O Cantinho de Tatyana Casarino. Aqui você encontrará Textos diversos e Poesias simples com a medida do coração.









Contador Grátis





segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Confissões de um guerreiro



Eu não sou nenhum príncipe,
eu sou um guerreiro:
ora branco, ora negro,
que trilha o caminho do meio.

Eis a febre de sentir,
meu sangue ferve as minhas veias.
Não há tempo para ter medo,
é preciso abandonar esse sentimento.

Não diga que sou insensível,
porque não conheço o reino das lágrimas.
Atrás dessa armadura,
minh'alma sangra como a sua.

Eu apenas fui obrigado
a orpimir o meu sentir
para sobreviver naquele internato.

Disseram-me que homem não chora,
então eu reprimi as lágrimas,
transformando-as em espírito de guerra.

Dentro de mim, há monstros dementes
que mordem meu espírito destemido.
Esses monstros ridicularizam-me,
oprimem minh'alma, fazem o meu sofrer.

A vida não foi bondosa comigo,
ela só me deu dois caminhos:
ser um louco fraco,
ou ser um guerreiro forte e destemido.

Nas labaredas do inferno,
eu não pude ser terno.
Sou um anjo caído,
sou um cigano empobrecido,
sou um homem destemido.

Antes de ser guerreiro,
eu já fui um menino sofredor.
Professores opressores
e mil palmatórias eu conheci.
Não pense que minh'alma destemida
é isenta da opulenta dor.

Perdi tudo o que eu conhecia:
meu amor, meus bens e minha família.
Dentro de minh'alma lutadora,
há um garotinho órfão.

Não conheci o carinho.
Antes da cigana me acolher,
eu nunca fui acolhido.

Só conheci a dor,
só conheci a guerra.
Mas é da dor que nasce o lutador,
e é da guerra que nasce o desejo de paz.

O meu medo vai desaparecer
quando urgir a esperança quente,
que ferve meu sangue, meu sangue demente,
sangue de dor, sangue de esperança!

Matando o garotinho medroso e órfão,
nasce em minh'alma um guerreiro destemido.
Hoje eu vou me matar
só para nascer de novo.

O Destemido (personagem poético masculino de Tatyana Casarino).



Primeiro poema de "O Destemido" aqui no blog. É muito divertido ter um heterônimo masculino. Quem sabe, dessa forma, o blog não arrecada mais leitores do sexo masculino, hein? (hehehehe).
 E, para escrever novos poemas sob os sentimentos dele, é só fechar os olhos e se conectar com a força yang ou com as energias astrais de Marte.
Espero que tenham gostado dos versos desse personagem que viveu em um internato rígido so século XIX e não encontrou piedade lá.

"Aqui vou eu para novos dias
Eu sou dor,eu sou esperança, eu sou sofrimento
Yeah hey hey hey yeah yeah


Aqui vou eu para os novos dias

Hey hey hey

Não há nenhuma piedade
Não há nenhuma piedade lá para mim"
Trecho da música "I Disappear" de Metallica que se enquadra no perfil de Destemido. Pelo visto esse cigano é eclético e tem uma veia muito rock and roll (hehehehe).
Confira o clipe completo e legendado da música da banda Mettallica:


2 comentários:

  1. Senti como se fosse um homem que um dia até sonhou mas a vida lhe tirou o direito de sonhar, de ser feliz, de ter esperanças. Uma pessoa que teve os sentimentos congelados, uma pessoa que já foi emotiva mas que a vida que lhe impuseram lhe tiraram qualquer direito de ser feliz.

    ResponderExcluir
  2. Interpretou muito bem o poema! O personagem Jean-Louis é alguém que teve de oprimir o sentimento, "congelar", não por ser insensível, mas por necessidade, para poder sobreviver me uma vida que tentou lhe tirar a esperança. Muitas chagas emocionais o impedem de adentrar no âmbito sentimental e lírico.

    ResponderExcluir