O Cantinho de Tatyana Casarino. Aqui você encontrará Textos diversos e Poesias simples com a medida do coração.









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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

(Des)algemada



Dançando, dançando, dançando,
enquanto longas correntes me prendem
na terra que habita sob meus pés.

Correndo em círculos, limitada
pelos limites do espaço, do tempo,
do corpo, da carne, do ego, do vício,
da sombra que corrói minh'alma.

A força das trevas puxam meus pés
para que eu caia nas labaredas do precipício
da escarnecida sombra do meu vício.

As trevas angustiam-me,
a terra limita-me,
mas eis que avisto o sol,
e descubro que também há uma luz aqui,
uma luz que vibra fortemente dentro de mim.

Outros, talvez, sofram menos que eu
por se contentarem com suas correntes,
mas eu busco voar à luz do sol
nem que eu morra como Ícaro.

Eu prefiro a agonia do desejo,
que me impele a voar mesmo que presa,
à procrastinação da inércia ignorante.

Contentar-se com as algemas
é rebaixar-se à escravidão errante,
já lutar contra elas é lutar por Deus,
por luz, por liberdade, por sol.

Paradoxalmente, quando você descobre a luz,
a angústia do inferno das correntes multiplica,
mas ela é a apenas o outro lado da força
que impele sua alma a quere voar.

Quando você evolui, você sofre primeiramente,
pois a luz faz sua alma arder, você fica tenso,
você começa a perceber que tudo é limitação
diante da alma com iluminação.

Contudo, o sofrimento é apenas a primeira etapa
da jornada da iluminação da alma.
Quando você se revolta, você se angustia,
mas logo o amadurecimento traz a calmaria.

Contornando a água,
as pedras dos meus dias,
eu sorrio para o sol que me entorpece,
me alegra, me aquece, me inebria.

Dilacerando os véus que cobrem
minha luz radiante oculta,
a força da minh'alma arrebenta a limitação
do corpo, da carne, do espaço, do tempo, do ´vicio.

Minhas asas se abrem, arrebentando as algemas,
e eu salto rumo ao infinito sob a luz do sol,
onde eu, docemente, sorrio.



Taty Casarino




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