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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

A vocação do escritor e o início da escrita. Como começar a escrever?

A vocação do escritor e o início da escrita. Como começar a escrever?

           
                                 

   Olá, pessoal! Hoje eu vou inaugurar a coluna "Literatura em Ação" aqui no blogue. Trata-se de uma coluna com uma série de textos com dicas e conselhos para jovens escritores. Vale salientar que esses textos também serão comentados no Podcast "Literatura em Ação" disponível no YouTube e no Spotify. Nesse Podcast, eu e o colunista Mateus Bülow vamos abordar assuntos sobre o universo da escrita com o intuito de incentivar o jovem escritor a lapidar os seus talentos e a perseverar no caminho da literatura. O primeiro texto da minha nova coluna literária aqui no blogue abordará o início da escrita e os primeiros sinais mais inspiradores da vocação de escritor. Boa leitura!


A vocação do escritor e o início da escrita. Como começar a escrever?

                        

        Existe uma pergunta que ronda a cabeça de muitos jovens escritores: Qual é a diferença entre profissão e vocação? A profissão é a carreira que escolhemos livremente para desenvolver uma atividade e receber uma remuneração através dela. Podemos mudar de profissão segundo as nossas necessidades pessoais, o mercado de trabalho e a nossa vontade. A vocação é mais do que a simples profissão do indivíduo, pois a vocação é um chamado que engloba toda a sua vida, a sua missão na sociedade, os seus cinco sentidos, as suas aptidões psíquicas e o sentido mais profundo da sua existência. 
       A vocação é o encontro perfeito entre o que você ama fazer e o que as pessoas amam receber de você. A vocação é um encontro entre o que você tem prazer de fazer por causa de suas habilidades naturais e o que a sociedade mais precisa ganhar de você. A vocação é o encontro entre o que você tem de mais precioso para oferecer à sociedade e o que a sociedade mais precisa de você.
        Na vocação, você ganha não somente remuneração, mas satisfação pessoal. Ressalta-se que, na vocação, a sociedade também ganha valiosos efeitos, porque as suas habilidades também são luzes nos caminhos de outros indivíduos. Por exemplo, um professor competente e bem vocacionado é uma luz na vida dos seus alunos, porque está contribuindo com a formação intelectual deles através dos seus dons didáticos e educacionais. Um padre bem vocacionado é uma luz na vida da igreja e dos fiéis, porque realmente está cumprindo a sua missão ao orientar bem o povo da igreja. Um médico bem vocacionado leva mais cura, saúde e bem-estar para os seus pacientes. Um advogado bem vocacionado ajuda a construir uma sociedade mais justa. Um cozinheiro bem vocacionado proporciona ótimas experiências para o nosso paladar e assim por diante. 
              Muitas pessoas ficam confusas na hora de decidir por uma atividade, porque têm baixa autoestima e não confiam em si mesmas nem nas próprias habilidades. Outras pessoas ainda se sentem perdidas, pois não conseguem encontrar a sua missão no mundo e acham que não servem para nenhuma atividade. Existem ainda aquelas pessoas que se sentem ansiosas, porque gostam de várias atividades diferentes e não conseguem focar e perseverar em uma única atividade. Se você se sente confuso quanto à vocação, aconselho você a procurar um psicólogo para fazer testes vocacionais e trabalhar o seu autoconhecimento e a sua autoestima. Para descobrir a sua vocação, você precisa estar em contato com a própria alma e ter consciência da sua própria essência interior. 
                 O problema da maioria das pessoa é falta de autoconhecimento, pois muitas pessoas ficam no "piloto automático" do cotidiano e esquecem de observar com mais calma e espírito crítico a sua vida e o que se passa em seu interior. A primeira dica valiosa na descoberta da vocação é prestar atenção em si mesmo e nos seus cinco sentidos: visão, audição, tato, olfato e paladar. Os nossos cinco sentidos são dádivas da natureza que, infelizmente, ficam esquecidos na correria superficial e ansiosa do cotidiano. 

                          
            Você só será capaz de descobrir a sua vocação quando passar a desacelerar e a aproveitar as sensações e as reflexões inspiradas pelos seus cinco sentidos. Quantas pessoas se esquecem de saborear os alimentos, visto que comem rápido e mexendo no celular? O celular atrapalha o aproveitamento pleno da vida e prejudica as nossas descobertas de autoconhecimento. Afaste-se das distrações e da correria da vida e simplesmente preste atenção em si mesmo com honestidade e profundidade. Seja honesto consigo mesmo e pergunte a si mesmo sobre o que você gosta. Pergunte a si mesmo também sobre quais são as suas habilidades. 

                Nesse processo de autoconhecimento, esqueça a insegurança. Todo mundo tem uma estrela dentro de si, uma habilidade oculta, um talento nato e uma paixão adormecida. Ninguém é inútil na natureza. Tudo na natureza possui uma função e dá uma contribuição para o sistema do ciclo da vida. Preste mais atenção em si mesmo e no seu temperamento. De que forma você pode lapidar o seu temperamento e as suas habilidades para que eles tenham utilidade e brilho dentro de uma vocação? Faça essa pergunta a si mesmo e anote as boas sugestões despertadas sutilmente pela sua intuição mais profunda. 
                    Você já ouviu falar da teoria dos quatro temperamentos? Talvez a descoberta do seu temperamento predominante possa ajudá-lo a descobrir a sua vocação. Sempre existe aquela atividade certa para você que combina com o seu temperamento e com as suas características psicológicas. Existem quatro temperamentos: o melancólico, o fleumático, o colérico e o sanguíneo. Dependendo do seu temperamento predominante, existem algumas vocações que são mais prováveis para você. Por exemplo, a personalidade forte do colérico combina com posições de liderança na vida empresarial ou militar. A sensibilidade do melancólico, por sua vez, inspira habilidades para as artes e também para a filosofia. 
                   Quanto à relação entre a vocação e os cinco sentidos, eu diria que tudo começa pelo olhar. Uma pessoa com vocação para dentista vai reparar nos dentes e no sorriso de todos antes de qualquer outra coisa. Uma pessoa com vocação para psicologia, por sua vez, vai observar mais atentamente os comportamentos emocionais de cada indivíduo, analisando psicologicamente os gestos, as expressões e a linguagem de cada pessoa. Assim também ocorre com o escritor. Descobrimos a nossa vocação de escritor quando os nossos olhos veem a oportunidade de contar uma boa história em cada situação da vida. 
                      O primeiro sentido inspirado no escritor é a visão. Um escritor tem a visão diferente das outras pessoas. O escritor tem um olhar mais sensível para captar a "alma" de cada situação e perceber que cada pessoa pode ser um "personagem" fascinante na teia dos acontecimentos da vida. Um escritor costuma ter um olhar cheio de empatia que consegue se colocar no lugar de cada pessoa em cada situação. O olhar do escritor abrange diversas perspectivas, e tudo o que ocorre ao seu redor é transformado em "gatilhos" criativos dentro de sua mente. 
                  Para o escritor, a vida é uma grande história sendo escrita pelo destino e pelo nosso livre-arbítrio e todos nós somos personagens nas mãos de Deus ou do acaso em um grande e misterioso "palco". Para o escritor, cada história de vida seria digna para virar um livro. Afinal, se podemos registrar por escrito e tornar as histórias eternas, por que não fazer isso? A vontade de registrar a vida e os seus aprendizados é inata na alma de um escritor vocacionado. 
                 Quando você tem a vocação para ser escritor, o seu olhar é diferente. Você passa a ler os livros com olhos diferentes. Eles deixam de ser apenas fonte de cultura e entretenimento e passam a ser os seus mestres. Você lê uma história já pensando em como seria bom se você criasse uma história parecida. Você passa a ter olhos mais profundos para captar a inspiração do escritor por trás daquela história. Você deixa de ser um mero leitor e passa a ter um olhar mais "técnico", reparando na construção do enredo e na configuração da linguagem. Você passa a analisar o que tem por trás da construção de uma história, almejando aprender a construir uma história também. 
                   Quando uma pessoa com vocação para a escrita assiste a um filme, ela analisa o rumo dos acontecimento e passa a ter uma visão mais crítica e reflexiva sobre o roteiro e a atuação dos personagens. Seu olhar tem inspirações artísticas e técnicas naturalmente mesmo que ela não tenha conhecimentos técnicos de cinema. Uma peça de teatro inspira quem tem vocação para escritor a pensar sobre a criação de novas histórias. 
               Até mesmo uma telenovela desperta o olhar de uma pessoa com vocação para a escrita sobre a qualidade de um roteiro. Tudo vira fonte de inspiração para o olhar de um escritor vocacionado. Algo curioso no olhar de um escritor é a habilidade de formar metáforas em sua mente. Por exemplo, o escritor (principalmente o mais poético) vê uma mulher bonita com cabelos pretos e vestido branco e imediatamente fantasia uma metáfora da beleza da lua cheia vestida de branco e iluminando o céu noturno. O raciocínio do escritor tem o costume de misturar vida real com fantasia, pois metáforas, imaginações e analogias surgem mais facilmente em uma mente com vocação para a escrita. Ele vê uma pessoa na rua e fica imaginando como é a sua vida, quais são os seus sentimentos e como aquela pessoa poderia ser uma personagem de uma história interessante dentro da sua cabeça. 

                      
                  O segundo sentido inspirado no escritor é a audição. Quem tem vocação para escritor percebe a audição de maneira diferente. Quem tem alma de escritor revela prazer em ouvir histórias desde pequeno. É aquele neto que não se cansa das histórias do passado da sua avó e sente até mesmo satisfação em ouvir várias vezes a mesma história para perceber novos detalhes. O escritor vocacionado é aquele que ouve uma música prestando atenção na poesia da letra. Salienta-se que é um hábito muito comum, na vida de escritores vocacionados, sonhar acordado enquanto ouve uma música. Sonhar acordado com histórias fictícias na cabeça talvez seja um dos primeiros "sintomas" mais fortes dentro da vocação de um escritor. O escritor tem a audição aguçada. É aquele que ouve os diálogos das pessoas na rua e, mesmo sem conhecer ninguém e não entender sobre os assuntos, ele imagina como aqueles diálogos seriam interessantes dentro de uma história. Nem o mais leve cochicho passa despercebido para o ouvido atento de um escritor. 
                        O terceiro sentido inspirado no escritor é o olfato. O escritor vocacionado sente o cheiro de um bolo e já associa o cheiro com sentimentos e memórias da sua infância. Depois, vem a súbita vontade de escrever um texto sobre a sua infância ou até mesmo uma poesia no estilo da poesia "Meus oito anos" de Casimiro de Abreu (Oh! Que saudades que tenho. Da aurora da minha vida. Da minha infância querida...). O escritor vocacionado sente o perfume de uma flor e já fica com a vontade de criar versos, especialmente se ele também sente vocação para a poesia. O escritor vocacionado sente o perfume da mulher amada e fica inspirado para escrever uma poesia romântica. Até mesmo os cheiros e os perfumes trazem sensações poéticas que inspiram o escritor a criar novas metáforas. 
                           O quarto sentido inspirado no escritor é o paladar. O escritor vocacionado percebe o sabor de um alimento e já sente uma inspiração diferente. Ele bebe um vinho pensando em poesia. Ele não quer o vinho para ficar embriagado, mas sim para ficar poético e inspirado. Logo, o vinho aguça memórias românticas e sentimentos poéticos. É aquele que coloca um papel e uma caneta do lado da taça de vinho para escrever algo caso fique inspirado. A doçura do mel é sentida com  a reflexão sobre as doçuras da vida enquanto o alimento amargo é comparado com os desafios duros do cotidiano. O escritor vocacionado também tem uma mente filosófica que naturalmente gosta de pensar na vida com profundidade não somente através do raciocínio lógico, mas também a partir de metáforas poéticas. 
                              O quinto sentido inspirado no escritor é o tato. Por ser uma pessoa mais "mental" e por passar mais tempo com as ideias dentro da sua cabeça do que nas sensações do tato na vida real, o escritor demora a perceber o tato como um sentido que auxilia na sua inspiração e vocação. Mas, quando esse sentido desperta, ele desperta com muito poder no escritor. O escritor sente a água do banho na pele e já pensa em escrever uma cena com chuva e cachoeira. Ele sente um tecido macio em suas mãos e fica inspirado a criar metáforas sobre essa sensação. Todos os sentidos do escritor chamam a sua mente para criar e as suas mãos para escrever. 
                             A vocação é um chamado e, nesse chamado, todos os nossos cinco sentidos ficam em alerta. A palavra vocação vem do latim vocare que significa chamado. Mas, não basta sentir o chamado para escrever, é preciso arregaçar as mangas e escrever tudo aquilo que a cabeça imaginativa está pensando. Muitos não têm iniciativa para escrever por falta de autoconfiança, o que faz com que sociedade tenha a perda de vários escritores talentosos e vocacionados. Muitos não acreditam no próprio chamado e não se sentem dignos para a carreira de escritor, mas todo aquele que sente o chamado é digno da sua vocação. 

                   
                    Todo início vocacional requer um delicado equilíbrio entre humildade e autoconfiança. Devemos ser humildes para saber que precisamos de tempo para crescer dentro da nossa vocação e que é preciso muito trabalho e prática para alcançar uma boa qualidade na nossa atividade por mais que sejamos vocacionados e talentosos. Mas também devemos ser autoconfiantes para responder ao chamado vocacional e para saber que somos dignos do nosso chamado e que temos o nosso valor e a nossa importância dentro da nossa atividade. Se somos chamados para a escrita, isso naturalmente simboliza que somos capazes de escrever e que temos sim "alma" de escritor. 
                   Todo início vocacional também requer a nossa entrega absoluta ao chamado. Não pense em como será a opinião das pessoas sobre a sua escrita, não fique refletindo se você será um escritor de sucesso ou não nem especule o que virá depois que você aceitar o seu chamado. Entregue-se "cegamente" ao seu chamado e deixe a própria vocação ser a "professora" do seu destino. Simplesmente escreva e confie no desenvolvimento da sua escrita através da prática.
                 Quando falo sobre "vocação", "chamado" e "entrega absoluta", parece que estou fazendo referência à vocação religiosa (risos). Mas não estou fazendo referência à vocação religiosa e sim às vocações em geral, especialmente à vocação literária. Alguns poderão "torcer o nariz" quando ouvirem sobre a "entrega cega" ao chamado, porque vivemos em uma sociedade que gosta de pesar tudo com especulações e ter controle sobre tudo. É por isso que vivemos em uma sociedade ansiosa. Uma das maneiras de combater a ansiedade, no início da vocação, é entregar-se ao fluxo natural do seu chamado sem especulações. Faça a sua parte para ser um bom escritor: leia bons livros (um bom escritor deve ser um bom leitor necessariamente), estude a gramática, tenha respeito pela língua portuguesa e seja atencioso com a sua escrita. Entretanto, é interessante que você deixe o destino fazer a parte dele e que a sua própria vocação desabroche naturalmente e faça a parte dela. 
                  Muitas vezes, na nossa existência, precisamos colocar a razão acima da emoção para proteger a nossa vida, ter controle sobre os nossos atos, maturidade e responsabilidade. Contudo, existem situações peculiares onde as especulações da razão só atrapalham o nosso rumo e que sentimos a necessidade de colocar a intuição acima da razão para deixar que a intuição revele um caminho novo em nossa vida. 
             A vocação é uma dessas situações que requer a intuição como a nossa principal estrela-guia. Todos os inícios vocacionais exigem a nossa entrega absoluta, o nosso voto de confiança e até mesmo um impulso "cego" para que as nossas primeiras "sementes" vocacionais germinem em um território novo e desconhecido. Sem esse "impulso cego" e um ímpeto de coragem e autoconfiança, não conseguiremos iniciar nada diferente e especial. O início da escrita precisa de um "impulso cego", uma obediência "cega" ao seu chamado que leva você a transformar os seus pensamentos em palavras. 
            Não fique especulando se você é capaz de transformar pensamentos em palavras. Apenas siga o impulso de escrever, escreva e confie no seu chamado. As palavras sairão naturalmente de você e seguirão o seu próprio fluxo. Até mesmo a história de um livro segue misteriosamente o seu próprio fluxo, e muitos escritores relatam que apenas registraram o que a história "pedia" e que se sentiam viajando no desconhecido ao escrever. Não se preocupe com perfeição no início. 
              O perfeccionismo e a insegurança só atrapalham o impulso inicial da vocação. É nobre a preocupação com a sua evolução e qualidade da escrita, mas saiba que a sua evolução e a sua qualidade literária apenas virão com a prática e o tempo. Quanto mais você escrever, mais a sua escrita será aperfeiçoada. O aperfeiçoamento é natural e surge ao longo do caminho. Esqueça a ansiedade e entregue-se ao fluxo natural da sua própria vocação. Não seja inseguro nem deprecie a si mesmo. Se você foi chamado a escrever, você tem o seu valor. Portanto, esqueça a insegurança e seja ousado e criativo. Na vida, precisamos de boas doses de ousadia, criatividade e entusiasmo para iniciarmos o caminho de uma vocação. Todo início requer aquela energia da autoconfiança da juventude, não importando qual idade você tenha no momento.  

  
                      Como começar a escrever? A resposta é óbvia: escrevendo. Anote suas ideias, pensamentos e sentimentos em blocos de notas, agendas e cadernos. Sinta prazer no ato de escrever, deixe que o ato de escrever seja um momento só seu e entregue-se à escrita. Perceba a magia da escrita e siga a sua intuição naturalmente. Eu comecei a escrever textos e poesias em cadernos. Comecei a escrever à mão e depois passei a escrever no computador, utilizando o teclado para digitar os meus textos. Sugiro que você experimente as duas formas de escrever: escrever à mão pode instigar o fluxo entre pensamentos e palavras escritas no papel e escrever no computador ajuda o escritor a estruturar melhor o seu texto. Você vai sentir naturalmente o impulso de escrever se tiver vocação, razão pela qual eu sugiro que você sempre tenha caderninhos, blocos de notas e canetas à disposição.
                      Anote tudo o que surgir em sua mente sem especulações, pudores e dúvidas. Não bloqueie o seu fluxo criativo, porque é importante você deixar passar tudo o que estiver em sua mente para concretizar em palavras escritas os seus pensamentos. Depois, você filtra o que escreveu e estrutura melhor as suas ideias. Contudo, é interessante que, no início da sua vocação, você apenas deixe "fluir" com curiosidade e entusiasmo a sua escrita. Escreva poesias (a inspiração da poesia é inexplicável e só o poeta sabe identificar), escreva histórias e tenha o costume de ter um diários com os seus pensamentos e sentimentos do dia. 

                          
                    Não se preocupe inicialmente em revelar a sua escrita e em revelar os seus textos para as pessoas. Comece a escrever em segredo e deixe o seu talento crescer na discrição. Sobre a revelação dos seus textos para o mundo, eu comentarei na próxima oportunidade. Nem sempre os seus primeiros rascunhos de histórias serão os seus primeiros livros publicados. Você precisa ter paciência para desenvolver a sua escrita e aperfeiçoar a sua vocação com o tempo. No início, tudo o que você precisa fazer é desenvolver o hábito de transformar pensamentos e sentimentos em palavras escritas. Tire as ideias da cabeça e estruture os seus pensamentos no papel através da escrita. Um bom escritor é um alquimista, um mago que transforma invisíveis pensamentos e sentimentos em palavras visíveis e compreensíveis. No início, entregue-se à escrita e deixe o processo criativo fluir. As inspirações vão naturalmente trazer palavras para você. Deixe a sua caneta ser a "espada" desbravadora que abre novos caminhos de inspiração para você naturalmente.  
                        Início não combina com perfeição. Muitas vezes, ideias boas virão mescladas com ideias ruins e isso faz parte do fluxo dos pensamentos criativos. Você precisa aprender a garimpar as suas ideias, sendo esperto para encontrar o "ouro" das ideias boas nas águas turvas e desconhecidas da sua mente. Ainda comentarei sobre outras fases do processo criativo, mas hoje eu resolvi  focar na fase inicial da vocação. 
                     Já que escritores e poetas amam metáforas, usarei metáforas poéticas para explicar o início de uma trajetória vocacional. Todo início é como uma mata densa, desconhecida e escura que você enfrenta com um lampião e uma espada. O lampião é a sua vocação, que guia você no escuro de uma nova atividade, e a espada é a sua determinação em obedecer ao chamado da sua vocação e desbravar o caminho apontado pela luz do seu chamado. Não basta sentir o chamado da vocação, é preciso que você aceite o chamado e tenha um espírito corajoso, guerreiro, autoconfiante e determinado. 
                    Você precisa se entregar à vocação e lutar para desbravar o caminho que ela aponta. No início, a sua espada vai rasgar trechos da mata para desbravar o caminho. É natural que esses primeiros "rasgos" não sejam perfeitos, mas é importante que você saiba desbravar com coragem e continue desbravando o seu caminho. Somente a prática e o tempo vão dar experiência para você aperfeiçoar os seus passos nesse novo caminho. No início, é natural que você tropece, erre e cometa imperfeições. Afinal, você está andando no escuro de uma mata densa e desconhecida. Somente o tempo pode trazer luz e entendimento no seu caminho. Contudo, a energia guerreira e o ímpeto de desbravar são essenciais em todo e qualquer início. 
                            Comecei a escrever poesias com 16 anos. Hoje eu tenho 28 anos e as minhas poesias são bem melhores. Se você comparar as primeiras poesias que eu escrevi com as últimas, você verá o quanto eu estou escrevendo melhor e o quanto a minha escrita evoluiu com o tempo. Se você comparar qualquer texto antigo de um escritor com o seu texto mais recente, você verá o quanto ele evoluiu com o tempo. Somente o tempo e a prática podem lapidar o seu talento e aperfeiçoar a sua escrita. Isso vale para qualquer obra de arte também. Se você olhar para a primeira pintura de um artista, você verá que ela ainda não tinha a mesma qualidade das suas pinturas atuais apesar de já carregar talento e os traços do seu estilo. O início serve para despertar o seu talento e desenvolver o seu estilo. 
                          Não se preocupe com o português perfeito no início. Apenas seja prudente e evite cometer erros muito grotescos de português. É normal cometer um pequeno erro ou outro de português no início. É essencial que você tenha atenção para desenvolver uma linguagem charmosa, agradável, autêntica e estruturada que respeite o bom português. Para evitar erros grandes de português, estude gramática em livros de Português ou até mesmo no Google. Quando estiver em dúvida sobre a forma correta de escrever uma palavra, procure essa palavra no dicionário ou no Google. 
                         Nunca acrescente uma palavra em seu texto se você tem dúvida sobre a grafia e o significado dela. Não tenha preguiça de pesquisar sobre a grafia e o significado das palavras. Hoje em dia, o Google tira as nossas dúvidas em segundos. Na minha época, eu tirava as dúvidas através do dicionário. 

                 
                       O dicionário é o seu melhor amigo no início e pode ser o seu melhor amigo para o resto da sua vida literária. Tenha também o hábito de folhear o dicionário e buscar palavras novas por curiosidade, pois isso vai desenvolver o vocabulário da sua escrita. É bom você ampliar o seu vocabulário e conhecer palavras mais sofisticadas para tornar a sua escrita mais elegante. Um caminho equilibrado entre a linguagem formal e a coloquial pode ser uma boa ideia para o início da sua escrita. É interessante que o seu texto seja elegante e, ao mesmo tempo, compreensível para o leitor. 
                       É recomendável que você procure um professor de Português para pedir conselhos a respeito de gramática e estilo de escrita. Se eu pudesse direcionar algum conselho para o jovem escritor, eu diria que o estudo do uso da vírgula e o estudo das conjunções são os mais importantes para um escritor iniciante. Saiba colocar a vírgula no lugar certo e saiba usar bons elementos de ligação entre as suas frases para investir no desenvolvimento da sua escrita. 
                       Por fim, eu diria que cada um deve descobrir o caminho da sua vocação por si só. Nesse caminho, não existe mapa, mas apenas a sua coragem (espada) e a luz da sua vocação (lampião). Enfrente a mata densa e desconhecida do terreno literário e seja feliz. A vida é muito curta para não abraçarmos com entusiasmo a nossa vocação. 
                       A vocação dos escritores pode ser muito nobre, pois, além de levar entretenimento e cultura, a escrita bem inspirada por uma vocação legítima também pode levar sábias reflexões morais através das histórias contidas nos livros para a sociedade (comentarei sobre a missão nobre da escrita em outra oportunidade). Um escritor bem vocacionado é um presente para a sociedade, visto que instiga o ciclo da cultura, forma novos leitores, consolida a inteligência de um povo e até inspira o surgimento de novos pensadores e escritores. Ouça o seu chamado e siga o fluxo da vida. Que tal tentar escrever o seu primeiro texto ou a sua primeira poesia hoje? Que tal seguir as inspirações dos seus cinco sentidos? Confie na sua vocação e tenha coragem para desbravar o que ela apontar pelo caminho. 


Texto escrito por Tatyana Casarino. Especialista em Direito Constitucional, advogada, escritora e poetisa. 


terça-feira, 14 de julho de 2020

TPM: A professora da mulher para novos significados de autoestima.


  TPM: A professora da mulher para novos significados de autoestima. 

Olá, pessoal! Esse é mais um texto sobre Sagrado Feminino que escrevo aqui no blogue. Boa leitura!

                   


   Os nossos defeitos, no período menstrual, afloram em grandes dimensões. Sentimos culpa pelo estresse incompreensível e pelos ataques de descontrole emocional que surgem com mais frequência na Tensão Pré-Menstrual (TPM). Umas mulheres colocam toda a culpa na TPM e outras puxam toda a culpa para si mesmas, mas nenhum dos dois caminhos é saudável. Será que existe um caminho equilibrado onde admito a responsabilidade diante das minhas atitudes na TPM, evoluo com consciência e, ao mesmo tempo, pratico a autocompaixão tão necessária nesse período? 
   Culpar a TPM e não olhar para a própria responsabilidade seria um equívoco infantil, mas puxar toda a culpa para si (detonando a própria autoestima) não conserta os nossos erros. A culpa leva ao desespero emocional e o desespero somente atrai mais erros. A única maneira de corrigir verdadeiramente os nossos erros é aceitar os nossos defeitos, amar as nossas imperfeições e ter a consciência de que estaremos à flor da pele na TPM. Somente teremos força e energia para corrigir os nossos erros com o amor-próprio, a autocompaixão e a luz da consciência. A culpa e o desespero apenas sugam as nossas energias, impedindo a alma de mudar e levando a mulher a cometer mais erros em um círculo vicioso.  
      Em verdade, a mulher fica mais conectada com o mundo espiritual na TPM e mais vulnerável aos ataques psíquicos e espirituais. Por isso, é preciso redobrar a vigilância e a oração. Quase todo equívoco cometido na TPM é decorrência da falta da devida vigilância ou da oração que harmoniza a alma. Não é à toa que a alma da mulher é mais inclinada ao místico do que a alma cética dos homens -- as mulheres sabem que precisam rezar mais, porque o céu e o inferno disputam a sua presença mais ardentemente desde Eva. 

             

       

             Não podemos culpar as mulheres se elas ficam irritadas, sérias e tristes na TPM. Imagina só, em uma hipótese absurda e em um mundo paralelo, se meninos engraçados menstruassem? Teríamos uma série de condutas obscenas, episódios de humor sádico, gracinhas mal-educadas com o sangue e a banalização desse período sagrado. A menstruação não combina com o masculino nem mesmo com o bom humor e a alegria. É preciso ser feminina, séria, brava e melancólica para passar por esse período. 
        Não amaldiçoemos a TPM. Ela não é nossa loucura, mas nosso discernimento. Deus é perfeito. Deus criou a natureza da mulher propensa a ficar brava e triste antes de menstruar para não banalizar o aspecto sagrado desse período. Deus foi perfeito quando criou as peculiaridades psicológicas da mulher para harmonizar as suas potências biológicas. Loucura não é ficar triste na TPM sem motivo aparente. Loucura seria sangrar (ou estar prestes a sangrar) rindo a achando graça. A tristeza e o recolhimento do período menstrual são discernimento. 
           Nosso corpo se preparou para receber um bebê. Na ausência de um bebê, sangramos a potência da vida. Mesmo quando não geramos um filho, geramos vida nova dentro de nós todos os meses. Sangrar na menstruação é purificar a velha vida do mês passado e ficar nova para o próximo mês. 
             Mesmo quando não geramos um filho, geramos uma vida nova -- ainda que seja uma vida nova para nós mesmas. A mulher está sempre nascendo de novo. Diante disso, é completamente natural receber uma nova vida com nervosismo e choro. Se, ao sangrarmos, estamos recebendo nova vida, é natural ficarmos tensas antes da vida nova chegar. Um bebê, quando nasce, não chega sorrindo para a vida -- ele chora, fica nervoso, sente dor ao respirar pela primeira vez e sente saudade do útero materno. 
             O choro faz parte da nossa essência mais primitiva. Quando estamos diante de um novo ciclo, ainda que seja um ciclo bom, a vida nova causará nervosismo. Pode parecer incompreensível, mas, antes de receber nova vida, é completamento natural chorar. A mulher vive mais que os homens estaticamente. Motivos científicos devem explicar isso, mas espiritualmente a renovação das potências de vida dentro de uma mulher são mais fortes -- e isso poderia explicar a nossa longevidade inclusive. 

                             

               

               A tristeza não é um estado mau em si. A tristeza na TPM pode ser discernimento. Quem rotulou a tristeza como um mau sentimento foi a nossa sociedade ocidental. A nossa sociedade ocidental é a que mais recrimina a tristeza e, no entanto, é a mais depressiva -- eis a hipocrisia da nossa sociedade. A sociedade vende drogas lícitas, ilícitas, remédios psiquiátricos e outros falsos bálsamos para abafar a tristeza quando, em verdade, deveríamos abraçar a tristeza. Somente através da aceitação da tristeza é que podemos alcançar a verdadeira felicidade. A pessoa verdadeiramente madura emocionalmente é a que sabe lidar de maneira sábia com os seus sentimentos ruins e não aquela que se força a estar bem o tempo todo. 
             Além do mais, a verdadeira felicidade da alma não é a ausência da tristeza nem um contentamento eterno formado por uma alegria perene (esse tipo de estado de contentamento não existe), mas a estabilidade do amor-próprio diante das nossas falhas e vulnerabilidades. Se é possível ser feliz na TPM? Talvez não seja o período mais alegre do mês, porque ficaremos amuadas, melancólicas, irritadas e mais vulneráveis. Mas, se ao invés de cairmos em cobranças perfeccionistas típicas de nosso lado crítico feminino e abraçarmos a nossa sombra feminina e a nossa vulnerabilidade, é possível ter uma TPM mais confortável, lúcida, criativa, sábia e até mesmo mais emocionante positivamente.  
                  A aceitação da nossa vulnerabilidade e da nossa sensibilidade talvez seja a nossa verdadeira força. Pode ser que nossa maior força não esteja na superação, mas na resignação diante do nosso lado "sombra" (o conjunto de defeitos e vulnerabilidades que fica aflorado na TPM). Todo sentimento que chega até nós não é bom ou mau em si -- todo sentimento é simplesmente um mensageiro. Os sintomas da TPM são apenas mensageiros que querem, em verdade, aumentar a nossa autoestima. Eles somente detonam a autoestima daquela mulher que fica desesperada diante deles por não saber amar a própria vulnerabilidade. Ficamos revoltadas quando pensamos que a TPM quer detonar a nossa autoestima. Contudo, se tivermos olhos mais profundos para ler a sua mensagem espiritual e psíquica, veríamos que a TPM quer aumentar o nosso amor-próprio. 

                            

                

              Vocês já pararam para pensar na mensagem que a TPM quer levar até a mulher? Se a TPM pudesse contar em palavras para você o que ela quer, ela diria: "Mulher, tire um tempo só para você, coloque a sua alma em primeiro lugar, abrace os seus defeitos, faça as pazes com a sua vulnerabilidade, recupere o seu poder pessoal e aceite que você não é perfeita. Ame as suas imperfeições e o seu lado sombra, porque eles também fazem parte de você". Talvez esse bilhete viesse com a assinatura de Lilith (risos), a lua negra, o arquétipo da deusa sombria do inconsciente feminino. 
            Mas, a maioria das mulheres não percebe a profundidade da mensagem por trás da TPM. A maioria não sabe que ficar mais irritada com as pessoas que costumam despertar a sua generosidade significa que a irritação apenas quer que a mulher aprenda a ter um tempo só para si. Cuidar de si mesma não é egoísmo, mas o verdadeiro bálsamo de qualquer cura emocional. A mulher é naturalmente mais generosa, mais cuidadosa com todos, mais maternal com todos e acaba se esquecendo de cuidar de si mesma. Se ela adota uma postura de esquecimento dos próprios instintos, os instintos gritarão com ela mesma sob a forma da ira, da irritação e da angústia. Às vezes, precisamos explodir emocionalmente para lembrarmos que precisamos dar atenção aos nossos instintos e às emoções da nossa alma. 
              E a mensagem mais sábia da TPM talvez seja fazer a mulher olhar para os próprios defeitos. Costumamos passar o mês colocando aquilo que nos incomoda para debaixo do tapete. Na TPM, é a hora de vermos a sujeira debaixo do tapete. Se fôssemos mais francas com aquilo que nos incomoda, talvez não tivéssemos tanto sofrimento na TPM. Mas como costumamos negligenciar a nós mesmas para agradar os outros, precisamos sentir irritação e tristeza para darmos atenção a nós mesmas. Os maus sentimentos são apenas mensageiros da necessidade de autoconhecimento, descanso emocional e amor-próprio. 
              A mulher tende a ser perfeccionista -- ela precisa se sentir bonita por fora, pacífica por dentro, agradar as pessoas, ser produtiva e fazer tudo certinho para sentir-se bem. Ocorre que não somos perfeitas. A necessidade de abraçar a imperfeição vem sob a forma de TPM. É preciso ressignificar a autoestima na TPM. A autoestima não é sobre sentir-se linda e maravilhosa todos os dias como os coaches vendem por aí -- ninguém se sente assim todos os dias. Autoestima é amar a nós mesmas com os nossos defeitos. A autoestima é achar charmosa uma cicatriz. A autoestima é consolar a si mesma quando tudo der errado. A autoestima é pensar positivo de si mesma e estar do próprio lado em seus piores dias. A autoestima está presente quando rimos das nossas falhas. 
                  Em especial, ter autoestima significa abraçar a si mesma e estar do próprio lado em todas as situações. É saber dar valor para a própria visão de mundo ainda que tenhamos respeito e empatia pelas visões e modos de viver dos outros. É saber construir as próprias convicções e falar a partir do que a própria alma sente. Autoestima é abraçar a si mesma após uma falha ao invés de se recriminar. E é provável que falharemos mais na TPM. A autoestima vem para transformar culpa em responsabilidade, corrigindo as nossas falhas com boas obras. 
                Salienta-se que a culpa teria a função nobre de corrigir falhas, porém não é isso que ela faz. A culpa acabou virando um sentimento masoquista e sufocante que detona a nossa autoestima, deprecia a nós mesmos e causa desespero na alma -- e esse desespero levará a novas falhas e novas culpas (culpa e desespero não levam a lugar algum). Para corrigir as nossas falhas, precisamos de consciência e serenidade e não de desespero. A culpa e o desespero não corrigem as falhas e acabam sendo sugadores das energias da alma. Fique com a nobre missão de corrigir as suas falhas, mas expulse a culpa de seu coração. 

                              

                

               É fácil amar as nossas virtudes. É fácil sentir-se orgulhosa após uma vitória. É fácil amar o espelho quando estamos estilosas, maquiadas e produtivas. O difícil é amar os nossos defeitos. O difícil é ter autocompaixão diante dos vícios da alma. O difícil é apoiar a si mesma após uma derrota. O difícil é amar o espelho quando estamos pálidas, com olheiras, com dores mamárias, cara lavada, cólicas, melancolia e irritação. Contudo, a maior nobreza da autoestima surge quando conseguimos estar ao nosso lado diante das nossas nossas imperfeições que gritam dentro de nós. 
                 Esteja ao seu lado. Faça um pacto consigo mesma. A autoestima é a reconciliação com a nossa própria alma, ou seja, ela é como se fosse um casamento com a nossa própria essência. No casamento, juramos amar o outro na alegria, na tristeza, na saúde e na doença. Na vida, para termos saúde emocional e maturidade espiritual, também precisamos jurar a nós mesmas que amaremos a nós mesmas na alegria, na tristeza, na saúde e na doença. 
               Não se recrimine na tristeza, não queira se castigar após uma falha e não se desespere se você sofreu uma explosão emocional na TPM. O seu pior castigo já foi a própria falha. Fique do seu lado, pois você sabe que não agiu por mal. Mas isso não significar que você "lavará as mãos" diante das falhas e colocará toda a culpa na TPM. Estar do seu próprio lado significa que você não vai desistir da vida nem desistir de si mesma por causa dos maus sentimentos que a TPM provoca em você. Estar ao próprio lado significa encarar humildemente que você é uma eterna aprendiz e que é possível corrigir as suas falhas com boas obras futuras e mais sabedoria e vigilância da próxima vez. Estar ao próprio lado significa perdoar a si mesma por suas imperfeições e continuar sentindo que merece a felicidade e a evolução espiritual. 
                O maior conselho que eu poderia dar para você, cara leitora, seria o seguinte: ame os seus defeitos. Sei que parece um conselho louco e impossível, mas ele pode ser vivido e tem poder transformador. É difícil amar os nossos defeitos, mas eles somente serão transformados de verdade a partir do amor e não da culpa. O amor tem um poder transformador extremamente produtivo na alma enquanto a culpa é puro masoquismo improdutivo. 

                            

                   

                    É o amor-próprio que transforma a nós mesmos e não a culpa nem a cobrança. A autoestima verdadeira é sobre estar ao nosso lado independentemente do que tenhamos feito na TPM e de quantas rasteiras tenhamos recebido das falhas do nosso temperamento aflorado nesse período. Devemos estar ao nosso lado até quando erramos e devemos aprender a defender a nós mesmas diante dos tropeços. 
               Precisamos ser mais "advogadas" de nós mesmas (não no sentido jurídico, mas no sentido emocional) e não acusadoras. Devemos ser mais consoladoras de nós mesmas e menos críticas de nós mesmas. Costumamos esperar amor e consolação dos outros quando erramos, mas será que damos amor e consolação para nós mesmas? Costumamos ter medo de críticas e sentir raiva quando os outros criticam a nossa vida e o nosso trabalho, mas será que percebemos que a nossa própria cabeça tende a criticar a nós mesmas?  As piores críticas são aquelas que a nossa própria cabeça cria contra nós. Portanto, precisamos aprender a amar a nós mesmas e consolar a nós mesmas após as nossas falhas. Precisamos ser nossos próprios advogados emocionais e não acusadores masoquistas de nós mesmos. 
                  Afirmo que precisamos ser nossos "advogados emocionais", porque sou advogada e gosto do termo (risos). No curso de Direito, aprendemos que todo cidadão tem direito à defesa -- mesmo o pior criminoso. Por que você não teria o direito à defesa diante das suas falhas, cara leitora? Saiba defender a si mesma! Certamente, as suas falhas na TPM são menores do que você pensa e não são nenhum crime. É verdade que cometemos mais erros na TPM e sentimos culpa por causa disso, mas devemos ser mais leves com a nossa alma. Devemos ser compassivas com as nossas falhas, porque somente o relaxamento emocional da autocompaixão trará a paz de espírito para mudar a nossa conduta na TPM, tirando a nossa alma do estresse e levando o nosso espírito para a luz da consciência. 
                  Precisamos aprender a conviver com os nossos defeitos e não abalar a nossa autoestima por causa deles, porque nunca seremos perfeitos. Não somos ilimitados, porque sempre teremos as nossas "deficiências" emocionais e feridas emocionais. Uma querida amiga com deficiência visual costuma dizer que a palavra "deficiência" é relativa e que todos nós temos as nossas limitações independentemente de sermos fisicamente "perfeitos" ou não. Em verdade, costumamos sentir amor e compaixão diante das pessoas com deficiência e somos mais compassivos com os defeitos dos outros enquanto esquecemos de sentir compaixão e amor pelas nossas próprias limitações, "deficiências" e imperfeições. 

                            

                   

                  Devemos ressaltar que existem questões onde seremos mais virtuosos e eficientes e outras questões que teremos dificuldades e "deficiências", mas não podemos sentir desespero por causa disso. Não seremos virtuosos em tudo. Sendo assim, aceite com amor as suas imperfeições e tenha compaixão por suas limitações. Ter compaixão não é ter pena, assim como ter autocompaixão não é ter pena de si mesmo. Ter compaixão é irradiar ternura e compreensão diante das limitações humanas. 
                      Vejo que está faltando mais compaixão pela natureza imperfeita do ser humano inclusive dentro dos círculos religiosos. A religião deveria ter ensinado sobre compaixão diante da limitação, mas, diversas vezes, falha com o seu dever em relação à compaixão. Grandes mestres religiosos vierem ao mundo ensinar sobre a compaixão, mas os religiosos continuam focando mais na "iluminação" do que na sabedoria dos erros. A religião virou um instrumento de evolução, santificação e perfeição que foge cada vez mais do erro e da limitação humana. Logo, a religião criou ainda mais culpa e tabus diante dos nossos erros. 
             Os espíritas pregam a compaixão e caridade, mas pregam mais ainda a evolução espiritual. Quando os espíritas erram, eles se sentem culpados como se estivessem falhando na sua própria "evolução". Eles não sabem que os erros são os verdadeiros professores da nossa evolução espiritual. Vejo cristãos com pavor do erro, da falha e do pecado. Vejo cristãos soberbos que se consideram "santos" e "iluminados", mas eles não se lembram que Jesus veio buscar os oprimidos e veio ensinar os pecadores e não os justos. 
           Vejo que muitos cristãos refletem mais os fariseus do que os próprios ensinamentos de Cristo, especialmente na hipocrisia soberba de seguir mais a forma do dogma do que a substância amorosa de Cristo no coração. Talvez a nossa culpa diante do erro seja fruto do orgulho, porque o erro mostra que somos humanos imperfeitos. Talvez deveríamos aprender mais com Santa Teresinha do Menino Jesus que defendia a humildade como a verdadeira chave da santidade. 

                      

             

           Através dos ensinamentos dessa santa, percebemos que a santidade não está em querer ser uma grande alma repleta de virtudes e realizações, mas na entrega absoluta da nossa vida à misericórdia de Deus. Somos, em verdade, pequenas almas imperfeitas que precisam dos cuidados de Deus para caminhar na vida. Não conseguiremos caminhar sozinhos devido às imperfeições da alma. É  a consciência da nossa imperfeição e da nossa necessidade de Deus a parte mais nobre da espiritualidade e não a virtude nem o anseio de perfeição, santidade ou "evolução espiritual". 
            Não afirmo que é errado desejar evoluir ou desejar a santidade. Apenas afirmo que a evolução não é a parte mais nobre da nossa religiosidade. A parte mais nobre da nossa religiosidade é a resignação diante de algumas imperfeições humanas, visto que a resignação gera a confiança absoluta Naquele que é o único detentor da perfeição -- Deus (essa é a nobreza da fé que precisa da nossa humildade).
             Algumas pessoas até se decepcionam com a religião quando percebem que os seus erros perturbam a sua vida de vez em quando e que não existe vida perfeita. Algumas pessoas se desiludem quando pensam em grandes transformações espirituais e grandes curas espirituais dentro das religiões. Mas é justamente na resistência e na perseverança diante dos maus momentos que a fé deveria crescer dentro de nós. Talvez a verdadeira cura não está na ausência da imperfeição, mas no encontro da forma correta de lidar com as nossas imperfeições. 
          Santa Teresinha estava certa quando afirmava que não passamos de eternas crianças (e toda criança chora, erra e faz bagunça de vez em quando) necessitadas do cuidado de Deus. Deus, como um bom Pai, não deixaria de amar o seu filho quando vê seu filho errando, mas ofereceria seu cuidado, ensinamento e misericórdia. Um bom Pai até oferece uma reprimenda, mas é sempre pelo bem do filho. E o desejo de ver o filho bem provém da misericórdia. 
             Quando sentimos as nossas limitações de forma mais intensa, esse é um verdadeiro momento de esperar por Deus. Santa Teresinha afirmava uma frase poética: "Meu pé vacila, Senhor, mas tua misericórdia é minha força". A santidade não está na perfeição, mas está em suportar com brandura nossas imperfeições como dizia Santa Teresinha. O verdadeiro segredo da santidade é a humildade diante das nossas imperfeições, pois somos almas pequeninas que necessitam da bondade de Deus. 

                                

                

               Na TPM, a mulher tende a falhar mais, a sentir com mais intensidade as próprias limitações e a ter um encontro desagradável com os seus próprios defeitos. Quando tudo isso acontecer, mulher, não se desespere. Abrace a si mesma com autocompaixão e admita com brandura as suas imperfeições. Esse é realmente um momento sagrado onde você deve se conectar com Deus. Permita que a TPM seja a sua professora para ensinar a você novos significados de autoestima. Autoestima não é sentir-se linda e maravilhosa o tempo todo, mas abraçar a si mesma com toda as suas imperfeições. Seus defeitos não tiram o brilho das suas qualidades, mas mostram que você é humana, precisa cuidar de si mesma e necessita também do cuidado de Deus. 
                A menstruação pode ser um período místico e romântico. Não estou romantizando a cólica nem a dor, mas dizendo que o período menstrual, em geral, ostenta certo charme e mistério. Um ser humano que sangra todo mês em determinada lua ostenta algum mistério -- e esse mistério é só seu, mulher. A sociedade moderna é cética, afasta o místico da existência e faz propaganda de pílulas para você. Entretanto, o caminho da sua alma está em sua intuição e não no que a sociedade moderna prega. Permita sentir o poder da alma feminina nesse período. 
              Permita que a TPM resgate o seu poder pessoal. Transforme a sua irritação em autoafirmação e defenda os seus desejos. Você também merece cuidados. Dedique um tempo só para você. Transforme a sua melancolia em sabedoria. Sinta o poder criativo que a melancolia traz à alma e canalize esse estado em arte, escrita e representações de sua intuição. Quando estamos leves e felizes, deixamos passar despercebida a sabedoria da profundidade emocional.
              A melancolia não é totalmente má, porque ela traz mais profundidade emocional para você se você observar bem o seu ritmo. A irritação também não é totalmente má, porque ela acentua em você o desejo de defender a si mesma. Você não precisa passar por esse período chorando e brigando com os outros. Se você já passou por esse período com essas falhas, perdoe-se por isso. Contudo, seja mais responsável para saber extrair pérolas da melancolia sem cair em lágrimas desnecessárias. Além do mais, saiba defender as próprias vontades de forma educada sem brigar com os outros. 
           É importante que você defenda as próprias vontades sempre para que a irritação não seja obrigada a lembrar você disso na TPM. Não seja submissa aos outros, mulher! Valorize sempre a si mesma! Saiba ser generosa com equilíbrio, ou seja, saiba exercer seu lindo lado solidário e maternal com os outros sem esquecer de agradar a si mesma também e reservar momentos para reabastecer as energias da própria alma. Se você viver de forma mais equilibrada, sua TPM também será mais amena e harmoniosa. 

                             

             

              Muitas pessoas falam que a autoestima tem a ver com beleza, especialmente para a mulher. Concordo que cuidar da aparência é ótimo e ajuda a elevar a autoestima da mulher, mas o mais importante é cuidar da nossa alma por dentro. É preciso sentir-se bela por dentro e saber ver a beleza das nossas características essenciais e da nossa sensibilidade. É preciso até mesmo abraçar o lado "feio" da nossa alma e entender que não existem flores sem espinhos. Se a alma de toda mulher é uma flor, certamente encontraremos muitos espinhos dentro de nós também. O novo significado de autoestima ensinado pela TPM tem a ver com a aceitação dos nossos espinhos. Ao aceitar os espinhos, a mulher suportará com brandura as próprias imperfeições ao invés de sentir desespero e culpa diante das sombras do período menstrual. 

                       

               

              Diante do nosso temperamento inevitavelmente aflorado durante a TPM, devemos aprender a aceitar os nossos defeitos para seguirmos a vida com autoestima. Permita que as sombras da TPM sejam transformadas em luzes de entendimento e criatividade. Canalize a sensibilidade aflorada em reflexões e eleve as suas reflexões ao invés de cair em autocobrança. 
             Se você gostou desse texto, saiba que ele foi escrito por uma mulher durante a sua TPM. E, se não fosse a minha TPM, eu não teria descoberto tantas pérolas de sabedoria para transmitir para vocês. Rubem Alves dizia que ostra feliz não faz pérola, porque é preciso ter dentro de si um grão de areia que a faça sofrer. Se a TPM parece uma pedra no seu sapato ou uma areia na sua concha, transforme esse sofrimento em pérola. É possível transformar qualquer dor em pérola e ver a beleza da flor em cada um de seus espinhos também -- basta você querer expandir a sua consciência. Expanda a sua consciência ao invés de reclamar da TPM. A reclamação estreita a sabedoria enquanto a aceitação da TPM e das nossas imperfeições expande a nossa consciência. 

Texto escrito por Tatyana Casarino.

Tatyana Casarino é Especialista em Direito Constitucional, Advogada, escritora e poetisa. 

sábado, 4 de julho de 2020

09 Curiosidades das Garotas dos Anos 90


     Olá, pessoal! Somente quem nasceu nos anos 90 vai entender a postagem de hoje, pois vou abordar sobre as curiosidades que faziam parte da vida das garotas nessa época. Vamos viajar no túnel do tempo? Mergulhe nesse texto nostálgico e repleto de boas memórias. Mais um texto com bom humor para descontrair nessa quarentena. Boa leitura!


  1) Anel de Plástico


   



   Quase toda garota gosta de usar bijuteria para imitar a mãe e treinar a sua feminilidade. Quase toda menina sonha em usar anéis, brincos e colares e esbanjar todo o seu charme. Nos anos 90, as bijuterias para as crianças estavam na moda. Havia anéis, brincos e colares específicos para crianças. As bijuterias infantis faziam sucesso, especialmente os anéis coloridos. 

                       


2) Sandália Melissa

 A sandália Melissa foi um grande "hit" dos anos 90. Toda garota sonhava em usar Melissa. A transparência deixava a sandália descolada e estilosa. A Melissa fazia sucesso tanto nos pés das mulheres adultas quanto nos pés das crianças. Uma característica dos anos 90 era reinventar aquilo que estava fazendo moda no mundo dos adultos para o universo infantil. A versão infantil dessa sandália "bombou". 

3) O castelo da She-Ra

        


  She-Ra era a grande heroína dos desenhos animados dos anos 90. A irmã gêmea do He-Man era um modelo feminino de força e valentia. A bela loira que lutava para libertar o planeta Eternia da ditadura de Horda também tinha seu castelo. O castelo da She-Ra era um brinquedo muito popular entre as garotas dos anos 90. Era raro ter esse castelo, porque a produção foi limitada. Sendo assim, quem tinha esse brinquedo era o dono de um sonho de consumo. É possível afirmar que ter esse brinquedo lindo era sinônimo de pura ostentação (risos). 

4) Barbie Sereia 

           


  A boneca Barbie era a grande fonte de diversão das meninas nos anos 90. Sempre aguardávamos ansiosamente pelo novo lançamento da boneca Barbie e ficávamos sempre surpreendidas pela criatividade da Mattel (a companhia empresarial responsável pela Barbie). Uma Barbie marcante dos anos 90 foi a Barbie sereia: tratava-se de uma boneca com cauda de sereia. Tal cauda mudava de cor de acordo com a temperatura da água (ideal para brincar dentro da piscina -- de preferência, dentro daquela piscina de plástico que era moda nos anos 90). 

5) Revistas da Barbie 

              

Fonte da imagem: Doll Hospital. 


  Um costume muito fofo dos anos 90 era o de ir até a banca quando você era criança e comprar revistas (geralmente, tomávamos um picolé e comprávamos balas na banca também depois de escolher as revistas). Antes dos celulares estarem nas mãos das crianças (naquela época, não havia os celulares modernos de hoje em dia nem fazia parte da cultura ver crianças mexendo em celulares), as crianças costumavam ler mais revistas e gibis. 
   As revistas também tinham um mercado infantil forte, pois havia revistas específicas para crianças, tais como as revistas "Recreio" e as revistas "Barbie". Já abordei minha paixão por gibis da Turma da Mônica em outras postagens do blogue. Na lista de hoje, porém, vou dar um destaque especial para uma curiosidade do universo das garotas da década de 90: as revistas da Barbie. Tratavam-se de revistas inocentes com temas femininos e fotonovelas (novelas em quadrinhos) com imagens da Barbie vivendo histórias. 

6) Tatuagem Adesiva

         



  Se você viveu nos anos 90, deve ter na memória essa moda do início dos anos 2000: a tatuagem adesiva. A tatuagem adesiva era uma tatuagem temporária que você colava na pele para usar em uma ocasião específica como uma festa nas férias ou um encontro com seu "paquera". Alguns usavam para fingir que tinham uma tatuagem e bancarem os "descolados" para os seus colegas. Também servia para aqueles que tinham curiosidade para saber onde uma tatuagem mais ficava bonita em seu corpo, mas que tinham medo de fazer uma tatuagem de verdade. Essa moda era tão forte que alguns cadernos escolares dessa época traziam tatuagens adesivas dentro deles ao invés de adesivos convencionais (caderno com adesivo era outro sonho de consumo das papelarias). 

7) Sobrancelhas finas

          

Gerri Halliwell, cantora do grupo Spice Girls dos anos 90. 


   A moda das sobrancelhas é cíclica, ou seja, vive oscilando. Se a sua mãe é da geração dos anos 80, provavelmente ela viveu a época onde a sobrancelha grossa e natural no estilo "Malu Mader" (atriz que ostentava sobrancelhas grossas nas telenovelas dos anos 80) era sinônimo de moda, beleza e charme. Mas, se você é da geração dos anos 90, seu conceito de beleza feminina envolve a depilação perfeita e as sobrancelhas finas. Nos anos 90, sobrancelhas finas eram sinônimo de feminilidade e delicadeza. A moda é cíclica, porque os anos 90 "matou" a moda das sobrancelhas grossas dos anos 80 e resgatou o conceito de feminilidade das sobrancelhas finas das décadas de 50 e 60 -- quando as suas avós deixavam a sobrancelha fina para imitarem as atrizes com sobrancelhas finas e arqueadas do cinema. 
   Atualmente, os anos 2010 e 2020 pregam a moda das sobrancelhas grossas novamente, mas simétricas, "perfeitas" e artificiais (e não naturais como nos anos 80). Eu, particularmente, não caí na moda atual das sobrancelhas pigmentadas e artificiais (acho feio esse estilo, com todo respeito). Acredito que a busca por sobrancelhas "perfeitas" deixou o rosto de quem desenhou artificialmente as próprias sobrancelhas hoje em dia muito estranho. Sei que a moda dos anos 90 é bem atacada atualmente, mas eu prefiro as sobrancelhas finas daquela época do que as pigmentadas artificialmente de hoje em dia (risos). 
   Sinceramente, não me importo de não ter a simetria perfeita nas sobrancelhas desde que elas estejam equilibradas, naturais e femininas. Além do mais, o importante é buscar o próprio estilo que combina com o seu rosto e não seguir a moda. 

8) Backstreet Boys


               


Nick Carter, integrante da banda Backstreet Boys, era o galã das garotas dos anos 90. 



  Backstreet Boys é um grupo vocal masculino estadunidense formado em Orlando, Flórida em 1993. O grupo consiste nos integrantes AJ McLean, Howie Dorough, Nick Carter, Kevin Richardson e Brian Littrell. O grupo conquistou proeminência através de seu primeiro álbum de estúdio homônimo de 1996. As músicas mais famosas desse grupo são: As Long As You Love Me, I Want It That Way e Everybody. Os integrantes eram muito admirados pelas garotas dos anos 90. 
   Em especial, Nick Carter era o galã das meninas. O cabelo de Nick Carter também era bastante desejado por ser considerado charmoso. Os rapazes com esse corte de cabelo costumavam fazer sucesso diante das garotas nos anos 90. Você se lembra desse cabelo nos rapazes? Eu achava lindos os rapazes com esse cabelo (risos). 

9) Furby 

             

Fotografia do Furby da escritora Taty Casarino. 


   Furby (no plural, Furbys ou Furbies) é um brinquedo eletrônico similar a uma coruja (o meu Furby é parecido com uma coruja embora algumas pessoas também associem o Furby aos morcegos e aos hamsters), que foi comercializado pela Tiger Electronics, com sucesso de vendas no período do final da década de 1990 e início dos anos 2000 (e que foi adquirido pela Hasbro). David Hampton é o criador de Furby, o qual teve origem nos Estados Unidos. 
   A versão clássica lançada em 1998 (fez sucesso, no Brasil, por volta de 2001, pois os brinquedos chegavam mais tarde por aqui) obteve popularidade pela proposta do Furby ser um brinquedo inteligente, futurista, com um toque "robótico" para vislumbrar os anos 2000 e habilidade de linguagem (o brinquedo era falante). Basicamente, o Furby era uma espécie de "bicho de pelúcia" animado e inteligente. 
      A brincadeira com o Furby era a seguinte: você deveria cuidar dele e prestar atenção no que ele falava. Ele pedia comida e você poderia alimentá-lo apenas encostando a ponta dos dedos no seu bico de coruja. Ele também pedia carinho e você poderia deslizar as mãos nas costas dele para ele ficar feliz. Ressalta-se que ele "dançava" e "conversava" com a criança. 
     Na presença de outros Furbys, ele tinha um "sensor" que identificava quando brinquedos semelhantes estavam perto dele. Sendo assim, um Furby poderia "conversar" com outro. A brincadeira das meninas era levar o seu Furby para conhecer o Furby de sua amiga. Ele funcionava a partir de pilhas. O Furby tradicional falava em inglês e era uma ótima maneira da criança aprender inglês se divertindo (o meu Furby falava as suas frases em inglês). Contudo, havia também outras versões do Furby. No Brasil, os Furbys que falavam as frases dubladas em português também fizeram sucesso na época. 
      Muitas crianças também usavam o Furby para assustar outras crianças, pois ele parecia um bicho de pelúcia comum quando estava dormindo, mas bastava um toque para despertá-lo se ele estivesse com as pilhas em pleno funcionamento. Um amigo meu, certa vez, levou um susto quando despertou o Furby sem querer em uma tarde de estudos. Para "paralisar" o Furby e deixá-lo "dormindo profundamente" ou em modo repouso, era preciso tirar as pilhas dele. 
    Curiosamente, muitas pessoas consideram os Furbys parecidos com os Mogwais, bichinhos peludos perigosos do filme "Gremlins" dos anos 80. Por fim, eu guardei e conservei o meu Furby. Hoje em dia, o meu Furby está sem pilhas e serve como parte integrante da decoração de um espaço do meu quarto repleto de itens de papelaria que eu gosto.