele, já que no resto do tempo, ele é tão “irreal” quanto o Nodo Médio.
A propósito, quando se trabalha com um ponto tão próximo à Terra, devemos considerar o efeito paralaxe, isto é, devemos ponderar que um determinado ponto da Terra é visto a partir de um certo ângulo de um ponto no céu. A Astrologia observa os planetas sob o ponto-de-vista geocêntrico, ou seja a partir da Terra, e não de maneira topocêntrica, a partir do ponto de vista de um observador.

Lilith no mapa astral
O glifo de Lilith é uma lua negra, oposto àquele empregado para a Lua real. Lilith é incluída nos gráficos de cartas tipo 2.AC. Outros tipos de gráfico, como os 2.AT, apresentam Lilith na tabela das posições planetárias. 


Bibliografia pesquisada
 Site do Astro Dienst (Meu Astro)

A interpretação de Lilith "Durante meus anos de prática astrológica, tenho utilizado a Lua Negra em todas as minhas análises de mapas natais, como complemento da interpretação da Lua. Jamais pensei em ignorar esta influência. A Lua Negra descreve nosso relacionamento com o Absoluto, com o sacrifício como tal, e mostra-nos como abrimos mão de certas coisas. Em trânsito, a Lua Negra indica-nos alguma forma de castração ou frustração, freqüentemente nos assuntos relacionados ao desejo; uma incapacidade da psique; ou uma inibição em geral. Por outro lado também indica nossas áreas de autoquestionamento, a nossa vida, nossos trabalhos, nossas crenças. Acho que é isto é importante, pois nos dá a oportunidade de abrir mão de algo. A Lua Negra mostra onde podemos deixar que a Totalidade fale dentro de nós, sem atravessar um “eu” pelo caminho, sem erigir um muro formado pelo nosso ego. Ao mesmo tempo, ela não nos indica a passividade. Ao contrário, simboliza a firme vontade de mantermo-nos abertos e confiantes, de deixar que o Mundo Transcendental infiltre-se em nós, confiando inteiramente nas grandes leis do Universo, naquilo que chamamos Deus. A fim de nos preparar para essa abertura, a Lua Negra cria um vazio necessário."
(Joëlle de Gravelaine in "Lilith und das Loslassen", Astrologie Heute Nr. 23)

Lilith na bíblia

 Livro de Gênesis está escrito que: "Deus criou o homem à sua imagem e semelhança; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher." porém no segundo capítulo versículo 18: '"O Senhor Deus disse: "Não é bom que o homem esteja só; vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada." e é apenas no versículo 22 do segundo capítulo que Eva é criada: "E da costela que tinha tomado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher, e levou-a para junto do homem.".
É possível que no primeiro capítulo a mulher criada seja Lilite e levando em consideração o versículo 23: "Disse então o homem: Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada."
"...esta sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne!..." a afirmativa de existência de outra criatura que não era qualificada como mulher e que não se podia se submeter a ele pois era independente, estava no mesmo nível de criação, a mesma altura de Adão. Em algumas traduções o texto "esta sim..." aparece como "agora sim, esta ..." o que não parece ser um erro de tradução mas uma evidência da afirmação na narrativa.



No folclore popular hebreu medieval,ela é tida como a primeira mulher criada por Deus junto com Adão, que o abandonou, partindo do Jardim do Éden por causa de uma disputa sobre igualdade dos sexos, passando depois a ser descrita como um demônio.
De acordo a interpretação da criação humana no Gênesis feita no Alfabeto de Ben-Sira, entre 600 e 1000 d.C, Lilite foi criada por Deus com a mesma matéria prima de Adão, porém ela recusava-se a "ficar sempre por baixo durante as suas relações sexuais". Na modernidade, isso levou a popularização da noção de que Lilite foi a primeira mulher a rebelar-se contra o sistema patriarcal e a primeira feminista.

Fonte
Wikipédia

    Interpretações da psique humana e da lua negra por Taty Casarino

A mulher divulgada pela Igreja Católica é Eva e não Lilith
 Eva, mulher pacata, submissa, nascida da costela de Adão não tinha desejo sexual até ser induzida pela serpente da árvore do fruto proibido. Tal serpente é Lilith que se vingou de Adão e Eva por estarem morando no paraíso induzindo-os a provar do fruto proibido para serem, então, expulsos do paraíso. Criou-se, pois, um vazio existencial no homem que deverá trabalhar para se manter e viver longe da nutrição gratuita de Deus.

Lilith e o vazio existencial
Lillith não é uma Deusa, nem tampouco um demônio, ela é apenas uma das mil faces que uma mulher pode assumir, ela é simplesmente o arquétipo "sombrio" de nossa psique. Sombrio, porque causa angústia e reside no vazio, na ausência de luz. Mas é preciso que o copo esteja vazio para colocarmos água....assim como é preciso de um ponto vazio e escuro para que os raios de luz possam ser vistos e preencher o local. Lilith é a sede. Sede e desejo.
 Desejo não só no aspecto sexual, mas desejo de preenchimento. É aquela busca inerente e instintiva, porque lua é instinto, por algo a mais. É o vazio
existencial do ser humano, que por mais que tenha uma vida relativamente boa sempre sentirá em seu íntimo uma sede por algo mais inexplicavelmente.


  Se esta sede for mal interpretada e o ser humano tiver uma má índole os efeitos de Lilith podem sim ser perigosos e malévolos, pois esse pode passar a ser um vampiro que suga a energia dos outros para saciar sua "sede" ou que comete atos que não respeitam a moral e fica obcecado por poder. Ou ainda pode achar que é acumulando riquezas materiais desnecessárias que se sacia o vazio e se frustra por perceber que não é a matéria que traz a sensação de plenitude.
   Mas se o ser humano tiver boa índole e estiver disposto a saciar sua sede existencial com plenitude, ele pode buscar através da doação, pois é esvaziando mais o copo que se preenche mais. O ser humano pode doar o que tem para saciar o outro e, então, compartilhar energias do bem e sentir a presença de Deus preenchendo as lacunas de sua alma.
  Lilith é o vazio que causa angústia na vida material, mas esse sofrimento é apenas para nos levar à verdade que pertencemos a outro mundo, o mundo espiritual. É  se entregando de braços abertos à vida que podemos deixar o fluxo da vida correr e nos ligar ao único Ser que sacia a sede com plenitude..... Deus.

Lilith e a angústia da mulher



Lilith influencia tanto homens quanto mulheres, mas por se tratar de um arquétipo feminino, obviamente, influencia muito mais as mulheres em muitos aspectos, visto que a mulher pode ter uma persona Lilith propriamente. A lua convencional simboliza  generosidade, doçura, sensibilidade e emotividade além de instinto maternal. Já a lua negra simboliza o poder da mulher, a agressividade, o desejo, a sexualidade e a expressão das energias tensas da natureza, que provoca os acidentes naturais para homem aprender a respeitar a natureza. É ela também que influencia o período fértil e o pré-menstrual da mulher enquanto a lua convencional protege a gestação.

Distúrbios menstruais na mulher podem simbolizar a não aceitação
de seu lado obscuro, de seus medos e de suas vontades ou ao desejo inconsciente de representar apenas a face dócil da lua, ocasionando sentimento de desintegração com a face obscura. Monica Buonfiglio cita a respeito disso em um de seus livros.

Para equilibrar o pólo negativo e positivo, unindo a garra de Lilith com a boa índole da lua, construindo, então, luz e harmonia,libertando a mulher da angústia do conflito entre arquétipos...mentaliza-se...

"Meu querido Deus, eu respeito todas as forças da natureza e todas as energias
de minh'alma que hoje estão em pleno equilíbrio e harmonia. Eu integro as minhas forças e as direciono para o bem, entregando-me para a vida e deixando fluir os teus desígnios" Amém

Texto escrito por Tatyana A.F Casarino, estudante de Direito, poetisa, escritora e estudiosa de assuntos místicos e espirituais.

Confira um vídeo feito por Taty Casarino que representa o mito de Lilith


              
 
  

2 comentários:

  1. Realmente sao muitas as relações entre as mulheres e a Lua, evidenciadas em outras deusas, tais como Jaci (culturas tupis), Coyoxaulqui (astecas), Mamaquilla (Incas), Artemis (gregos), Ixtchel (maias)... A única cultura q tinha um deus masculino lunar aparentemente foi a japonesa, com Tsukuyoki, e mesmo assim ele era submisso a Amaterasu, a deusa solar.

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  2. Bem lembrado, Mateus! Continue acompanhando e comentando o blog
    O arquétipo lunar feminino sempre esteve presente em muitas culturas..
    Valeu por enriquecer o post
    Abraços

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