O Cantinho de Tatyana Casarino. Aqui você encontrará Textos diversos e Poesias simples com a medida do coração.









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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Tenha um olhar mais profundo



O homem extrovertido é como vagabundo:
vai onde o vento leva, não tem amor fecundo.
Gosto de homens quietos, inteligentes e profundos,
que são introspectivos, sensíveis e sortudos.

O homem tem de ser mais que bonito,
ele tem de carregar um quê de triste,
um quê de homem que não se enquadra.
Se for apenas bonito, então valerá nada.

A razão do sofrimento das mulheres
é apaixonar-se pelo playboy bonitão,
que é vazio por dentro e muito fanfarrão.
Mil vezes uma Fera que um tolo Gaston.*

Dê uma chance para o quietinho, mulher,
aquele que tu pensas ser pacato até demais.
É dentro dele que está a chama viva do amar,
e é na cama e na intimidade que ele se soltará.

Um óculos de grau pode ser sexy,
bem mais sexy do que músculos,
porque indicam vistam que leem muito.
E todo homem que lê é bem profundo.

Dê uma chance para o nerd, mulher,
para aquele branquelo de camiseta preta.
Ele é aquele típico homem recluso,
que não toma sol e vive para os estudos.

O fanfarrão é um maria-vai-com-as-outras:
sem personalidade, sem conteúdo e sem futuro.
Daqui a dez dez anos será um solitário barrigudo
que viveu para a cachaça e esqueceu os estudos.

O garoto popular e bonitão da sala de aula
será careca, sem graça e barrigudo no futuro.
Mas, tu, cara mulher, será mais linda em tudo,
levanta a tua cabeça e tenha um olhar mais profundo.

É o nerd que te merece, mulher,
pois ele tem um peito largo e amoroso.
O musculoso tem o cérebro atrofiado,
mas o nerd tem mente e corações alargados.

A alma alargada do tímido
é azul como a cor do mar:
dá vontade de pular e mergulhar
e nunca mais sair daquele lar.

Não posso ver um tímido
que sinto vontade de abraçar.
E é naquele abraço caloroso
que tu conhecerás todo o pulsar.

Não gosto de homens tagarelas
que somente vivem para falar.
Gosto é de homem quietinho
que diz tudo em um só olhar.

Viva o homem quieto que ama, 
posto que seu amor é mais que chama
e não depende do humor do vento.
Só o introspectivo tem leal sentimento.

Palavras são tão desnecessárias,
não gosto de falsas gargalhadas.
Não aprecio as barulhentas baladas,
prefiro as silenciosas e nobres batalhas. 

Os introspectivos reinam como estrelas,
basta olhar as suas coroas de prata.
Solitários no meio do céu noturno,
sua quietude esconde as suas brasas. 

Oh! Garota do colegial com jeans rasgado,
teu All Star roxo ainda será um Scarpin lindo. 
E, ao invés de uma tiara jovial cor de vinho,
em sua cabeça terá a coroa dos tímidos.

Teu olhar mais profundo ainda te levará longe
quando o seu caranguejo se transformar num leão.*
Tu serás a rainha dos introspectivos em plena ascensão,
pois serás, para todos os tímidos, o exemplo de autoexpressão. 

E, se porventura passares a imagem de convencida,
será justamente por estar no caminho correto da sua missão.
Não poderás mais ser tímida nem deixar a poesia oprimida,
deverás expressar todas as chamas de seu nobre coração.

A humildade reside em compartilhar e não em se esconder,
é inspirando com amor as pessoas que a humildade irá viver. 
Ensina tudo o que sabes, escreva e fala tudo o que pensas,
assim inspirará os tímidos que contigo irão ascender. 

Poesia escrita por Tatyana Casarino. 

*Referência à História de Conto de Fadas "A Bela e a Fera." 

*Referência astrológica aos signos de Câncer e Leão -- um signo tímido e um signo autoconfiante respectivamente. 

                      


   Essa poesia expressa as minhas metas mais sensíveis no mundo da poesia e da literatura desde o início: levar paz aos corações angustiados e inspirar os tímidos a se expressarem sem medo. 

  Nos primeiros versos, a poesia é um pouco sarcástica em relação à realidade de alguns extrovertidos para introduzir com humor o universo dos tímidos -- tão brilhante e, ao mesmo, subestimado por grande parcela da sociedade. Sendo assim, para combater o preconceito em relação aos tímidos, a poesia ressalta o valor dos homens introspectivos. 

  Nos últimos versos, a poesia muda a abordagem e assume tom mais reflexivo e filosófico sobre a missão da poetisa e a lembrança do despertar de seus dons ainda na adolescência. O desenvolvimento de seus dons ocorreu com a perda da timidez. Ainda no processo de autoexpressão, os tímidos não foram esquecidos, pois serão o alvo principal de sua poesia.  

  A poetisa, de forma divertida, afirma ser a "rainha" dos tímidos e almeja inspirar os introspectivos a deixar a sua luz brilhar. Para isso, ela mesma precisa expor a sua luz a fim de inspirar os demais, o que pode passar uma "aura" convencida. Basta um olhar mais profundo para ver a humildade por trás da autoexpressão verdadeira e para ver a luz por trás de um tímido. Dentro de um tímido, também há muita luz. E, dentro de uma pessoa expressiva, também pode haver um passado tímido. 

    Se esta poesia incentivar pelo menos uma pessoa a se expressar ou a valorizar mais os tímidos, a poetisa ficará feliz. 

**Observação:

                


     A imagem da poesia é uma cena do clipe "Enjoy the silence" da Banda Despeche Mode. Trata-se do cantor e compositor britânico Dave Gahan usando uma coroa dourada e uma capa vermelha típica de rei. No clipe, ele caminha por diferentes paisagens solitário, como se reinasse em seu próprio mundo interior -- comportamento semelhante ao das pessoas interiorizadas. 
     A letra da música faz alusão à importância do silêncio. Adoro esta música e penso que, num mundo tão tagarela e extrovertido, quem consegue penetrar no misterioso silêncio da alma é rei. 

Tatyana Casarino 

**Confira o clipe da música Enjoy the silence (Aprecie o silêncio):

"Words are very unnecessary,
they can only do harm.
Enjoy the silence."

"Palavras são tão desnecessárias,
elas só podem machucar.
Aprecie o silêncio."

Trecho da música citada. 

*Letra e tradução completas da música:

https://www.letras.mus.br/depeche-mode/10455/traducao.html

*Clipe:




                         https://www.youtube.com/watch?v=aGSKrC7dGcY

sábado, 22 de setembro de 2018

Os perfis mais irritantes das redes sociais -- Parte II


   Olá, pessoal! Na postagem anterior sobre o tema, trouxemos 6 perfis irritantes nas redes sociais: o egocêntrico, o doutor das opiniões, o político, o lavador de roupa suja, o vitimista e o religioso fanático/ ateu fanático. Hoje este texto mostrará mais perfis irritantes nas redes sociais. Encarem o texto com bom humor e espírito reflexivo. Boa leitura!

7) O paladino do otimismo

            

"É melhor ser alegre que ser triste,
a alegria é a melhor coisa que existe,
é assim como a luz no coração..." 

Samba da Bênção - Vinícius de Moraes 


   
      A expressão "paladino" remete a uma espécie de herói cavalheiresco muito descrito na filosofia e na literatura que é destemido e possui um caráter inquestionavelmente bom. Esse tipo de herói segue o caminho da lei, da verdade e da ordem além de estar sempre disposto a proteger os mais fracos e lutar por causas justas. 
   O paladino do otimismo nas redes sociais é aquele que tem sempre uma frase motivacional, uma mensagem otimista e postagens que representam um verdadeiro incentivo à fé, à esperança e à autoconfiança. 
    O que há de mal nisso se a pessoa usa a rede social para o bem e para propagar bons valores? Ora, nada de mal, mas é irritante ver alguém otimista o tempo todo hehehe. Bem, eu confesso que tenho este tipo de perfil nas redes sociais hehehe (para o leitor ver que estou sendo imparcial na postagem e escrevendo sobre todos os tipos de perfis que irritam, inclusive o meu hehehe). 
     Esse tipo de perfil incentiva muitos seguidores, levanta muitos amigos da deprê (depressão) e a popularidade dele está vinculada ao fato de que a maioria das pessoas adora se inspirar numa postagem positiva e receber aquele conselho amigo e iluminado. 
     Contudo, muitos se irritam com este perfil por vários fatores: consideram o dono desse perfil orgulhoso (de onde ele tira tanta autoconfiança?), ficam se questionando se o dono do perfil também passa por problemas (com tanto otimismo, onde estão os desafios?) e se sentem irritados com mensagens iluminadas o tempo todo (muitas pessoas são pessimistas por naturezas, céticas demais e não gostam de postagens que remetem a algum propósito espiritual elevado ou que fazem refletir sobre o sentido da vida). 

                        

O centauro, ser mitológico que representa o signo de Sagitário, é o arquétipo do otimismo por mirar sempre o alto com sua flecha. 

      

       Hoje em dia o "paladino do otimismo" está em muitos perfis de coaches (treinadores), profissionais especialistas em ajudar pessoas e empresas nos seguintes objetivos: alcançar seu máximo potencial, otimizar a qualidade de vida, transformar comportamentos e superar limitações. Este é o perfil comum de escritores de autoajuda, palestrantes, neurocientistas (com linha de pesquisa voltada ao poder a mente positiva), espiritualistas e professores (especialmente professores de cursinho com foco na aprovação dos alunos em concursos públicos). 
       Bem, eu sempre amei este tipo de perfil (os perfis que eu sigo nas redes sociais são verdadeiros paladinos do otimismo hehehe) e busco seguir este caminho (como escritora de textos otimistas, poesias com mensagens de esperança e metas para palestras de encorajamento). Entretanto, sei que este tipo de perfil, por mais que seja um dos mais bem sucedidos e elogiados, é o que mais recebe críticas. 
       Os maiores críticos deste perfil são: pessimistas por natureza, intelectuais céticos (geralmente, esses são pedantes quando resolvem criticar os intelectuais otimistas ou escritores de autoajuda) e psicólogos. Quanto aos psicólogos, estes se dividem em duas linhas: os que também têm um perfil otimista e os que "torcem o nariz" para a palavra "coach". 
       Reconheço que é legítima a preocupação de muitos psicólogos em perder pacientes para coaches, já que eles não querem ver a psicologia ser reduzida às sessões de treinamento/coach. Não podemos confundir coache com psicólogo, pois o coache não tem a competência e as atribuições de um profissional da psicologia para investigar assuntos mais sérios da psique humana nem para trabalhar como terapeuta. 
        Além do mais, como está na moda o coach, há uma quantidade imensa de coaches sem uma qualificação séria. Por essas razões, psicólogos costumam ter "um pé atrás" com tudo que é relativo ao universo "coach". Entretanto, não podemos ter preconceito com o coach: há muitos profissionais sérios que exercem trabalhos maravilhosos com pessoas e empresas nos diversos âmbitos do coach (esportivo, acadêmico, profissional, empresarial e pessoal). Muitos coaches auxiliam os seus clientes no desenvolvimento da melhor performance profissional/pessoal e no despertar do que há de melhor dentro deles. 
        Minha filosofia de vida é abraçar tudo o que faz bem. Se o coach está fazendo bem às pessoas, que seja bem-vindo! Muitos psicólogos e psiquiatras olham o coach com bons olhos, inclusive o psiquiatra e escritor Augusto Cury que defende o coach como excelente complemento (complemento da terapia tradicional e não substituição) da gestão da emoção e da gestão empresarial (li o livro Gestão da Emoção de Augusto Cury e achei fantástico!). Por fim, é melhor incentivar o otimismo (ainda que na forma do coach) do que fazer apologia à melancolia nas redes sociais e dimensionar a negatividade. 

8) O Concurseiro

               

"Milhares de seguidores não valem nada na prova. Poste menos, estude mais." Frase de Pedro Medula. 


   O perfil concurseiro é aquele que vive tirando fotos da escrivaninha, dos livros, dos materiais de estudo, das canetinhas coloridas e dos marcadores de texto. Devido à alta procura por concursos públicos, este perfil está na moda ultimamente.
    Bem, não há nada demais em usar as redes sociais para compartilhar os seus estudos e inspirar outras pessoas a trilhar esta jornada tão nobre de dedicação. Ocorre que estes perfis de concurseiros costumam ser irritantes quando eles passam a compartilhar horas de estudos, números de páginas lidas e números de artigos de Códigos/Leis estudados (quando há Direito no edital do Concurso). Na minha opinião, a jornada de estudos é solitária por excelência e muito realista (não combina muito com o mundo virtual...). É muito mais nobre ser discreto do que ostentar as suas horas de estudo. 
    Primeiramente, quem realmente "mergulha" nos estudos e sente prazer em estudar nem vê o tempo passar (ninguém liga o cronômetro antes de começar a estudar hehehe). Além do mais, quem está estudando há muitas horas normalmente está com a escrivaninha bagunçada, a voz rouca (quem estuda falando em voz alta hehehe), as mãos manchadas de tinta de caneta (quem estuda escrevendo), os cabelos bagunçados e a roupa amassada hehehe. Aparecer bonitinho, com uma voz em tom alto nos vídeos das redes sociais e com a escrivaninha perfeita não é típico de uma jornada pesada de estudos.             Bonito o estudante até pode estar (eu não descuido de minha aparência quando estou numa fase de estudos pesada), mas não é usual estar perfeitinho e cheio de empolgação para postar vídeos e fotos nas redes sociais. Depois de estudar, tudo o que o estudante quer é tomar um banho, deitar na cama ou esticar o corpo em qualquer sofá e ficar um tempo quieto e descansando a vista das leituras, sem ver a luz da tela do celular e sem receber qualquer estímulo (as redes sociais possuem elementos estimulantes, assim como quaisquer aparelhos tecnológicos). 

                        

         

        Quando estudei para a OAB, eu não entrava nas minhas redes sociais (de vez em quando, visitava somente o Twitter para ler dicas de professores). Nos períodos mais pesados de estudos na minha vida, eu estava off-line e não on-line. Não julgo quem gosta deste tipo de perfil, mas é um pouco irritante ver a competição boba de horas de estudos entre concurseiros. 
        Está estudando para concursos? Uma dica: não olhe perfis de concurseiros. Você pode cair na tentação de se comparar com eles ou se sentir mal por não atingir as mesmas metas de estudos que eles. Crie o seu próprio estilo de estudar, um estilo que funcione para você e que faça a sua mente absorver o conteúdo e isto bastará. Além disso, lembre-se: quantidade de horas de estudo não é qualidade. Em quatro horas de estudos, eu posso absorver de forma muito mais proveitosa o conteúdo do que em dez horas. Tudo depende do quanto você absorve e aprende e não do número de horas. 
           É importante pausar entre as horas de estudo, descansar a mente, alimentar-se bem, hidratar-se e otimizar o lado psicológico. Desgastar-se com excesso de horas de estudos pode levar o estudante a adoecer psiquicamente e a não ter energia e disposição para fazer uma boa prova. É melhor criar uma rotina de estudos consistente (estudar um pouco todos os dias) do que se desesperar e estudar muitas horas num único dia. Para quem estuda por muitas horas seguidas, cuidado para não cair na vaidade de ostentar horas de estudo por puro ego... 

                     


              

            E para quem é da área do Direito, mais uma dica: não é para ler o Vade Mecum como se lê um romance hehehe... Não é recomendável ler muitos artigos seguidos sem reflexão. É preciso ler os Código por capítulos e contextualizar a leitura dos artigos com as interpretações doutrinárias e jurisprudenciais. Eventualmente, você vai ter de decorar a letra da lei de certos artigos, mas não faça isso de forma bruta... Sempre reflita sobre o que está lendo. 
              Nunca deixe a sua mente adoecer no piloto automático ou engessar... Deixe o estudo mais divertido, faça esquemas, use as suas canetas coloridas hehehe, dê aulas para um colega e use a sua criatividade livremente. Prova não é só memorização, mas também interpretação de texto. Desenvolva seu poder interpretativo. Ah! E nunca se esqueça de dar atenção ao seu lado psicológico (tão essencial quanto o desenvolvimento cognitivo). 
            A melhor maneira de otimizar o lado psicológico é ficar off-line por um tempo. Algumas dicas para aumentar a autoconfiança do concurseiro: meditar (acalma a mente, trazendo foco, atenção e presença), ter contato com a natureza e dar aulas para um amigo sobre o assunto (ao ajudar os outros, você estará se ajudando, pois ensinar é a melhor maneira de fixar o conteúdo e ter confiança naquilo que você sabe). Lembre-se: o seu maior concorrente é você mesmo!

9) O viajante 

            

"Somos o resultado dos livros que lemos, das viagens que fazemos e das pessoas que amamos." Airton Ortiz. 


    É fácil identificar o perfil do viajante nas redes sociais: trata-se da pessoa que vive viajando e postando fotos dos pontos turísticos, das jornadas pelo mundo, das praias e das cidades mais lindas do Brasil e do mundo. Geralmente, quem mais se irrita com este perfil é o invejoso (aquele que queria ter mais tempo e dinheiro para viajar, mas deve se contentar com uma rotina pesada de deveres e muito trabalho hehehe). 
     Eu, particularmente, não me aborreço com este tipo de perfil, e a inveja é um sentimento que meu coração desconhece graças a Deus hehehe (a não ser que a pessoa viaje para Paris... estou brincando, hehehe). Acredito que não vale a pena generalizar: há perfis diferentes de viajantes. Há realmente o viajante vaidoso que coloca fotos com o intuito de ostentação e status (salienta-se que o vaidoso até se diverte ao descobrir que é invejado hehehe), mas existem os viajantes que colocam fotos dos lugares que conhecem com boa intenção e almejam compartilhar cultura e inspirar positivamente os seus seguidores. 
      Gosto de me inspirar nos perfis de viajantes para aprender dicas dos melhores pontos turísticos do Brasil e do mundo e conhecer os lugares maravilhosos que existem. Admiro ainda mais aqueles que viajam com o propósito de desenvolvimento pessoal (conhecer culturas novas, ter algum despertar espiritual e encarar a viagem com alguma filosofia de vida) e não almejam apenas diversão (respeito quem viaja por diversão também, pois a vida não é só dever). 
         Amo acompanhar dicas de peregrinos, especialmente as informações dos Caminhos de Santiago de Compostela. Vale salientar que uma amiga minha (conheci essa amiga quando estudei francês em um curso de idiomas) posta fotos maravilhosas e inspiradoras de suas peregrinações (e eu adoro ver as fotos delas, pois admiro muito o espírito peregrino e aventureiro ela). 

                       

         
            Esse perfil divide opiniões: uns admiram e outros se irritam com os viajantes. Sendo assim, esse perfil não poderia faltar nessa lista, já que é um dos que as pessoas mais reclamam. As pessoas costumam dizer: "não gosto de entrar na rede social e ver gente postando só fotos de viagens." Muitas pessoas até bloqueiam ou excluem seus amigos viajantes, porque se sentem incomodados de ver os outros viajando enquanto elas estão trabalhando duro.              Particularmente, sou uma pessoa que gosta de postar fotos das minhas viagens de vez em quando, tendo em vista que amo viajar e também mudo muito de cidade. Todavia, quando viajo, gosto de explorar novos lugares com espírito de peregrina e aumentar o meu conhecimento. Gosto de conhecer pessoas novas, sotaques novos, fazer amizades pelo Brasil e conhecer as manifestações artísticas e culturais de cada ponto de nosso país (do Sul ao Nordeste). Ressalta-se que, antes de viajar ao exterior, vale a pena conhecer o Brasil primeiro (há cada ponto turístico incrível por aqui).
           Viajar é tudo de bom, mas cuidado para não desperdiçar bons momentos por prestar mais atenção na câmera fotográfica do que nos pontos turísticos. É interessante deixar o celular ou a câmera fotográfica no bolso e "fotografar" os lugares explorados com os olhos e com a alma. 
          Observação: Para quem gosta de Astrologia, verifique se seus amigos viajantes são sagitarianos hehehe. Sagitário é o signo mais viajante do zodíaco!

10) O baladeiro

                



"Se eu quiser fumar, eu fumo.
Se eu quiser beber, eu bebo.
Eu pago tudo o que consumo
com o suor do meu emprego."

     O perfil do baladeiro é plenamente identificável: trata-se do seu amigo que vive postando fotos de baladas e bebidas alcoólicas. É aquele perfil que usa e abusa da hashtag. É um tal de hashtag para lá e de hashtag para cá que eu vou te contar. As mais comuns são: #partiubalada, #sextou, #cerveja, #mulherada, #DJFulanodeTal, #Fuiserfeliz, #beber e #sertanejobao. 
     As pessoas que se irritam com este perfil se dividem em dois motivos: aquelas que se irritam por não terem sido convidadas para ir à balada junto com o amigo e aquelas que se irritam por não gostarem de balada e acharem as postagens chatas. 
      Particularmente, eu não gosto das baladas usuais, mas não me irrito com quem vai e nem me sinto moralmente superior por isso. Cada um tem sua jornada de vida e faz da vida o que quiser. Se a pessoa não está gastando o meu dinheiro para beber, o problema é todo dela hehehe. Entretanto, muitas pessoas que não gostam do estilo de vida do baladeiro se irritam com o excesso de postagens mostrando prodigalidade e luxúria da vida noturna. Os gêneros musicais de algumas baladas irritam, já que sertanejo e funk não agradam as pessoas mais sensíveis (muito embora agradem a imensa maioria dos baladeiros). 
        De vez em quando, gosto de sair para dançar em festas clássicas (aquelas onde devemos ir de vestidos longos -- sim, elas ainda existem) e shows de Rock and Roll ou de artistas que admiro (em pleno carnaval de Fortaleza, eu fui a um show de Rock no Floresta Bar -- recomendo). O baladeiro, no entanto, é aquele que tem a necessidade de ir à balada frequentemente (e, muitas vezes, só bebe e nem aproveita a dança). 

                   

       
          Algo curioso das baladas atuais: a solidão no meio da multidão. Explico: há imensa quantidade de pessoas aglomeradas nas festas, mas ninguém conversa ou dança junto com outra pessoa. As "ficadas" também costumam ser simplistas: só beijo na boca sem conexão emocional. No meio da farra, há pessoas que gritam, bebem, dão gargalhadas e parecem ser felizes, mas nem todas são felizes por dentro. Quando deitam a cabeça no travesseiro, muitas vezes, a sensação de solidão predomina. 
        Às vezes, por trás de um estilo de vida mais quieto, reside um coração bem mais feliz. No mundo das baladas, as aparências enganam -- e muito (essa reflexão me remete ao mito da caverna de Platão). Não pense que seu amigo baladeiro cheio de fotos com sorrisos nas redes sociais é mais feliz do que você, pois pode haver muitos problemas atrás da máscara de alegria.   

11) O perfeitinho

            

"Oh how we love you,
no flaws when you're pretending."

"Oh como nós te amamos,
sem defeitos quando você está fingindo."

Trecho da música Everybody's fool (o Tolo de todos) de Evanescence. 



   O perfeitinho nas redes sociais é aquele perfil de algumas blogueiras de moda, youtubers e influenciadores digitais que gostam de ostentar uma vida "perfeita" para os seus seguidores. Muitas vezes, estes perfis de "perfeitinhos" mostram mansões, "carrões", bens materiais luxuosos, vidas de "sonho", roupas de marca e corpos "perfeitos". Este é o tipo de perfil que eu não sigo e o que mais critico. 
     Vale lembrar que este é o perfil mais prejudicial para a saúde mental tanto do autor (entra em colapso por não conseguir uma integridade entre personalidade e imagem propagada) quanto dos seguidores (níveis de estresse, depressão e ansiedade são frequentes naqueles que querem acompanhar o padrão de vida de seus "ídolos" da internet). Muitos podem pensar que quem critica este perfil é invejoso, mas nem todos os críticos sentem inveja. 
       Eu, particularmente, não sinto inveja, pois dispenso qualquer sucesso isento de propósito. Tenho uma filosofia de vida que exige o alinhamento entre bom propósito e sucesso para eu ser feliz. Jamais seria feliz se o meu sucesso fosse fruto de bobagens e coisas fúteis (como é o caso de certos youtubers que fazem sucesso, têm milhões de seguidores, mas o canal só trata de assuntos bobos). 
         Sinto-me feliz quando meu sucesso é fruto da dedicação e o meu trabalho inspira positivamente as pessoas de alguma maneira. Gosto de passar mensagens mais profundas para os meus seguidores e, se uma só pessoa curtir, eu estarei feliz. 
            Minha maior preocupação é a qualidade do conteúdo e não a quantidade de seguidores. Números não passam de números. Existem coisas que não podem ser quantificadas, como, por exemplo, a conexão mental, emocional e a aprendizagem de um seguidor em relação a um autor. Prefiro ser uma pessoa autêntica e simples e não faço questão de fingir perfeição.

                         

Amy Lee segurando um refrigerante cujo rótulo contém a palavra "mentiras" no clipe Everybody's fool. 
 
            

             Àqueles que invejam perfis assim, dou algumas dicas: deixe de seguir essas pessoas, aumente a sua autoestima, seja uma pessoa autêntica e criativa e não dependa de influenciadores digitais. Saiba também que, por trás de uma vida aparentemente perfeita, pode haver uma pessoa abatida, depressiva e vazia (mais uma vez, essa postagem me remete ao mito da caverna de Platão). 
           Tenha orgulho positivo de você mesmo e jamais se sinta inferior a uma pessoa da internet, pois as aparências enganam. Por fim, compartilhar momentos de sucesso da sua vida não é pecado, mas não caia na tentação de desenhar uma vida perfeita na internet que você não tem na vida real. Mais autenticidade e mais realidade, por favor. 

12) O namorado meloso 

            


     O perfil de namorado meloso é um dos perfis mais irritantes da internet, não é mesmo? É aquele tipo de perfil com fotos do casal na frente do espelho, no sofá, na cama, na balada e nos diversos locais públicos e privados com alguma hashtag melosa, como #mozao, #teamodejaneiroajaneiro, #meuamor e etc. 
     Já é do senso comum (e até a minha avó costuma dizer) que casal muito meloso na frente dos outros ou nas redes sociais não tem uma relação tão boa na vida real nem na intimidade. E essa reflexão se deve ao seguinte motivo: a intimidade (algo essencial para um casal) não combina com a exposição (típica da rede social). Imagine só a falta de decoro dos casais que postam fotos após fazerem amor (e colocam no status ainda)... 
      O mais gostoso de um romance está em tudo aquilo que apenas o casal sabe, ou seja, a luz de uma relação está naqueles detalhes íntimos e secretos que ninguém no mundo tem conhecimento além do próprio casal. Os casais mais felizes são os mais discretos e misteriosos, pois eles não almejam revelar os momentos mais sagrados (e tudo o que é sagrado combina com segredo) de sua relação.  
        Não é pecado algum postar uma foto de vez em quando com o seu amado, fazer uma homenagem amorosa ou publicar uma frase romântica e uma poesia dedicada nas redes sociais (é até bom um pouco de romantismo nas redes sociais que, muitas vezes, estão lotadas de notícias ruins e política). O problema está no excesso de declarações de amor, homenagens densamente melosas a todo instante e postagens com o namorado meio "forçadas." 
          As redes sociais estão estragando a vida de muitos casais e, se eu fosse você, eu tomaria mais cuidado. Muitos casais estão brigando por motivos fúteis, tais como: falta de homenagens nas redes sociais, ciúme e falta de curtidas. Ora, eu prefiro ter um namorado que me ame na vida real do que um que vive fazendo homenagens virtuais, mas é desleal na vida real. Todavia, há certa competição boba entre casais sobre qual casal faz mais homenagens e uma patética necessidade de autoafirmação do namoro diante da sociedade. 
          O ciúme nas redes sociais também é uma das maiores obscuridades das relações atuais, já que curtir a foto de uma amiga mulher ou seguir o perfil de uma mulher que posta fotos sensuais são fatores que estão fazendo os homens levarem broncas de suas namoradas (e quem precisa mais da revista Playboy quando há piriguetes no Facebook?). 

                       

          

          Confesso que já fui mais ciumenta no passado, mas hoje sou mais prática: sendo fiel de verdade é o que interessa. Os olhos dos homens sempre correrão atrás da beleza e das curvas femininas. Sendo assim, as mulheres precisam ter mais autoestima e autoconfiança em relação às suas virtudes, ao seu charme único e à sua beleza. Além do mais, o importante é o cara curtir você na vida real e não as suas postagens de Facebook. Por que as pessoas dão tanta importância às curtidas virtuais? Curtidas são legais, mas não têm o mesmo peso das atitudes reais. 
        Diga mais eu te amo na vida real e poste menos homenagens nas redes sociais. Faça mais carinho e dê menos curtidas. Caminhe mais de mãos dadas e escreva menos frases bonitinhas no Facebook. O amor, para ser bonito, deve ser real. 

Texto escrito por Tatyana Casarino. 

*Música Everybody's fool citada na postagem:

https://www.youtube.com/watch?v=jhC1pI76Rqo



**Se você gostou deste texto, confira mais textos do assunto: 

*Os perfis mais irritantes das redes sociais -- Parte I:

http://tatycasarino.blogspot.com/2018/09/os-perfis-mais-irritantes-das-redes.html

*Os 7 pecados capitais no Facebook:

http://tatycasarino.blogspot.com/2015/09/os-7-pecados-capitais-no-facebook.html

sábado, 15 de setembro de 2018

Os perfis mais irritantes das redes sociais -- Parte I



                     


     Olá, pessoal! Hoje eu trago uma postagem divertida e reflexiva sobre o uso das redes sociais. Quem nunca entrou em sua rede social e se sentiu incomodado pela postagem do "vizinho" que atire a primeira pedra. Afinal, em tempos de divergências políticas e filosóficas aclamadas, é comum o nível de irritação subir. 
 Pode ser que você considere engraçada essa postagem por identificar os perfis de seus amigos na lista a seguir ou talvez se sinta surpreso por ver que a "carapuça" serviu em você diante de algum item. Caso você mesmo se identifique com algum item, peço que não leve para o lado pessoal nem se irrite com a postagem (tenha mais senso de humor por favor). 
   Vale lembrar que os tipos de perfil listados a seguir são os que mais irritam as pessoas em geral (o que não significa que a autora da postagem fique pessoalmente irritada com os tipos de perfil citados). Saiba separar autor de seu texto, ok? 

                 

    

       Salienta-se que você é livre para postar o que quiser nas redes sociais (ainda não criaram o Estatuto do Facebook ou o Código de Ética do Instagram hehehe) e que a liberdade de expressão é um direito constitucional. Do mesmo modo que você tem o direito de postar o que quiser nas redes sociais, blogues como este aqui podem exibir quaisquer textos de humor ou reflexivos (os direitos são de todos, certo?). 
    Quem se sente muito irritado com determinado perfil pode simplesmente deixar de seguir a pessoa, bloquear o perfil ou recusar a amizade. Entretanto, em tempos de conflitos acalorados em redes sociais, é bom exercer a empatia e o bom humor. Vamos dar risada ao invés de brigar? Espero que esta postagem seja leve, divertida e reflexiva. 


1) O Narciso

       

"É que Narciso acha feio o que não é espelho". -- Caetano Veloso na música Sampa. 


   Na mitologia grega, Narciso foi um rapaz extremamente belo e orgulhoso que se apaixonou pelo seu próprio reflexo na lagoa de Eco. Encantado pela sua própria beleza, Narciso deitou-se no banco do rio e definhou enquanto olhava para a água e se embelezava. 
    Esse mito provoca no inconsciente coletivo a falsa ideia de que pessoas belas naturalmente serão metidas ou orgulhosas, o que não é verdade. Podemos lidar com nossa beleza externa sem sermos corrompidos pela frivolidade das aparências, buscando o equilíbrio entre beleza interior e exterior, autoconfiança e humildade, charme e profundidade. 
   Todavia, o perfil "Narciso" das redes sociais é o perfil do vaidoso clássico. Trata-se do egocêntrico que parece apaixonado por si mesmo de tanto que exibe fotos na frente do espelho. Ter uma boa autoestima é legal (fundamental inclusive para a saúde mental), mas o excesso de vaidade pode representar certo desvio na personalidade. 

                      

"Se de uma coisa eu tenho certeza, é da minha beleza." -- A Usurpadora. 

  

     Além do mais, isso pode representar até mesmo o oposto da autoestima supostamente divulgada: quem precisa postar fotos suas a todo instante e receber likes geralmente esconde uma insegurança latente em si e uma insatisfação com sua vida real (tal insatisfação cria a necessidade de ser admirado na vida virtual). Vale lembrar que não são raros os influenciadores digitais com problemas de autoestima e depressão. 
   Conflitos de autoestima podem ser evidenciados tanto na falta de fotos de si mesmo quanto no excesso de selfies (o equilíbrio sempre é o caminho que aponta a serenidade...). Entretanto, aquele que não posta fotos de si mesmo pode ser apenas alguém misterioso, discreto e tímido enquanto o que posta excesso de selfies quase sempre apresenta problemas no ego. 
    Postar algumas fotos de si mesmo é normal (até eu posto algumas fotos de meu rosto), mas o excesso de selfies pode ser prejudicial e deixar o perfil com um aspecto vaidoso demais e até irritante (principalmente fotos na frente do espelho). Eu particularmente acho brega foto na frente do espelho em redes sociais (é o tipo de foto que você compartilha com o namorado e não com o mundo todo). 
      É mais elegante pedir para alguém fotografar você do que tirar um selfie (sim, regras de etiqueta são antigas apesar da moda acalorada do selfie). Uma selfie do rosto até que tudo bem, mas do "corpão" sarado na frente do espelho tem qual finalidade? 

                            

Possível perfil do Hércules (personagem da mitologia grega retratado numa Animação da Disney). 

       Não é pecado algum ter boa autoestima e sentir-se bem consigo mesmo. É maravilhoso ver beleza em si mesmo e ser feliz... Sentir-se belo não é ser metido nem pecador hehehe. Sentir-se belo deixa a pessoa mais feliz, mais sorridente, mais iluminada, charmosa e aumenta o seu poder de atração. A questão discutida é a seguinte: qual é o motivo de se autoafirmar em redes sociais?
        Lembre-se de que a verdadeira beleza não precisa ser ostentada, pois ela é sentida com os olhos da alma. A verdadeira beleza está na simplicidade, na autenticidade e no charme dos pequenos gestos. Deixe as pessoas perceberem a sua beleza no silêncio dos seus passos e não no barulho dos flashes das suas fotos. A ostentação sempre mata um pouco a beleza... 


2) O "Doctor Opinion" / "Doctor of Opinions" -- O Doutor das opiniões 

                  


  Se o perfil Narcioso apresenta a vaidade estética, o perfil "Doutor das opiniões" ostenta outra vaidade ainda mais perigosa: a vaidade intelectual. Esse é o perfil do "inteligentinho" como diz o filósofo Luiz Felipe Pondé. Esse é o perfil do cara que não aguenta ficar três dias sem escrever um "textão" no Facebook sobre cada acontecimento do noticiário. 
   E a gente fica se perguntando se o cara é um jornalista frustrado ou alguém sedento por mostrar suas opiniões sobre absolutamente tudo. Tudo bem que a liberdade de expressão seja um belíssimo direito constitucional (assim como direito de manifestar opinião), mas tem gente que parece abusar desse direito. Parece que a criatura tem a língua solta e os dedinhos nervosos para digitar.  
     Esse tipo de perfil vale também para aqueles que escrevem textos lindos nas redes sociais, mas não praticam quase nada do que dizem. Há aqueles que se mostram revoltados com o cenário político de corrupção, escrevem textos moralistas na internet, mas cometem pequenos atos desonestos no cotidiano (furam a fila, estacionam na vaga do cadeirante, sonegam impostos e são desleais em seus deveres). Isso é pura hipocrisia, minha gente! Que tal falarmos menos em moralidade e agirmos de forma mais correta e mais moralista no cotidiano? 
       O perfil "Doutor das opiniões" é aquele que tem uma frase na ponta da língua para cada acontecimento e é extremamente crítico em relação a tudo (só que tem um detalhe: ele ama criticar as postagens dos outros, mas detesta que critiquem as postagens dele hehehe). Esse perfil chega a ser irritante pelo excesso de opiniões (muitas delas carregadas de boa dose de cinismo e hipocrisia) e pelos "textões". 
        Uma dica: ninguém tem paciência para ler textos longos em redes sociais. Gosta de escrever textão? Crie um blog! É rápido, prático e muito mais útil para publicar e guardar textos grandes. Ah! E cuide o português! Se for dar opiniões, respeite a língua portuguesa. Não há nada mais brega que "textões" críticos nas redes sociais repletos de erros de ortografia. 

3) O Político

                

"Discutir com um amigo por um político é como vencer o duelo pelo amor de uma prostituta."



   Esse é o perfil que não parece o perfil de uma pessoa, mas o de uma propaganda política. Se aguentar horário político na televisão já era chato, imagina ter de aturar discussões políticas nas redes sociais? Contudo, esse é o tipo de perfil que só costuma incomodar você quando propaga ideias políticas diferentes das suas hehehe (se as postagens apresentarem semelhança política com suas ideias, você até gosta hehehe). 
    A pessoa não publica nada além de postagens políticas e você fica se perguntando quais são os outros interesses da vida dela, pois ninguém pode viver de política o tempo todo. Talvez, na vida real, aquela pessoa que posta mensagens hostis e raivosas de política seja um amor, mas até você descobrir e provar isso levará um bom tempo. 
     Não tenho nada contra quem usa as suas contas nas redes sociais para compartilhar as suas tendências políticas e defender o que acredita ser o mais correto para o cenário político brasileiro, mas esse perfil político causa uma péssima imagem para a pessoa. 
      Particularmente, eu não me incomodo com perfis assim (a não ser que seja muito exagerado e raivoso), mas sei que é o perfil mais irritante em geral (a maioria das pessoas se queixa desse tipo de perfil que só cresce nos últimos tempos) e não poderia ficar de fora dessa lista. 
      Esse perfil é o que mais danifica a imagem de alguém a ponto de destruir amizades, prejudicar a vida social e até profissional da pessoa. Sabe-se que muitas empresas privadas e órgãos do serviço público monitoram as postagens de seus empregados e servidores nas redes sociais. 
      Sendo assim, aqueles com perfis políticos muito acentuados podem colocar o emprego em risco (brigas políticas em redes sociais não combinam com a seriedade exigida pelo profissionalismo). Até mesmo quem é profissional autônomo ou artista prejudica o seu perfil com excesso de política, visto que perde clientes ou fãs de opiniões políticas distintas. Quem é artista principalmente deve tomar muito cuidado para que sua opinião política não seja mais forte do que a sua arte na mente das pessoas. 
        Se você se sente um "paladino" (cavaleiro medieval em busca do heroísmo das virtudes) da política e acredita que é correto manifestar suas convicções políticas, vá em frente -- mas não reclame depois se isso prejudicar a sua imagem ou as outras áreas da sua vida. 
         Sem dúvidas, há ótimos perfis políticos na internet que enriquecem os seus seguidores culturalmente e trazem excelentes reflexões históricas, sociológicas e políticas. Todavia, como você quer ser lembrado na mente das pessoas? Como um mero direitista/esquerdista ou como o ser humano legal que você é? Pense nisso (eu quero que os meus gestos de amor fiquem mais marcados nas memórias dos meus amigos do que as minhas opiniões políticas).

                       

"O que você acha da situação política brasileira atual? Não sou capaz de opinar." 

         

             Por exemplo, é inevitável que, após as declarações políticas de um artista, as pessoas gravem mais na memória delas a posição política do artista do que a sua arte ou personalidade. Eu mesma sempre que vejo certos atores logo me lembro de suas últimas declarações políticas ao invés de me concentrar na sua atuação... Isso acontece com cantores, empresários, escritores e pessoas de todas as profissões. Há muita gente perdendo fãs e clientes por aí...
           Todavia, hoje em dia as pessoas perderam o amor pela contemplação e passaram a ter gana por falar sobre tudo. Elas acreditam que seria covardia buscar o silêncio sobre algum assunto e que é "corajosa" a sua exposição política nas redes sociais. Será coragem mesmo? Ou será mera paixão política falando mais alto que o bom senso? O silêncio nem sempre aponta um "isentão" (isentão é aquele que finge estar em cima do muro para parecer politicamente correto, mas não está...). O silêncio pode representar sabedoria, lucidez e maturidade. 
            O silêncio pode representar ainda alguém que precisa resguardar a sua imagem em prol de objetivos mais abrangentes como, por exemplo, fazer um trabalho de impacto social que une pessoas de diferentes opiniões políticas ou deixar a sua arte ser mais lembrada que o seu voto (vale lembrar que a essência do voto é o segredo). 
        
4) Lavador de Roupa Suja

               

"Então não me conte seus problemas,
Hoje eu quero paz, eu quero amor,
Eu quero amor.
Então, não me conte seus problemas,
nada de tristeza nem de dor."

Trecho da música "Não me conte seus problemas" de Ivete Sangalo. 



  O lavador de roupa suja na internet é um dos piores perfis que alguém ter hehehe. É aquele perfil que sempre está lançando indiretas para alguém, mas erra o alvo a todo instante pelo seguinte motivo: dificilmente o alvo da indireta vai ler e tomar um choque de consciência. Desse modo, as indiretas desse perfil acabam atingindo pessoas que não têm absolutamente nada a ver com os seus problemas. Algumas pessoas mais sensíveis e impressionáveis podem se questionar: "será que foi para mim?" 
   Assim, a rede social inteira vai se sentir atingida, prejudicando amizades e cortando relacionamentos que poderiam ser bons para pessoa. O lavador de roupa suja é aquele que, quando termina um relacionamento, coloca frases de impacto para fazer o antigo affair se sentir culpado (vamos combinar que manipulação e joguinhos emocionais são muito feios, não é mesmo?). 


                  



    O mais comum é esse perfil aparecer após términos de relacionamentos amorosos, mas há aqueles que lavam roupa suja de modo virtual a todo instante: qualquer briga em família ou no seu círculo social acaba sendo exposta na rede. Isto causará um prejuízo notável à privacidade do autor do perfil que ele nem faz ideia. 
   O lavador de roupa suja gosta de lançar postagens que evidenciam as suas mágoas e, muitas vezes, parece cínico e "sadomasoquista" emocional (parece até gostar de sofrer e fazer os outros sofrerem também do jeito que alimenta a sua dor e joga a culpa nos outros). É irritante e enjoativo ver o lavador de roupa suja sempre lançar seus problemas na internet. 
     O lavador de roupa suja faz da sua rede social um espelho das suas intrigas e divulga os conflitos com seus pais, filhos, irmãos, amigos e namorados. Quer resolver seus conflitos? Lave roupa suja em casa. Seus problemas não vão melhorar se você resolver compartilhar suas mágoas nas redes sociais (ao contrário, os problemas ficarão piores e mais confusos). Segura esse frenesi de querer transformar sua vida em uma novela mexicana virtual. 

5) O vitimista

                     

"Ninguém me ama, ninguém me quer,
ninguém me chama de meu amor." 
Trecho da música "Ninguém me ama" de Nora Ney. 



   O vitimista é um perfil muito parecido com o lavador de roupa suja, mas esses perfis se diferenciam pelo seguinte: o vitimista não precisa de um problema com os outros para choramingar nas redes sociais (ele mesmo inventa seus próprios problemas). 
    O vitimista é um ser solitário que quer propagar a sua dor aos quatro cantos do planeta apenas para chamar a atenção e, desse modo, conseguir fazer amigos ou prender amigos pelo vitimismo ao solicitar consolo constantemente. Ocorre que, ao invés de "prender" os outros com seu discurso vitimista, esse é o tipo de perfil que mais afasta as pessoas dele, visto que ninguém aguenta ser "sugado" emocionalmente o tempo todo por alguém isento de amor próprio e carisma. 
    O vitimista é aquele que faz comentários nas postagens de todo mundo para ser respondido e chamar a atenção além de constantemente chamar um por um dos seus contatos no bate-papo das redes sociais apenas para ter alguém para conversar. E, quando alguém não visualiza a sua mensagem ou não responde na mesma hora, o vitimista logo reclama com frases do tipo: "você não me dá atenção" e "eu não tenho valor para você." 
      O vitimista é aquele que, ao menor sinal de rejeição, bloqueia alguns de seus contatos antes mesmo de ser bloqueado (sua falta de autoestima faz com que ele acredite que os outros vão bloqueá-lo a qualquer instante). 

                     


       
       Esse perfil é aquele que vive perturbado e repleto de teorias conspiratórias. Apesar de não ter autoestima, o vitimista tem um tremendo ego (se duvidar maior que o ego do narcisista que se acha lindo hehehe), tendo em vista que não pensa em ninguém além de si mesmo: tudo o que ele quer é suprir sua carência e acabar com a sua dor nem que seja atraindo todo mundo para o buraco negro de sua dor. 
       E essas atitudes do vitimista não passam de egoísmo, pois ele se esquece da dor dos outros e de respeitar os limites alheios. O vitimista precisa aprender a ser uma pessoa melhor, e isso somente ocorrerá quando ele aprender a se amar. É preciso seguir a máxima de Jesus Cristo: "Ama o próximo como a ti mesmo."
        Ao se deparar com alguém vitimista, você não estará sendo bonzinho se resolver consolar suas queixas e alimentar seu vitimismo. A melhor maneira de ajudar um vitimista é ensiná-lo a ser mais forte, corajoso e a ter mais autoestima. Vitimista, saia já de sua torre e não fique esperando alguém salvar você de sua falta de amor próprio. Comece a aprender a se amar e a lutar!
        Ainda bem que eu não tenho nenhum contato vitimista nas redes sociais, porque eu não sou mais tolerante com este perfil. Desde que conheci pessoas com problemas realmente sérios (de saúde inclusive) e que não alimentam vitimismo por preferirem lutar contra seus desafios, eu deixei de ter paciência com esse perfil. 

6) O religioso fanático / O ateu fanático 


                

Imagem "O Facebook como religião". 

"Erguei as mãos e dai glória a Deus,
erguei as mãos e dai glória a Deus."

Trecho da música "Erguei as mãos" de Padre Marcelo Rossi. 


    
   O religioso fanático é aquele que usa as suas redes sociais única e exclusivamente com o objetivo de atrair mais pessoas para a sua religião e mais fiéis para a sua igreja. Só que ele é tão pedante que acaba afastando as pessoas de suas convicções religiosas ao invés de conquistá-las. 
    Nem sempre o autor desse perfil é um padre ou um pastor, pois na maioria dos casos esses perfis fanáticos e irritantes nascem dos próprios fiéis ou seguidores de alguma religião (nota-se que os perfis oficiais de sacerdotes podem ser muito legais e estão longe de serem pedantes, observando os perfis de alguns padres no Instagram hehehe). 
   O religioso fanático é aquele que sempre compartilha uma música ou um louvor e tem orgulho de ostentar a sua fé. Além de louvores e cantos, o autor desse perfil gosta de discutir religião com seus contatos, é hostil em relação às crenças diferentes e se considera o dono da verdade. 
   Cuidado com perfis assim hein! Muito cuidado! É lindo querer propagar o seu amor a Deus, cantar versos para Ele e louvar a Sua grandeza, mas a ostentação da fé é uma das vaidades mais perigosas (e pecaminosas) que existem.
     Todo religioso sério sabe que a oração e a caridade verdadeiras são secretas e discretas em sua essência mais pura. No Evangelho de São Mateus (Mateus 6:6), Jesus disse: "Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, e fechada a porta, orarás a teu Pai, que te vê em secreto e te recompensará." 
       Algumas atitudes da mistura entre fé e mundo virtual são nobres, tais como: compartilhar frases motivacionais nas redes sociais para inspirar e levantar os amigos da "deprê" (depressão), divulgar textos religiosos com mensagens de amor e oferecer consolo espiritual aos seus amigos virtuais. Entretanto, nem sempre a exibição da fé nas redes sociais é nobre, pois há casos em que a vaidade fala mais alto que o amor a Deus. 
        Em muitos casos, as pessoas que propagam seu perfil religioso almejam criar uma imagem de "bonzinho" e "santinho" que não combina com sua realidade. A criação de tal imagem não é nada saudável e, como afirma Pondé (filósofo ateu), quem estuda a história da filosofia moral sabe que quem quer muito parecer bonzinho não é virtuoso no final das contas. 
           Propagar nas redes sociais a caridade que você faz também não é nobre. Certa vez, eu compartilhei um ato solidário nas minhas redes por acreditar que aquilo poderia inspirar outras pessoas a fazerem o bem (além do mais, era uma celebração esse ato solidário, uma festinha com pessoas fantasiadas hehehe). Eu me questiono se agi corretamente, porque meu pai sempre me ensinou a nunca divulgar a caridade (ela deve ser feita em segredo para ter valor). Da mesma forma, o seu amor a Deus deve estar no segredo de seu coração. Nunca use a fé para se sentir melhor do que os outros ou para promover uma imagem de "santidade". 
          É curioso notar que não é a insistência que atrai mais fiéis a sua religião, mas o seu exemplo. As pessoas que eu consegui atrair para a minha fé costumam relatar que o meu comportamento foi mais inspirador do que as minhas palavras. 
          As pessoas geralmente dizem: "Nossa, você e sua família têm um comportamento tão diferenciado e iluminado que eu quero saber no que vocês acreditam." É o nosso comportamento e o amor que compartilhamos às pessoas que atraem naturalmente os outros a procurarem nossas crenças por curiosidade. As pessoas precisam sentir Deus no amor que você dá a elas, entendeu? Isso me fez recordar aquela música do U2 (as músicas do U2 atraem mais as pessoas para a religião do que muitas músicas religiosas propriamente ditas hehehe): "We cannot reach any higher if we can't deal with ordinary love." 
          Vale lembrar que o ateu fanático é tão pedante quanto o religioso fanático (é o que eu sempre digo: o ateísmo virou uma "religião"). Aquele tipo de gente que compartilha coisas irritante como: "Cadê Deus quando esse avião caiu?" não merece qualquer consideração. Respeito meus amigos ateus na medida em que eles me respeitam enquanto religiosa. Não há coisa mais imoral, cínica e imunda do que usar um acidente para "pregar" o ateísmo.

                         

"Meu Deus, como eu sou ateu. Preciso avisar isso no facebook todos os dias."

          

             Ateu ativista em rede social é sempre uma figura curiosa com todo o respeito. Os ateus culpam as religiões por todos os problemas da humanidade, mas esquecem do papel fundamental da igreja na construção de hospitais e universidades. Eles pregam com vigor a importância do Estado laico e criticam o símbolo da cruz em lugares públicos, mas amam um feriado católico para descansar, celebrar ou viajar (se duvidar, são os que mais comem chocolate na Páscoa e panetone no Natal... que pena que eles não refletem os significados das datas).  
             Um religioso, por mais tolerante que seja, nunca vai gostar de escutar aquela célebre frase ateísta: "eu não preciso de Deus". Você não crê em Deus? Tudo bem. Não acredito que seja necessariamente mau por isso (há ateus com corações melhores do que os nossos). Mas não faça marketing irônico do seu ateísmo. Se quer tolerância, pode declarar à vontade seu ateísmo desde que não seja cínico.
            A gota d'água para mim foi a piada infeliz que a ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos), na queda do avião que provocou a morte dos jogadores da Chapecoense, publicou em sua página no Facebook. Eu pensava que essa era uma associação séria que queria promover um diálogo harmônico entre os ateus e os religiosos e propiciar maior tolerância aos ateus no nosso cenário predominantemente religioso. 
            É desse jeito que eles querem uma sociedade mais harmônica e tolerante? Com "memes" cínicos que desrespeitaram um luto nacional? A justificativa foi a seguinte: o desprezo da Associação pelo conforto religioso diante do luto, pois não haveria conforto para esse momento. Achei a justificativa meio fraca. Não cabe cinismo numa tragédia. 
              Se você não gosta de confortar as pessoas dizendo que Deus recebeu bem os que se foram "do outro lado", pelo menos não zombe da morte. Zombar é pior do que confortar (por mais que o conforto religioso possa parecer pedante para quem não crê).  Olha, é por esse tipo de gente imoral que a minha fé na humanidade quase balança. Não acredito mais na seriedade dessa Associação desde então (lembrando que muitos dos próprios ateus não gostam mais dessa Associação e não se sentem representados por ela). Cuidado com postagens no Facebook, minha gente! Postagens infelizes aumentam o ódio, a intolerância e os conflitos. 

Texto escrito por Tatyana Casarino

Na próxima postagem, vou trazer mais 6 tipos de perfis irritantes hehehe.

Aguardem! ;) 

*Se você gostou deste texto, confira mais textos do assunto:

*Os perfis mais irritantes das redes sociais -- Parte II

https://tatycasarino.blogspot.com/2018/09/os-perfis-mais-irritantes-das-redes_22.html

*Os 7 pecados capitais no Facebook:

http://tatycasarino.blogspot.com/2015/09/os-7-pecados-capitais-no-facebook.html

**Música que eu estava ouvindo durante a escrita desta postagem:

*The Cardigans - Lovefool 



                        https://www.youtube.com/watch?v=NI6aOFI7hms