O Cantinho de Tatyana Casarino. Aqui você encontrará Textos diversos e Poesias simples com a medida do coração.









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sábado, 10 de novembro de 2018

Valentin: O Vampiro inglês



Ele era um bom menino,
estudioso e bem quietinho.
Estudou em colégio religioso,
era moralista e virtuoso.

Seu pai era um rei bondoso
que ajudava a vila e o povo.
Sua mãe era uma rainha formosa,
muito bela, meiga e caridosa.

Valentin não queria ser príncipe,
tinha aversão ao seu próprio poder.
Não queria participar de batalhas,
tinha pavor de todas as armas.

Valentin gostava de ir à missa,
tinha decorado toda a bíblia.
Estudava para ser o novo padre
usava até o cinto da castidade. 

Certo dia, a eclosão de uma guerra
devastou o reino de sua Inglaterra.
Seu pai e sua mãe morreram,
e ele sobreviveu como único herdeiro.

Quando soube que estava órfão,
seus olhos azuis ficaram arregalados.
Naquela noite, raios e trovões pesados
faziam tremer o mosteiro de seu seminário.

Lágrimas logo caíram sobre a bíblia
assim que ele chorou e gritou.
A saudade dos pais quase o matou 
junto da culpa que o dilacerou.

"Por que eu não fui à guerra
para ajudar o reino da Inglaterra?"
Ele se questionava em culpa e lágrimas
por se esconder num mosteiro sem armas. 

"Será que, se eu tivesse lutado,
meus pais e o reino estariam salvos?"
Ele indagava para a lua cheia
enquanto sentia o peito angustiado.

"Será que eu tentei ser virtuoso,
mas minha omissão foi desastrosa?"
Perguntou Valentin de forma chorosa
antes de descer as escadas em espiral.

Correu para o seu castelo,
queria ajudar o seu reino.
Mas avistou o usurpador francês
que matou seu pai pelo reino inglês.

Escondido atrás das árvores,
Valentin viu um rei falso e maldoso
ao lado de uma rainha feia e sem graça.
Eles não eram como seus pais virtuosos.

Os usurpadores estavam debruçados na janela
e tomavam vinho enquanto falavam de guerra.
Valentin chorou silenciosamente sob a lua
quando viu seu jardim devastado e a terra nua.

Voltou correndo para o mosteiro,
subiu as escadas bufando de ódio.
Os outros padres ficaram preocupados,
mas Valentin estava silencioso e mórbido.

Revirava em sua cama durante a noite,
sua febre provocava ardência no corpo.
Relampejava quando sua testa suava,
e, então, ele acordou para o lunar açoite.

Perguntas açoitavam a sua alma:
"Vale a pena seguir a virtude
se os reis maus sucedem os bons?
Vale a pena seguir a caridade?"

Acordou com os olhos vermelhos,
queimou o seu cinto de castidade
e rasgou a sua sagrada e sonhada batina.
Soltou os cabelos negros, apagou a lamparina.

Desceu as escadas bufando,
queria fugir daquele seminário.
Seu professor tentou impedir a fuga,
mas Valentin agrediu o bispo com fúria.

Sua força foi multiplicada pela lua,
e ele quebrou a janela ao arrombar a porta.
Saiu a correr feito um profano cego
por aquela floresta que lembrava o deserto.

Adentrou em um bordel francês
que foi trazido pelo novo rei.
Dançou, gritou, bebeu, cantou,
tomou um litro de vinho e depois urrou. 

Sua forma de lidar com a dor
foi a de enlouquecer profundamente.
A angústia arrebentou as cercas da alma,
libertando todos os vícios latentes.

Beijou três prostitutas sob a lua,
arrancou as máscaras delas e as plumas.
Da castidade mais rígida do internato,
ele saltou para a luxúria mais insana.

Quando não sabemos encontrar o equilíbrio,
o excesso de virtude pode ser maléfico
ao trancafiar os desconhecidos vícios.
Só a balança traz o meio do caminho.

Arrancou a peruca branca de uma prostituta
que usava uma maquiagem bem forte.
Puxou os cabelos castanhos dela num suspiro
enquanto a lua o transformava num vampiro.

Escolheu esta prostituta de cabelo escuro
para ter a sua primeira noite de prazer.
Subiu as escadas do bordel em segundos 
enquanto latejavam os seus instintos obscuros.

Sentiu sede do sangue da francesa
e atacou a bela mulher indefesa
cujo pescoço sofreu e sangrou.
O vampiro gargalhou e chorou.

O bordel chamou a polícia
por causa da mulher mordida.
A francesa sangrava sobre a cama,
mas o vampiro logo escapou.

Ao ver que tinha se tornado um monstro,
quebrou os espelhos do quarto do bordel
com um cinzeiro prateado e dourado.
Depois, pulou a janela e escapou dali.

Correu com monstruosa velocidade
no meio do bosque e camuflado nas árvores.
Decidiu se vingar do sarcástico rei usurpador
para honrar o pai e a guerra que acabou.

Quando chegou perto do castelo,
avistou a princesa Catherine Lee.
Diferentemente do rei e da rainha dementes,
Cathy era bela, bondosa e sorridente.

"Vingar-me-ei do rei ao matar a sua filha
que parece ser tão virtuosa, doce e inocente.
Eu era tão inocente quanto essa donzela,
não suporto ver seu sorriso atrás da janela!"

Certa noite, foi marcado um baile
cujos convidados estariam mascarados.
Valentin apareceu na festa
e caçou pelo salão a donzela.

Cathy usava uma peruca roxa,
uma máscara prateada brilhante 
e um vestido preto de renda.
Este é só o início dessa lenda. 

Poesia escrita por Tatyana Casarino.




*Tatyana Casarino é paulista da cidade de Presidente Prudente/SP. Todavia, ela morou boa parte de sua vida em Santa Maria/RS, já passou por Fortaleza/CE e atualmente vive em Brasília/DF. Ela é Advogada, Especialista em Direito Constitucional, poetisa e escritora. 

 Mais sobre Tatyana: Suas poesias costumam ser místicas e simbólicas. Seu principal objetivo na literatura é levar a conscientização da importância de olhar para dentro de si mesmo e aperfeiçoar a personalidade. Somos seres humanos em constante evolução. 

*Sobre a Poesia desta postagem:



**A poesia alerta para a necessidade de trilhar o caminho do meio entre as virtudes e os vícios, já que sufocar os vícios em busca de uma santidade impossível pode trazer o efeito contrário. Na história contada pela poesia e criada por Taty Casarino, o personagem Valentin expandiu os vícios após um acesso de loucura, restando perigosa e contraditória a sua obsessão inicial pela virtude. 




**Leia mais poesias de Vampiros (o leitor perceberá que muitas delas também pertencem à história descrita pela poesia desta postagem) no seguinte Link:

http://tatycasarino.blogspot.com/search/label/Poesias%20de%20Vampiros

**Observação: O Link citado remete a todas as poesias de vampiros já escritas nesse blogue. Se você gostou do viés gótico da poesia de hoje, certamente gostará das outras poesias. ;) 

Tatyana Casarino 


*Confira uma música que combina com a postagem por representar o conflito entre a libido humana e o anseio pela pureza religiosa:


Sadeness - Enigma 


https://www.youtube.com/watch?v=4F9DxYhqmKw

*Tradução da música citada:

https://www.letras.mus.br/enigma/12926/traducao.html

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

A importância da leitura na nossa vida





  Olá, pessoal! O presente texto foi escrito pela minha amiga gaúcha Fernanda Rocha. Ela é escritora colaboradora do Blogue e preparou esse texto muito especial sobre a importância da leitura na nossa vida! Confiram! Boa leitura! 

                








Olá,

Hoje quero falar sobre como a leitura entrou em minha vida. Foi na infância, com livros de colorir, com eles adquiri o hábito de trocar de páginas, de pintar as figuras. Depois que aprendi a ler meu pai, todos os meses, comprava gibis para mim, nem era eu que pedia...ele simplesmente comprava e me dava, não tinha jeito, comecei a ler e fiz uma coleção de gibis. Quando adolescente comecei a ler revistas como Atrevida e Carícia e paralelamente por causa do colégio, os livros de literatura. 

Vejo que leitura é hábito e não adianta exigir que alguém que nunca leu, leia um clássico por exemplo. A leitura tem que começar aos poucos, com algo leve e devagarinho ir aumentando a dificuldade. Vejo que minha paixão por livros iniciou na verdade com os de pintar e foi evoluindo com o passar do tempo. 





Anos atrás eu cheguei a ter um blog literário com o qual eu fiz parcerias com editoras, fazia vídeos para o Youtube, divulgava os lançamentos das editoras, fazia sorteios e ganhava muitos livros em troca da publicidade, também fui colunista do blog Bookaholic onde eu entrevistava autores nacionais, foi uma época que eu mergulhei fundo nesse mundo de leituras, editoras e divulgações.

Mas tudo tem fases e a fase do meu blog Trilhas Culturais passou, hoje resta apenas ele com as resenhas de livros que fiz. O que restou foi amizades lindas com pessoas que mantenho contato até hoje, amigas que não conheço pessoalmente mas que nem por isso a amizade é menos verdadeira. Além das amizades eu cresci muito como leitora, conheci vários autores, vários tipos de livros, conheci editoras, aumentei meu vocabulário, minha interpretação de textos melhorou muito e eu adquiri um hábito saudável.  

Os benefícios de ler livros (e não somente comentários em redes sociais), é imenso e perdura pelo resto da vida. Além dos que já citei, pessoas que leem adquirem um senso crítico mais refinado que pode ir melhorando com o passar dos anos, pessoas que leem analisam melhor toda a informação que chega até elas, pessoas que leem pensam no que estão consumindo de informação, pessoas que leem são mais difíceis de serem enganadas, pessoas que leem tem mais facilidade para entender todas as outras disciplinas além da língua portuguesa, exatas fica bem mais fácil quando sabemos interpretar o que enunciados de exercícios pedem, pessoas que leem descobrem um mundo de conhecimento infinito.







E foi essa paixão por livros e pelos benefícios dele que fez eu e a dona desse blog se aproximar na aula de inglês, por mais que nossa dupla tenha sido arrumada pela professora, o papo entre nós fluiu muito melhor quando soubemos que ambas amavam escrever e ler. Duas amigas que amam ler e escrever, mas a escrita de cada uma é diferente, o que faz uma complementar a outra, enquanto a Taty é mais adepta às poesias, eu sou mais das crônicas e textos mais livres.  E analisando toda a nossa história, é incrível como nossa amizade se fortaleceu desde então e muito disso tem a ver com a escrita já que moramos agora em cidades diferentes e por isso a internet é nossa aliada. 

Misturando paixão pela leitura e pela escrita que acabei chegando por aqui. Engraçado que eu e a Taty sempre comentamos em nossos imensos e-mails trocados que algum dia íamos ter um projeto juntas, sonhamos muitas coisas, imaginamos outras mas deixamos o tempo dizer o momento ideal para isso acontecer. Pois aconteceu agora, quando eu era colunista de outro blog escrevendo crônicas e a dona decidiu parar com ele, fiquei em casinha e a Taty me acolheu. Acredito tanto que era para ser o momento certo porque a dona do outro blog, dias depois, decidiu retornar com o blog dela e me disse que eu poderia continuar mandando as crônicas, sim hoje eu sou colunista de dois blogs graças ao destino que ajustou os acontecimentos para eu estar aqui. E os sonhos meu e da Taty? Continuam, mas o tempo dirá quando será a hora certa de dar mais um passo. Enquanto isso continuamos lendo muito e escrevendo de igual forma.





E como não finalizar citando autores que gosto, na verdade eu adoro explorar novos temas e escritores mas cito alguns que sou fã: Jane Austem, J.R.R. Tolkien, Dan Brown, William Shakespeare, Robson Pinheiro, Mauricio Gomyde, M.C.Jachnkee e por aí a lista continua, citei alguns que vieram na mente agora. 

Citar livros farei, no final de cada texto meu deixarei sempre uma dica de livro. Não comentarei sobre eles, a não ser que o texto seja baseado nele, mas fiquem atentos a todo final de texto minha dica de leitura.  






**Dica de livro: Cruzando o Caminho do Sol - Corban Addison


*Resenha de Fernanda Rocha sobre o Livro citado em seu Blog Trilhas Culturais:

https://trilhas-culturais.blogspot.com/2016/05/resenha-cruzando-o-caminho-do-sol.html


Texto escrito por Fernanda Rocha

Fernanda Rocha é gaúcha, Bacharel em Sistemas de Informação e Assistente Virtual da Empresa Fernanda Rocha Custom Solutions




"Ler é uma aventura que nunca termina!"



**Saiba mais sobre os escritores colaboradores do Blogue no seguinte Link:

http://tatycasarino.blogspot.com/2018/10/os-escritores-colaboradores-do-blogue.html


**Saiba mais sobre a Fernanda Rocha:

http://tatycasarino.blogspot.com/2018/10/coluna.html

http://tatycasarino.blogspot.com/2018/10/apresentacao-da-escritora-colaboradora.html






*Confira o Perfil do Instagram de Fernanda Rocha, onde há dicas de livros maravilhosos:

https://www.instagram.com/fr.fernandarocha/

*Confira o Perfil do Skoob (rede social colaborativa brasileira para leitores) de Fernanda Rocha:

https://www.skoob.com.br/usuario/302909


*Confira o Blogue Trilhas Culturais repleto das resenhas de livros feitas pela Fernanda Rocha: 

https://trilhas-culturais.blogspot.com/


*Confira o Blogue Diário de Incentivo à Leitura da Bibliotecária Vanessa Pereira onde a Fernanda Rocha também escreve textos:

http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com/


segunda-feira, 29 de outubro de 2018

A área do Direito para cada signo -- Parte I

   

                         



  Olá, pessoal! Vocês sabiam que a Astrologia pode ser muito útil na hora de encontrar a vocação? Para quem faz Direito, pode ser difícil encontrar a área certa depois da formatura, tendo em vista a multiplicidade de caminhos oferecidos aos novos bacharéis em Direito. 

  Confiram, nessa postagem, as matérias de Direito mais indicadas para cada signo! Boa leitura! 





1) Áries 

*Direito Penal;
*Direito Penal Militar;
*Direito Empresarial.

  Essas matérias seriam regidas pelo planeta Marte, o astro da bravura que rege o signo de Áries. Como esse signo é destemido e perseverante, o ariano seria competente para resolver conflitos violentos ou defender veementemente uma empresa. O elemento fogo e o planeta Marte, regentes do signo de Áries, estão voltados às armas, aos metais, à área militar e penal. Para o ariano, cada causa é uma batalha. Áries é o arquétipo de advogado guerreiro, que não foge de uma boa briga até alcançar a justiça. 






2) Touro

*Direito Civil (especialmente Direito das Coisas);
*Direito Tributário.

   Touro, por ser um signo de terra e ligado às questões materiais, combinaria com as áreas patrimoniais do direito. Logo, é o arquétipo ideal para as áreas de bens e tributos. Regido por Vênus (planeta que também rege o signo de Libra, a pacificação, a beleza e a Justiça), o taurino é argumentativo e determinado como um bom advogado deve ser no exercício da profissão. Touro tem tudo para ser um advogado charmoso que defende o seu cliente até o fim (taurino quando inicia um projeto costuma ir até o fim). 








3) Gêmeos

*Direito Civil (especialmente Contratos de Compra e Venda);
*Direito Desportivo;
*Direito da Tecnologia de Informação.

    Regido por Mercúrio, o geminiano é ágil em trocas, negócios e contratos além de ser atraído por áreas desportivas e tecnológicas. Tanto o planeta regente (Mercúrio) quanto o elemento dominante do signo (Ar) combinam com a área do Direito. O geminiano seria um advogado esperto, otimista e tagarela (geminiano adora falar e não pouparia argumentos nas suas teses jurídicas). 
  Vale lembrar que o Direito é uma área intelectual, que muda constantemente, exige aperfeiçoamento, flexibilidade e habilidades comunicativas (características bem adaptáveis aos mentalmente agitados geminianos). 




                         

*Imagem do Filme "Legalmente Loira 2."


4) Câncer

*Direito Constitucional;
*Direitos das Crianças e dos Adolescentes;
*Direito de Família.

        Regido pela Lua e pelo elemento Água, o canceriano é vinculado às raízes de sua história, seu passado e sua família. Além disso, os livros de Astrologia costumam apontar o caráter patriota do canceriano, o qual tem talento para a conservação das tradições históricas e culturais de um povo. Sua boa memória e o contato sensível com o inconsciente coletivo da sua nação são características que podem levar o canceriano ao direito público. 
  Como a Constituição é a alma do povo e a "mãe" do sistema jurídico, ela seria regida pela Lua (a mesma regente do signo de câncer). Sendo assim, por ser um signo maternal, "uterino" e vinculado às raízes de sua vocação, Câncer lidaria muito bem com Direito Constitucional. 
    Seu lado fortemente maternal e seu vínculo com o mundo da infância também podem apontar dom para estudar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Caso optasse pela área civilista ou privada, obviamente seguiria o Direito de Família. 
      Há quem duvide da força desse signo, o qual costuma ser conhecido pelo seu aspecto sensível, sentimental e "fofo". Câncer seria um "pontinho cor-de-rosa de doçura" no mundo adulto de ternos pretos hehehe. Mas, não se engane: câncer é um signo cardinal, extremamente dedicado e com muita ambição por trás da meiguice. Sua sensibilidade é perfeita para captar o que cada cliente mais precisa e seu alto grau de intuição é muito útil na hora da persuasão.  
                   

                           

   
           Quando consegue unir sensibilidade e razão, o canceriano se torna um advogado imbatível com aqueles discursos que emocionam jurados e convencem até os juízes mais duros. Embora seja reservado, é um signo que revela uma força extraordinária quando se trata de usar a voz pelos que mais precisam. Extremamente sensível às injustiças, o canceriano vira uma fera para defender os seus clientes mais vulneráveis. 




*Imagem do filme "O homem que fazia chover."



5) Leão

*Direitos da Personalidade;
*Direitos Autorais.

     Regido pelo Sol, o astro-rei, e pelo ardente elemento fogo, Leão tem a ver com os frutos maduros que estão prontos para serem colhidos, expostos e honrados. Leão é o signo do "orgulho do bem", da honra, da autoconfiança e daquilo que cada um pode deixar de mais autêntico. 
  O leonino acredita que cada ser humano é único, especial e tem o direito de deixar um legado próprio, erguido por seus próprios braços e assinado por suas próprias mãos. Sendo assim, creio que os direitos personalíssimos e os direitos autorais são áreas regidas pelo arquétipo leonino. 
   Os direitos personalíssimos preservam a integridade física, moral e intelectual das pessoas e estão disciplinados no Código Civil (artigo 11 do CC) embora tenham fundamento constitucional. Além do mais, esses direitos defendem o corpo, a imagem e a honra das pessoas. Tais direitos são intransmissíveis e irrenunciáveis, começando a partir do nascimento com vida e acompanhando seus titulares até a morte (alguns direitos como o respeito ao corpo do morto, ao sepulcro, ao nome, à imagem, à honra e outros sobrevivem mesmo após a morte e permitem aos familiares do falecido a defesa desses). 
     Como o signo de Leão está muito vinculado às atividades criativas (esse é o signo que mais representa o potencial criador de cada um de nós, colocado à imagem e semelhança de Deus no espírito humano), ele combina com os direitos autorais. Sabe-se que o direito autoral é um conjunto de prerrogativas conferidas por Lei à pessoa física ou jurídica criadora de obra intelectual a fim de que ela possa usufruir os benefícios patrimoniais e morais consequentes de sua criação. 




6) Virgem 

*Direito Civil (especialmente Obrigações);
*Direito Previdenciário.

   Virgem é um signo competente, trabalhador, detalhista e perfeccionista. Regido pelo elemento terra, o virginiano pode ser atraído por carreiras estáveis, concursos públicos ou pelas áreas que causam pouca simpatia nos outros signos. 
  Esse é um signo prático e voltado às questões mais cotidianas (Direito das Obrigações é muito presente no cotidiano das pessoas), bem como às áreas de segurança do cliente. Portanto, os virginianos farão de tudo para defender o bom cumprimento das obrigações e os interesses de segurados da previdência social. 






Texto escrito por Tatyana Casarino, Advogada e Especialista em Direito Constitucional. Sua área de pesquisa abrange a Constitucionalização do Direito Civil e os Direitos Personalíssimos. Taty é canceriana com ascendente em Libra e estuda Astrologia há muitos anos (conheceu a Astrologia ainda na infância, muito antes de estudar Direito). 

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

10 Lendas do Brasil.



                         

  Olá, pessoal! Hoje eu venho publicar mais um texto do meu amigo escritor Mateus Ernani Heizmann Bulow aqui no blogue. O texto mostra dez lendas do Brasil muito interessantes. Muitas vezes, conhecemos os mitos mais famosos do mundo e não sabemos a história folclórica do nosso povo. É necessário resgatar o patriotismo, a cultura, as lendas e a história do Brasil. Sendo assim, é uma honra para este blogue contar com a colaboração do escritor Mateus Bulow, o qual possui grande conhecimento histórico e cultural. Confiram as nossas lendas! Divirtam-se! Boa leitura!


10 Lendas do Brasil.






        Oh, olá! Não vi vocês se aproximando... Sentem-se, amigos, se acomodem ao lado da fogueira... Temos pouca carne para assar, mas muitas histórias para contar...
        Final de outubro chegando (período quando esse texto foi escrito), uma das primeiras celebrações a aparecer na psique dos brasileiros é o Halloween, o Dia das Bruxas dos países de língua inglesa. Em uma tentativa de conter o que alguns brasileiros consideram uma “invasão cultural estrangeira”, foi criado o “Dia do Saci”, conforme projeto de lei federal 2762 do deputado Chico Alencar. No entanto, esse feriado virou motivo de piadas, em parte porque já existe o dia do folclore em nosso calendário, celebrado em 22 de agosto.
        Existe um esforço em recuperar o folclore brasileiro, mas a tarefa não é fácil: por não termos uma tradição tão antiga como os países europeus ou as nações do Oriente, nossas lendas aparentam serem muito simples. A quase ausência de heróis lendários ou de lutas contra monstros e vilões pode ter contribuído para o desinteresse dos jovens em nossos mitos, pois salvo honrosas exceções, as lendas brasileiras tratam quase exclusivamente da origem dos humanos, da lua, do sol, de algumas plantas e animais, etc...
        Mesmo assim, essas histórias não podem ser simplesmente descartadas, pois mitos e lendas forjam o caráter dos povos, construindo sua identidade. Foi pensando nisso que resolvi fazer esta lista, que começará com algumas criaturas mitológicas típicas, e então partirá para heróis e mitos envolvendo histórias de aventuras e lugares longínquos, todos no Brasil. Alguns dos relatos aqui presentes são tão fantásticos que mais parecem lendas urbanas, dessas encontradas em blogs sensacionalistas.
        E agora, eu peço aos presentes que se sentem em volta da fogueira, e se preparem para viajar...

1-Boitatá.



        Nada como iniciar uma lista de lendas brasileiras com uma criatura mitológica da qual eu pessoalmente gosto muito, e acredito que seria um bom símbolo nacional, assim como o Dragão dos chineses. A palavra boitatá une “m’boi” (“cobra”) e “tata” (“fogo”), ou seja, “cobra de fogo”, em tupi. Devido à confusão feita pelos portugueses ao ouvir a palavra m’boi, essa criatura é representada algumas vezes como um boi feito de fogo, ou então como uma cobra ostentando chifres de boi na cabeça.
        A origem do primeiro boitatá ocorreu após um dilúvio devastador que cobriu toda a terra, e quase todos os animais morreram. O único sobrevivente foi uma Boiguaçu (“serpente gigante”) que se escondeu em uma caverna até o dilúvio passar. Após o fim da chuvarada, a Boiguaçu saiu da caverna cheia de fome, e aproveitou para se refestelar nas carcaças dos bichos, dando preferência aos olhos, sua parte favorita. Devido ao grande número de olhos engolidos pela Boiguaçu, seu corpo ficou todo brilhoso, e ela aprendeu a fazer fogo pelas ventas, tornando-se Boitatá.



        Boitatás são descritos muitas vezes como protetores das florestas, ou ao menos contra as queimadas causadas pelos homens. No entanto, certas versões da lenda trazem um aspecto mais sinistro, de uma criatura capaz de arrancar os olhos ou as unhas do pobre infeliz que a encontrar no meio da noite. O único modo de se defender é fechar os olhos e os punhos, a fim de esconder as unhas, e esperar o monstro sair de perto.
        A origem desse mito se deve a uma reação química. Ossos de animais são ricos em fósforo branco, um material inflamável, e quando os bichos se aglomeram num lugar e se decompõem, sobra apenas o fósforo. Quando um raio ou faísca entra em contato com os ossos decompostos, surge uma enorme chama, muitas vezes na forma de um rastilho longo, bem parecido com uma cobra.

2-Saci.



        Nossa segunda lenda abordada trata-se da criatura fantástica mais famosa do folclore nacional, e também uma fusão de culturas de três continentes. O saci, também conhecido como Pererê, Saçurá e Trique, é representado como um menino ou anão de pele escura, com apenas uma perna e gorro vermelho. Em algumas versões da lenda existem vários sacis, e seu habitat natural são os taquarais e bambuzais, onde seus ovos são deixados.
        Sua personalidade habitual não é o que poderia se chamar de “exemplar”: brincalhão incorrigível, o saci vive de pregar peças, roubar objetos e perturbar animais, especialmente cavalos e burros, ao fazer nós em suas crinas. Devido à condição de “ser místico da floresta”, ele também é guardião de plantas medicinais, e alguns xamãs e curandeiros mantêm o hábito de pedir permissão ao saci, antes de coletarem as plantas para suas beberagens.



        O “rascunho” da lenda surgiu com uma criatura da mitologia guarani chamada Yaci Yateré (“Pedaço de Lua”, na língua guarani), espécie de duende das matas. O gorro, a cor escura e a única perna seriam influências externas, vindas de Portugal e da África. Em algumas lendas, o saci pode ser capturado por meio de garrafas, algo como os djinns (gênios) da mitologia árabe, indicando mais uma influência externa.
        O saci não é a única criatura mitológica com apenas uma perna. Na Idade Média era comum ouvir viajantes falando sobre povos inteiros de gente com apenas uma perna na Índia e na Etiópia, enquanto no Chile existe o Invunche, na Escócia vivem os Fachan, e na África ocidental existem os Azizas. Até no longínquo Japão se ouve histórias de monstros com uma perna, os Karakasa-Obake (literalmente, “guarda-chuva fantasma”): esse bicho é retratado como um guarda chuva com um único olho, um par de braços e uma perna humana.

3-Capelobo.



        Seguindo até a terceira lenda, chegaremos até o interior da Amazônia, uma vasta região conhecida apenas parcialmente pelo homem e pródiga em histórias de monstros. Uma dessas lendas fala de feras peludas, capazes de andar sobre duas patas como um homem, porém as semelhanças param aí: a cabeça desses monstros é alongada como a de um tamanduá, e os pés possuem cascos de cavalo. Esse é o capelobo, uma das criaturas lendárias mais temidas da Amazônia.
        A palavra “capelobo” possui origem tupi, e significa “fera do osso quebrado”. Esse monstro é ativo durante a noite e a madrugada, perambulando ao redor de casas e acampamentos no meio da mata, enquanto grita sem parar. A criatura se alimenta de todo e qualquer animal, com preferência pelos filhotes recém-nascidos, mas também ataca os caçadores, furando seus crânios para comer o cérebro (eita!). O único modo de matar um capelobo é com um tiro certeiro no umbigo.


        Como se a lenda não fosse assustadora o bastante, o capelobo não é o único monstro peludo da Amazônia: outras histórias falam do mapinguari, um gigante peludo com um olho só no peito e a boca na vertical, no lugar do umbigo; também existem descrições de macacos gigantes inteligentes vivendo na Amazônia, chamados maricoxi. Alguns aspectos das histórias do capelobo são muito parecidos com os lobisomens, como a existência de índios que se transformam nessas feras à noite.
        É possível que a lenda do capelobo, bem como outros gigantes da Amazônia, tenha uma origem muito antiga, pré-histórica para falar a verdade: no passado, existiram bichos preguiças gigantes nas Américas, e esses animais eram formidáveis, com seis metros de altura quando estavam em pé! Diferentemente dos capelobos lendários, esses bichos preguiças eram herbívoros, mas sabiam se defender de predadores com suas longas garras.

4-Onça-Boi.



        Ainda na selva amazônica, seguiremos até o Acre, um dos rincões mais isolados do Brasil, e lar de outra fera assustadora. Muitos caçadores, pescadores e sertanistas (pessoas que exploram a selva) afirmaram terem visto uma terrível onça, muito diferente dos felinos comuns: essa onça é enorme, tão grande quanto um búfalo, e suas patas terminam em cascos parecidos com os dos bois.
        Diferentemente das onças normais, de hábitos solitários, as onças-bois caçam em duplas, compostas de um macho e uma fêmea. A tática preferida desses monstros envolve encurralar o caçador no topo de uma árvore e revezar na vigia, até o pobre infeliz cair no sono para ser devorado. Felizmente, é possível escapar matando apenas uma das onças, pois a morte do companheiro(a) deixará o parceiro(a) desnorteado, permitindo a fuga.



        Assim como o capelobo, o mito da onça-boi foi possivelmente inspirado em criaturas que existiram no passado longínquo da terra: alguns mamíferos carnívoros pré-históricos possuíam cascos em seus pés, no lugar das garras dos felinos modernos. Esses predadores tinham tamanhos variados: enquanto certos espécimes eram do tamanho de um rato ou de um gato, outros pareciam lobos e hienas, e os maiores animais desse grupo eram tão grandes quanto um rinoceronte.

5-Iara.



        Nossa jornada continua pela selva, porém agora nosso olhar se desviará para os rios, quase tão vastos quanto o verde das matas. Aqui encontraremos a “nossa” sereia brasileira e protetora dos rios, a Iara. Também conhecida como Mãe D’Água em algumas regiões, a Iara é responsável por afogar pescadores e caçadores desafortunados, ao seduzi-los com sua linda aparência e sua voz melodiosa.
        Em algumas lendas, conta-se que a Iara era uma índia guerreira, conhecida por sua coragem e beleza. Seus irmãos a invejavam com ódio, e armaram uma emboscada para matá-la, mas Iara conseguiu se defender, matando ambos. Temendo ser castigada, Iara fugiu da tribo e pulou em um rio, sendo transformada em uma sereia.



        A iara não é a única criatura fantástica a viver nos rios do Brasil: na Amazônia, existem relatos de monstros d’água de aparência medonha, chamados ipupiaras, enquanto no Rio São Francisco contam-se as histórias do caboclo d’água, que possui um olho só e se diverte virando canoas de pescadores (talvez “saci d’água” fosse um nome mais adequado...). No Candomblé, a figura da Iara às vezes se confunde com Iemanjá, a deusa do mar.

6-Macunaíma.







        Para os brasileiros estudantes de literatura, Macunaíma é o protagonista folgado e encrenqueiro do romance de mesmo nome, escrito em 1928 por Mário de Andrade. No entanto, nas tradições das tribos indígenas Macuxis que vivem na fronteira do Brasil com a Venezuela, Macunaíma é o nome de um herói lendário, filho do sol e da lua e detentor de uma moral ambígua, assim como o protagonista da obra modernista brasileira.
        Havia uma montanha extremamente alta em Roraima e no topo dela existia um lago, que era um expectador do amor impossível entre o Sol e a Lua. Um dia a natureza promoveu o encontro dos dois apaixonados, fazendo surgir o primeiro eclipse nos céus. Do lago cristalino da montanha surgiu Macunaíma, o curumim do Monte Roraima. Macunaíma cresceu e logo se transformou em um bravo guerreiro, o maior defensor da aldeia Macuxi contra inimigos e feras da selva.
                                        






        Bem próximo à tribo, no topo do Monte Roraima, existia uma árvore conhecida como a “Árvore de todos os frutos”, onde nela brotavam diversas frutas, tais como banana, abacaxi, melão, açaí, cupuaçu e tantas outras. Apenas Macunaíma tinha autoridade para colher os frutos dessa árvore e dividi-los de forma igual para todos da aldeia, mas isso revoltou alguns índios invejosos.
        Em uma noite, um grupo de Macuxis roubou os frutos, e não satisfeitos com isso, arrancaram alguns galhos, para fazerem mudas de árvores iguais àquela. Com isso, a “Árvore de todos os frutos” morreu, e Macunaíma teve que castigar os culpados: o guerreiro ateou fogo em toda a floresta, transformando várias árvores em pedras e forçando os habitantes a fugir. Segundo a lenda, até hoje o espírito de Macunaíma vive no Monte Roraima, e ainda se ouve os choros dele pela morte da “Árvore de todos os frutos”.
        O Monte Roraima, cenário dessa história, está localizado em uma tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana, e apesar de ser um local remoto, é um destino popular entre os entusiastas do trekking. Essa montanha não inspirou apenas lendas, como também livros e filmes, tais como O Mundo Perdido, de Arthur Conan Doyle (ele mesmo, o “pai” do Sherlock Holmes), e o cenário principal do filme UP – Altas Aventuras, da Pixar. O segundo livro do criador desta lista, chamado Taquarê – Entre um Império e um Reino, também possui o Monte Roraima entre seus cenários.

7- Sapucaia-Oroca.



        Durante o início da colonização europeia nas Américas, surgiram diversas lendas exageradas falando em cidades perdidas construídas pelos nativos. A mais famosa dessas histórias sem dúvida é El Dorado, procurada incessantemente pelos conquistadores espanhóis. Outras lendas falam até mesmo de uma cidade submersa no fundo do Lago Titicaca, localizado entre o Peru e a Bolívia.
        Pode parecer estranho, mas o Brasil possui sua versão da Atlântida, denominada Sapucaia-Oroca, ou Sapucai-Roca. Assim como os habitantes da Atlântida descrita por Platão, os moradores dessa cidade indígena foram castigados pelos deuses com o desparecimento sob as águas. A localização do esconderijo de Sapucaia-Oroca varia conforme o relato, mas a maior parte deles aponta para o Rio Madeira, em Rondônia.


        Sapucaia-roca era uma cidade fantástica e diferente de todas as aldeias construídas pelos índios, com ruas cobertas de pedras preciosas, e seus moradores andavam ricamente vestidos, além de fazerem festas que duravam dias. Com o passar do tempo, os nativos não faziam outra coisa exceto farrear, e Tupã, o deus do trovão e líder do panteão Tupi, andava perturbado, pois os índios não trabalhavam mais. Ele enviou-lhes diversos avisos, mas a beberagem era tanta que nem tomaram conhecimento, e continuaram a levar a vida em festas e divertimentos.
        Tupã se aborreceu e fez cair uma chuva durante dias. A água subiu sem parar, e os indígenas poderiam ter fugido, mas não quiseram abandonar suas riquezas. A cidade desapareceu nas águas, mas Tupã não deixou os moradores morrerem. Sendo assim, continuaram a viver debaixo das águas. Quem passa por perto do local onde existia a vila, diz ouvir galos cantadores dentro do rio. Daí o nome Sapucaia-Oroca. Significa "galinheiro".
        Poucas lendas dão detalhes a respeito da vida cotidiana em Sapucaia-Oroca, após a grande enchente. Algumas falam que a vida voltou a seguir como antes, com trabalho diário para todos, e festividades apenas em alguns dias do ano. Essas lendas também falam que Sapucaia-Oroca era governada por uma princesa indígena, responsável por tecer fios de algodão; os “guarda-costas” dessa princesa eram dois peixes enormes e mal encarados, e aparentemente a vigia da cidade inteira era tarefa não apenas dos guerreiros, como também de outros peixes gigantes.

8-Salamanca do Jarau.

                   


        Continuando nossa jornada, passaremos pelo Rio Grande do Sul, para conhecermos a lenda mais famosa da região, descrita no livro Lendas do Sul, de Simões Lopes Neto, talvez o maior escritor tradicionalista nascido nessa terra. Essa lenda começa com uma princesa moura fugindo da Península Ibérica, após as últimas guerras contra portugueses e espanhóis. Alguns mouros rumaram até as Américas, como foi o caso dessa princesa, e o terrível Anhangá, um dos deuses mais maléficos da mitologia tupi, a transformou em uma teiniaguá (“lagartixa”, em tupi) com uma pedra preciosa na cabeça.
        A caverna onde a princesa moura se escondia tinha o nome de Salamanca do Jarau, e ficava próxima a uma povoação pequena. Em um dia muito quente, um sacristão jovem foi beber perto do rio, e encontrou a teiniaguá por perto; após levar o animal com a pedra preciosa para a igreja, a princesa se revelou em sua forma verdadeira e pediu vinho ao sacristão. No entanto, os dois foram flagrados pelo padre, que ficou furioso com o roubo do vinho da igreja, e tiveram de se esconder na Salamanca do Jarau, onde ficariam presos até que alguém os libertasse da maldição.




        Passaram-se duzentos anos, e a caverna virou uma espécie de “atração local”, onde era garantido um desejo a quem tivesse coragem de passar pelas sete provas. Essas sete provas eram desafios bem variados, dignos de um videogame:
        1-Trecho cheio de cobras.
        2-Caminhos estreitos com fogo em volta.
        3-Gruta cheia de pumas e jaguares furiosos.
        4-Floresta cujas árvores possuíam espadas e facas no lugar das folhas.
        5-Poço de água fervente.
        6-Trecho com esqueletos vivos.
        7-Gruta com anões armados.
        O primeiro a superar esse desafio casca-grossa foi um peão gaúcho, mas ao alcançar a câmara onde se escondiam a princesa e o sacristão, já idosos após muito tempo, ele não soube o que pedir, pois havia passado pelos perigos apenas em busca de um bom desafio. Como lembrança de sua passagem, o gaúcho recebeu uma moeda mágica do sacristão; essa moeda se multiplicava ao ser arremessada no chão, e em pouco tempo o gaúcho ficou rico.
        A vida seguiu tranquila para ele, até o dia em que peões invejosos começaram a se perguntar de onde vinha sua riqueza. Não demorou até um boato maldoso se espalhar entre as vilas, afirmando que o gaúcho da moeda tinha pacto com o Mal, e todos começaram a evitá-lo. Sentindo saudade da vida que tinha antes, o gaúcho decidiu devolver a moeda ao sacristão e à princesa, e com isso ele os libertou da maldição da Salamanca do Jarau, assumindo a forma de um casal de belos jovens, mais uma vez. A história termina afirmando que boa parte do povo gaúcho descende do sacristão e da princesa.

9-Mistério da Pedra da Gávea.



        Nossa próxima lenda nos levará ao Rio de Janeiro, pois até a “Cidade Maravilhosa” esconde seus segredos entre os morros. Mas para explorarmos melhor a lenda, precisamos conhecer o nosso cenário, a Pedra da Gávea. Os portugueses deram esse nome à singular formação porque de longe ela lembrava uma gávea, o cesto no topo dos mastros das caravelas de onde se observava ao longe. No entanto, muitos moradores do Rio de Janeiro comentavam desde a época colonial que uma das faces da pedra lembrava uma “esfinge”, com uma barba e uma coroa chamativa. Em 1830, o imperador Pedro I do Brasil também comentou sobre essa estranha semelhança, em uma de suas memórias.
        Durante o Século XIX, os historiadores já sabiam que os fenícios empreenderam viagens em torno da costa africana, e surgiu a hipótese de um grupo deles ter desembarcado no continente americano. Versões mais detalhadas dessa história afirmam que a esfinge é o túmulo de um rei fenício exilado, chamado Badhezir. Ele e seus seguidores teriam fugido e se abrigado na baía do Rio de Janeiro, formando uma civilização que durou mil anos, até sumir misteriosamente. Algumas versões da lenda falam até em portais dimensionais escondidos sob a Pedra da Gávea, capazes de ligar o nosso mundo a uma terra cheia de monstros, bruxos e ancestrais da humanidade.


        A prova principal da existência dessa civilização fantástica seria uma série de inscrições localizadas na lateral da “coroa” da “esfinge”, onde estaria escrito “Badhezir, filho de Jethbaal, Rei dos Fenícios”. Essa teoria desaba na atribuição da obra a um “Rei Fenício”, pois os habitantes dessa região não denominavam a si mesmos fenícios, sendo este um nome dado pelos gregos. É provável que as inscrições tenham sido forjadas por algum pesquisador que almejava validar sua teoria dos colonizadores fenícios.
        A teoria que os fenícios tenham desembarcado aqui não é a única a atribuir a presença de viajantes da Antiguidade às origens do Brasil: Os celtas da Irlanda possuíam uma lenda sobre uma ilha chamada Hy Brazil, localizada em algum lugar do Oceano Atlântico, verdadeiro paraíso terrestre com animais e habitantes estranhos. Curiosamente, “Brazil” até hoje é um sobrenome comum entre os irlandeses.
        Verdadeira ou não, é inegável que a lenda da Pedra da Gávea inspirou diversas mídias, tais como alguns filmes brasileiros, como “Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa”, e os “Trapalhões na Terra dos Monstros” (eu recomendo esse segundo filme, a quem tiver a chance de assistir, até porque foi o último trabalho do já falecido Zacarias). Até mesmo propagandas foram inspiradas pela história, como esta do uísque Johnny Walker:




                    https://www.youtube.com/watch?v=_2cA63D3QMU


10-Akakor.



        E terminaremos nossa lista com outra cidade mística perdida no meio da Amazônia, possivelmente no Acre, na fronteira com o Peru. Relatos de cidades antigas em ruínas no interior da selva não são incomuns, mas e o que dizer de uma civilização de alienígenas, cuja origem precede a espécie humana? E que também construiu um império majestoso, capaz de lutar contra a Atlântida mítica?
        Os relatos sobre a cidade de Akakor são variados, porém a maior parte deles coincide em alguns pontos: a civilização akakoriana teria surgido 13.000 anos antes de Cristo, por meio de homens estranhos vindos das estrelas, com pele clara e cabelos e barbas azuis, além de possuírem seis dedos nas mãos. Esses “colonizadores” se relacionaram com as tribos que já existiam na região e deram origem a outra raça.








        Algumas versões da lenda de Akakor também falam em outras cidades, chamadas Akanis e Akahim. Akanis estaria localizada no México, enquanto Akahim ficava na Venezuela. Não é especificado se Akakor era aliada de Akanis e Akahim, ou se as três cidades faziam parte de um mesmo império, com Akakor servindo de capital, mas esse aspecto da lenda é digno de nota, pois entre as civilizações nativas das Américas, como os astecas e maias, alianças entre cidades-estados eram comuns. Ou seja, mesmo se tratando de uma lenda, é possível perceber um elemento realista na história.
        Apesar de seu poderio formidável, Akakor teve o triste destino de todos os impérios: uma série de revoltas de tribos submetidas, bem como disputas territoriais com o Império Inca no oeste, esgotou essa nação. Nos anos derradeiros, os akakorianos tiveram que lutar por sua independência contra os Incas, sob o comando de uma princesa chamada Mena. As tribos amazônicas foram tudo o que restou da civilização akakoriana, embora alguns relatos afirmem que muitos descendentes se refugiaram nos subterrâneos da terra, construindo cidades quase tão majestosas quanto Akakor.
        A maior parte do que sabemos sobre a lendária Akakor se deve a um jornalista e explorador alemão chamado Karl Brugger, autor do livro Die Chronik von Akakor (“As Crônicas de Akakor”). Brugger escreveu que viajou no alto Purus com um índio chamado Tatunca Nara, um suposto descendente akakoriano, e seus relatos causaram furor no meio científico, embora a existência de Akakor não tivesse sido efetivamente provada.
        Seja como for, a Amazônia continua sendo fonte de mistérios, e existem diversos relatos de aviadores a respeito de “óvnis”, “pirâmides” e “torres” bem no meio da selva. Os autores desses relatos provavelmente avistaram instalações militares temporárias e acharam se tratar de evidências de uma cidade perdida na selva, mas se levarmos em conta a extensão da Amazônia, cujo tamanho supera vários países, podemos dar um voto de confiança para esses aviadores... O mistério continua...



Texto escrito por Mateus Ernani Heinzmann Bulow



Capa do Livro do Mateus 


**O escritor desta postagem é gaúcho, Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Santa Maria (FADISMA), escritor, poeta e autor do Livro "Taquarê: Entre a Selva e o Mar." 

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                    https://www.youtube.com/watch?v=XFpiUL97u3I




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